AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS). Para maiores informações, contate-nos via e-mail.

* Recesso de final de ano: voltaremos a atender em 9 de janeiro

* Horário de verão, aos sábados: das 19h às 20:45h



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Muito Prazer, Maria Redonda

Por Juliana Bálico

A Ju, como é chamada carinhosamente aqui no Terreiro, é uma menina doce (filha de Oxum, só podia), e que faz parte do grupo de estudos e desenvolvimento mediúnico da casa.
Na última segunda-feira, dia 9 de janeiro, a Preta Velha que a acompanha resolveu se apresentar e eu acompanhei de perto este momento, emocionada, pois era mais uma Redonda.
Mas vamos deixar que ela mesma conte esta história:

" Em alguns momentos, durante o recesso de final de ano da casa, me via em situações onde pensava que não conseguiria contornar sozinha.
Eis que tive o impulso de pedir ajuda aos meus protetores, mas mesmo assim os “sintomas” continuavam ali presentes comigo.



Na primeira gira do ano, semana de Povo do Oriente, quando os pontos começaram a tocar, as angústias, as dores, as tristezas, as aflições iam reaparecendo, parecia que estavam esperando aquele momento que seria o certo para virem à tona.



Ansiosa, fui chamada para o atendimento.

Ao parar defronte o/a Oriental de uma médium da casa, seu simples gesto de levantar as mãos fez com que algo que nunca imaginei acontecesse. Muito intenso e sem palavras, tudo que estava comigo foi encaminhado, foi auxiliado e um sentimento de dever cumprido tomou conta de mim, substituindo toda aquela angústia.



Em seguida, senti muito forte a presença da Preta Velha que trabalha comigo. Pensei que ela simplesmente iria chegar e me reenergizar depois do trabalho feito, mas ela resolveu me dar um dos maiores presentes que poderia receber ali dentro da Casa Pai Joaquim de Cambinda.



Foi a primeira vez que nós duas conseguimos conversar com facilidade. Eu,  emocionada, tinha que conter as lágrimas e prestar atenção a cada palavra e a cada vírgula. Quando menos esperava, ela chamou uma médium e disse: - “Nega, tem aquele pra fazer o ponto ‘axim’ ” ? Eu queria fugir naquele momento temendo o que estava por vir. Eis que entregaram a tábua e a pemba, ela olhou e riu com aquele jeito meigo. A Preta Velha fez um dos “desenhos” mais bonitos que já vi, uma pena que as habilidades do cavalo não ajudam. Naquele momento ela se apresentava para casa e para todos que estavam ali por perto, fazendo o seu ponto riscado. Após este momento, feliz com seu dever cumprido e seus ensinamentos repassados ela tinha que ir embora. Levantou-se e, caminhando lentamente, foi até o Congá, onde se despediu. E eu continuava em êxtase pelo que tinha vivido junto a ela.



Quando retornei para o lugar onde a Preta Velha estava sentada no toco e vi o ponto riscado ao lado não consegui conter o choro, mas não era de tristeza, era muita  emoção! Emoção por tê-la deixado trabalhar tranquilamente, pois para uma médium em desenvolvimento e cheia de insegurança, era tudo muito novo. Saí do salão encantada com tudo que tinha acontecido, feliz em ter conseguido me “entregar” desta forma, mas ainda sentindo muito forte a vibração dela.



Terminada a Gira, ouço me chamarem para “levantar o ponto”. Leiga no assunto, fui orientada de como fazer isso,. Foi aí que o coração acelerou e uma voz sussurrava: - “Fia, nunca esqueça que sempre estarei contigo”, a vibração ia diminuindo até que não sentia ela tão próximo de mim.



Depois de tudo o que vivi, meu sentimento é de gratidão!

Gratidão por cada ensinamento e por nos proporcionarem momentos mágicos, onde muitas vezes é impossível descrever! "





Agô, Nega!

Salve Vovó Maria Redonda! 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Minha amada Maria Redonda



