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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dois lados de uma mesma moeda

Era uma noite muito fria, poucas pessoas aguardavam o início dos trabalhos.
Lembro daquela moça entrando devagar, olhar assustado, um tanto trêmula, amparada pelo marido.
"Ela é médium", disse-me ele e precisa de ajuda.
"Como é que tu sabes que ela é médium?" eu perguntei.
E ele, parecendo ter sido pego de surpresa, limitou-se a sacudir os ombros e, percebendo que eu não ia desistir de ouvir a resposta, disse: - " Meu vizinho, que me indicou esta casa, nos disse que os sintomas que ela apresenta são de mediunidade descontrolada e que aqui nós teríamos todas as respostas. "
" E que sintomas são estes?" eu perguntei novamente.
Ao que ele me respondeu quase num sussurro: - " Ela ouve vozes, vê vultos, fala coisas sem sentido e às vezes parece que não é ela que está ali, falando. Eu não acredito nestas coisas, a senhora sabe como é, mas meu vizinho insistiu tanto, que resolvi trazê-la."
" E a senhora, o que acha disto? " dirigi-me à esposa, que cada vez se encolhia mais na cadeira.
Ela só sacudia a cabeça de um lado para o outro, como se não desejasse estar ali.
Deixei-os à vontade, pois os trabalhos já iam começar.
Mal iniciaram os pontos, a moça começou a tremer e já não podia mais ficar sentada.
Muito assustada, ela não parava de repetir: "Tira isto de mim, quero ir embora daqui."
Meia hora depois e tendo já alguns espíritos sido encaminhados através dela, manifestou-se um Preto Velho, dizendo-se protetor da moça e que ela estava ali porque ele a tinha trazido.
Para resumir a história, esta moça foi convidada a participar da reunião de estudos e desenvolvimento mediúnico de nossa casa, de forma a entender 'estas coisas' que estavam acontecendo com ela e aprender a lidar com sua sensibilidade mediúnica.
" Mas eu terei que trabalhar na casa? " perguntou ela, preocupada já com os compromissos que teria que assumir caso a resposta fosse afirmativa.
Ao ser informada que a decisão seria única e exclusivamente dela, aceitou o convite e passou a frequentar as reuniões.
A cada encontro, mais e mais espíritos eram encaminhados através de sua mediunidade. E ela continuava assustada, querendo fugir daqui, mas ao mesmo tempo sabia que não tinha muita escolha. Precisava entender o que era 'aquilo'.
Após algum tempo as manifestações foram sendo harmonizadas e ela já conseguia compreender que não estava aqui por acaso.


Começou a receber seus protetores e aprendeu a diferenciar as energias de um e outro.
Ficou impressionada com a firmeza de Ogum e a doçura de Oxum.
Apaixonou-se pela doçura dos Pretos Velhos e a peraltice das Crianças.
Embora assustada no início, aprendeu a respeitar o trabalho do Povo da Rua.
E assim, pouco a pouco, foi compreendendo e amando esta sua missão na Umbanda.


Outro caso que começou mais ou menos como este que relatei acima, teve um final diferente.
A moça foi trazida pelo namorado, pois segundo ele ela simplesmente apagava em qualquer hora ou lugar. Demorava a voltar a si e muitas vezes quando voltava, chorava muito, dizia coisas tipo "vou acabar com ela", "desta vez ela não me escapa", e por aí vai.
Depois de alguns atendimentos e explicações sobre o que estava acontecendo, o casal não mais procurou a nossa casa.
Soubemos através da mãe do rapaz que a moça continuava do mesmo jeito. Os dois ficavam horas trancados no quarto, a moça dando passagem aos mais diversos tipos de espíritos e o rapaz 'resolvendo tudo', como ele mesmo dizia. Não precisava da ajuda de ninguém, pois só ele poderia auxiliá-la.
Passado mais algum tempo, fomos informados que a moça tinha sido internada pela família em uma clínica, para tratamento dos nervos e, ao sair da mesma, estavam todos frequentando uma Igreja Evangélica e seguindo seu caminho.
Não tivemos mais notícia, mas esperamos com fé em Deus que tenham encontrado a paz.


O texto nos faz refletir sobre nossas escolhas. Cada um seguindo o caminho que lhe parece melhor. Mas como saber qual o caminho a seguir? 
Se tenho sintomas bastante ostensivos de mediunidade, devo entrar para a corrente mediúnica de uma casa espiritualista e exercê-la para a prática da caridade?
Será esta a minha missão?


Nós costumamos orientar os que nos procuram com estas dúvidas que, antes de mais nada, estudem o assunto, conheçam-se a si próprios, aprendam a conhecer e lidar com sua mediunidade, e a resposta virá, com o tempo. Sem pressa, sem ansiedade, mas com muita seriedade e persistência. 



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