por Cândida Camini

Era noite de estudos e desenvolvimento mediúnico.
O tema abordado era “Desobsessão” e/ou “Encaminhando espíritos necessitados de auxílio”
Como de praxe, após uma hora e meia de teoria, iniciamos a prática, onde os médiuns de passagem iniciaram a incorporação destes espíritos.
Enquanto o trabalho se desenrolava, percebi que não estava só e, imediatamente, a entidade que me acompanhava começou a andar pelo salão, com a mão espalmada no meu peito, batendo de leve e emitindo um som que, num primeiro momento, me lembrou ‘vento’ (mas não era Iansã). O som era mais ou menos assim: schhhh schhhh schhhh schhhh.
Vez por outra se aproximava de um dos grupos de trabalho e auxiliava no atendimento.
Eu, dentro de mim, me perguntava quem era aquele espírito, que nunca havia sentido antes (pelo menos não desta forma). “Preciso perguntar depois ao Pai Joaquim” pensava eu.
Ao término da prática, ela sentou-se num banquinho e se apresentou (que perguntar ao Pai Joaquim que nada rsrsrsrs).
Era Maria Redonda, a Preta Velha que trabalha comigo.
Levei um susto, como assim?
E ela então explicou que este é um dos trabalhos que ela faz no astral, ou seja, auxilia o resgate dos pequenos que se encontram perdidos. Os mesmos vão sendo reunidos em uma espécie de Colônia de Socorro, próxima da Terra e, no momento certo (numa reunião como a daquele dia, por exemplo), são encaminhados.
Mas fez questão de ressaltar, que não só os pequenos de idade (crianças, a maioria), mas também os pequenos em evolução.
Neste momento lembrei-me de um atendimento onde ela comentou com o rapaz que conversava com ela das vezes em que foi até ‘lá embaixo’ buscá-lo, trouxe-o de volta, praticamente no colo, e ele nem percebeu que era ela. Mas neste dia achei que era uma situação específica, nunca imaginei que este era o trabalho dela. Eu sabia, por exemplo, que ela cuidava de crianças enfermas, mas não tinha ideia que eram, principalmente, crianças desencarnadas.
E então, lembrando de algumas situações que ocorreram durante a prática, me dei conta que realmente muitas manifestações eram de crianças. Em uma delas, um espírito feminino deu à luz, literalmente, durante o atendimento. Uma mãe, que desencarnou prestes a dar a luz, permanecia, em espírito, em simbiose com seu bebê, como se grávida ainda estivesse.
Outros médiuns presentes à reunião comentaram a presença de muitas crianças sendo resgatadas.
Só aí compreendi que o som que ela emitia, era aquele chiado característico que as mães fazem para acalmar seus bebês e que lembra um som que o bebê escuta dentro do útero materno, durante a gestação.

Finalizando, Maria Redonda agradeceu a dedicação e a predisposição dos médiuns para este importante trabalho e, emocionada, despediu-se, indo cuidar de seus pequenos.

Resolvi contar esta história porque ontem, antes da Gira com o Povo do Oriente, a Luciana, médium da casa e que estava presente à reunião, nos presenteou com esta imagem, justamente para que sempre nos lembrássemos deste lindo trabalho. 

Luciana, mais uma vez, Gratidão!

Maria Redonda, todo meu respeito e o meu amor!

Axé!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ritual do Amaci 2016 - 1ª Parte - Assentamento


Por Cândida Camini

Era noite de assentamento do Amaci.
Os médiuns que iam chegando, na sua quase totalidade, percebiam na pele e na alma, somente a energia reinante.
Na matéria, o Terreiro já estava pronto para o ritual.
No astral, desde a noite anterior já aconteciam os preparativos.
Passo a relatar aqui o que a Luciana, médium clarividente do grupo, pode perceber.

O Terreiro havia sido transformado em uma grande aldeia e no congá, um enorme paredão de pedras, onde havia uma vertente de água pura e cristalina.
O chão era de terra e ao redor, árvores enormes.
No centro da aldeia, no chão, onde na matéria havia sido riscado um triângulo, que abrigaria os alguidares com os elementos de cada médium, uma espécie de canaleta formava o triângulo, por onde corria a água que vinha da vertente no congá.
No centro do triângulo, vários feixes de ervas, que os Pretos Velhos haviam preparado na noite anterior.
Durante o ritual da defumação, vários índios passavam energizando os médiuns com seus chocalhos e entoando cânticos.
Momentos antes da chegada do nosso Comandante, Ogum Beira Mar, o chão do Terreiro aquecia e vibrava intensamente, tal era a energia reinante.

Seu Beira Mar chega então, na vibração do seu ponto, entoado pelos médiuns presentes.
Vestia uma armadura com elmo, toda em aço. Na mão uma espada cravejada de pedras na empunhadura, pedras estas nas cores verdes e, ao centro do cabo da espada, uma cruz com pedras vermelhas.

Ao erguer a espada, uma luz muito forte refletiu direto nos alguidares e estes começaram a girar, impulsionados por aquela energia.
Os médiuns cantavam os pontos, chamando todas as linhas e, conforme os guias iam incorporando, a energia dos alguidares mudava, identificando cada linha.
No momento da linha das águas, o líquido dos alguidares fervia e, de alguns deles,  a água saia de dentro do alguidar, formando um redemoinho impressionante, tamanha a energia emanada pelas entidades.
As entidades femininas doavam luz e cor aos alguidares, a todos sem exceção, e iam formando  um lindo arco íris.
Liderando a Linha de Pretos Velhos, Pai Joaquim de Cambinda chega e acende, com seu cachimbo, os feixes de ervas que estavam no centro do triângulo. A fumaça que se formou foi encobrindo e energizando um a um, todos os alguidares, que iam sendo cobertos pela fumaça, quase desaparecendo.
Durante a energização dos alguidares pelas entidades, elementos como água, fumaça, flechas energéticas, machados, facas, lenços, ervas, espadas, laços, chicotes, riscavam o triângulo com uma energia tão grande que pareciam raios.
Um dos Mestres da Linha do Oriente fez levitar os alguidares, até unirem-se no alto, como se eles não estivessem pesados. E de suas mãos saíram fios iluminados de um azul muito intenso.
Ao se aproximar o término do ritual, os espíritos presentes começaram a entoar cânticos, que não eram exatamente os pontos que cantamos durante os trabalhos, cantavam em outras línguas, índios e negros acompanhavam o ritmo pisando forte com os pés no chão, o que produzia uma energia que ia envolvendo e firmando a corrente.
Antes do encerramento, Ogum Beira Mar ergue uma cortina energética ao redor do triângulo onde permaneciam os alguidares, como uma enorme teia de aranha e no alto do triângulo uma grande flor brilhante de lótus, que emanava uma luz lilás.


Ao término do ritual, após a saída de todos os médiuns, as entidades ainda permaneciam no local, enquanto um grupo de Pretas Velhas varriam o chão ao redor do triângulo e do lado de fora do Terreiro com vassouras feitas de ervas, enquanto outro grupo lavava com aquela água cristalina , que vertia da parede de pedras do congá.
Findava a primeira parte deste importante Ritual da nossa amada Umbanda.

Luciana e eu


Os médiuns iam deixando o espaço sagrado ainda vibrando naquela energia, e na expectativa do Ritual do Amaci propriamente dito, de lavagem da cabeça, que aconteceria dois dias depois, e agradecendo ao Pai Oxalá pela oportunidade de pertencer a esta egrégora, preparando-se para mais um ano de trabalho na Umbanda.

Axé!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Natal Feliz, Feliz Natal!



por Cândida Camini

Faz algum tempo que o Natal mudou pra mim.
Dos primeiros, lá na infância distante (ops, nem tanto, rsrsrsrs), lembro quase nada.
Na verdade, lembro apenas de uma boneca, com berço e tudo, que ganhei dos meus pais, berço este de vime e enfeitado com tecido e fitas, pela minha mãe; e de uma outra boneca, de pano, com vestido longo, na verdade eram duas em uma. De um lado, loira; virava, pretinha. Acho que veio do Rio de Janeiro, da tia Flora (guardo até hoje esta).
Mais tarde, passando já da adolescência, era obrigatória a ceia em família, todos reunidos, pais, filhos, noras, genros, famílias de noras e genros, netos.
Teve um Natal, quando morávamos na Rua João Guimarães, que sobre a cama de casal da mãe tinham enfileirados quatro ou cinco bebês (se não errei na conta): Diego, Tatiana, Amanda, e acho que tinha também o Rodrigo e o Marcelo.
Era uma grande festa. Éramos felizes!
Sob a árvore de natal não cabiam tantos presentes (não sabíamos o que era crise).
E no Ano Novo, estávamos todos reunidos novamente. Mais festa!
Depois que meus pais mudaram de plano, a família foi se dispersando.
Outros caminhos, outros interesses, outros valores.
Sabíamos claro, que estávamos comemorando o nascimento de Jesus e o que isto significava.
Minha mãe, Maria, natal de 2008
Não lembro quando que passamos a rezar um Pai Nosso antes da Ceia, mas lembro bem da expressão de fé de minha Mãe (que assim como a mãe de Jesus se chamava Maria) ao fazê-lo e quanto ela gostava deste ritual.
Não lembro a data exata, mas tenho certeza que foi depois que encontrei minha fé na Umbanda.
Com o tempo, fui me distanciando do ritual, da festa, dos presentes e me aproximando mais do verdadeiro sentido do Natal.
Passou a ser um dia de reflexões, de introspecção e alguns questionamentos, por que não?
O Natal não mudou, mudamos nós.
Independente do lugar, das pessoas, da ceia, dos presentes, que cada um possa ter sempre uma noite de Natal repleta de amor, paz, encontros e sempre com a luz de Cristo irradiando em seus corações.

Feliz Natal!