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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ritual do Amaci 2016 - 1ª Parte - Assentamento


Por Cândida Camini

Era noite de assentamento do Amaci.
Os médiuns que iam chegando, na sua quase totalidade, percebiam na pele e na alma, somente a energia reinante.
Na matéria, o Terreiro já estava pronto para o ritual.
No astral, desde a noite anterior já aconteciam os preparativos.
Passo a relatar aqui o que a Luciana, médium clarividente do grupo, pode perceber.

O Terreiro havia sido transformado em uma grande aldeia e no congá, um enorme paredão de pedras, onde havia uma vertente de água pura e cristalina.
O chão era de terra e ao redor, árvores enormes.
No centro da aldeia, no chão, onde na matéria havia sido riscado um triângulo, que abrigaria os alguidares com os elementos de cada médium, uma espécie de canaleta formava o triângulo, por onde corria a água que vinha da vertente no congá.
No centro do triângulo, vários feixes de ervas, que os Pretos Velhos haviam preparado na noite anterior.
Durante o ritual da defumação, vários índios passavam energizando os médiuns com seus chocalhos e entoando cânticos.
Momentos antes da chegada do nosso Comandante, Ogum Beira Mar, o chão do Terreiro aquecia e vibrava intensamente, tal era a energia reinante.

Seu Beira Mar chega então, na vibração do seu ponto, entoado pelos médiuns presentes.
Vestia uma armadura com elmo, toda em aço. Na mão uma espada cravejada de pedras na empunhadura, pedras estas nas cores verdes e, ao centro do cabo da espada, uma cruz com pedras vermelhas.

Ao erguer a espada, uma luz muito forte refletiu direto nos alguidares e estes começaram a girar, impulsionados por aquela energia.
Os médiuns cantavam os pontos, chamando todas as linhas e, conforme os guias iam incorporando, a energia dos alguidares mudava, identificando cada linha.
No momento da linha das águas, o líquido dos alguidares fervia e, de alguns deles,  a água saia de dentro do alguidar, formando um redemoinho impressionante, tamanha a energia emanada pelas entidades.
As entidades femininas doavam luz e cor aos alguidares, a todos sem exceção, e iam formando  um lindo arco íris.
Liderando a Linha de Pretos Velhos, Pai Joaquim de Cambinda chega e acende, com seu cachimbo, os feixes de ervas que estavam no centro do triângulo. A fumaça que se formou foi encobrindo e energizando um a um, todos os alguidares, que iam sendo cobertos pela fumaça, quase desaparecendo.
Durante a energização dos alguidares pelas entidades, elementos como água, fumaça, flechas energéticas, machados, facas, lenços, ervas, espadas, laços, chicotes, riscavam o triângulo com uma energia tão grande que pareciam raios.
Um dos Mestres da Linha do Oriente fez levitar os alguidares, até unirem-se no alto, como se eles não estivessem pesados. E de suas mãos saíram fios iluminados de um azul muito intenso.
Ao se aproximar o término do ritual, os espíritos presentes começaram a entoar cânticos, que não eram exatamente os pontos que cantamos durante os trabalhos, cantavam em outras línguas, índios e negros acompanhavam o ritmo pisando forte com os pés no chão, o que produzia uma energia que ia envolvendo e firmando a corrente.
Antes do encerramento, Ogum Beira Mar ergue uma cortina energética ao redor do triângulo onde permaneciam os alguidares, como uma enorme teia de aranha e no alto do triângulo uma grande flor brilhante de lótus, que emanava uma luz lilás.


Ao término do ritual, após a saída de todos os médiuns, as entidades ainda permaneciam no local, enquanto um grupo de Pretas Velhas varriam o chão ao redor do triângulo e do lado de fora do Terreiro com vassouras feitas de ervas, enquanto outro grupo lavava com aquela água cristalina , que vertia da parede de pedras do congá.
Findava a primeira parte deste importante Ritual da nossa amada Umbanda.

Luciana e eu


Os médiuns iam deixando o espaço sagrado ainda vibrando naquela energia, e na expectativa do Ritual do Amaci propriamente dito, de lavagem da cabeça, que aconteceria dois dias depois, e agradecendo ao Pai Oxalá pela oportunidade de pertencer a esta egrégora, preparando-se para mais um ano de trabalho na Umbanda.

Axé!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Natal Feliz, Feliz Natal!



por Cândida Camini

Faz algum tempo que o Natal mudou pra mim.
Dos primeiros, lá na infância distante (ops, nem tanto, rsrsrsrs), lembro quase nada.
Na verdade, lembro apenas de uma boneca, com berço e tudo, que ganhei dos meus pais, berço este de vime e enfeitado com tecido e fitas, pela minha mãe; e de uma outra boneca, de pano, com vestido longo, na verdade eram duas em uma. De um lado, loira; virava, pretinha. Acho que veio do Rio de Janeiro, da tia Flora (guardo até hoje esta).
Mais tarde, passando já da adolescência, era obrigatória a ceia em família, todos reunidos, pais, filhos, noras, genros, famílias de noras e genros, netos.
Teve um Natal, quando morávamos na Rua João Guimarães, que sobre a cama de casal da mãe tinham enfileirados quatro ou cinco bebês (se não errei na conta): Diego, Tatiana, Amanda, e acho que tinha também o Rodrigo e o Marcelo.
Era uma grande festa. Éramos felizes!
Sob a árvore de natal não cabiam tantos presentes (não sabíamos o que era crise).
E no Ano Novo, estávamos todos reunidos novamente. Mais festa!
Depois que meus pais mudaram de plano, a família foi se dispersando.
Outros caminhos, outros interesses, outros valores.
Sabíamos claro, que estávamos comemorando o nascimento de Jesus e o que isto significava.
Minha mãe, Maria, natal de 2008
Não lembro quando que passamos a rezar um Pai Nosso antes da Ceia, mas lembro bem da expressão de fé de minha Mãe (que assim como a mãe de Jesus se chamava Maria) ao fazê-lo e quanto ela gostava deste ritual.
Não lembro a data exata, mas tenho certeza que foi depois que encontrei minha fé na Umbanda.
Com o tempo, fui me distanciando do ritual, da festa, dos presentes e me aproximando mais do verdadeiro sentido do Natal.
Passou a ser um dia de reflexões, de introspecção e alguns questionamentos, por que não?
O Natal não mudou, mudamos nós.
Independente do lugar, das pessoas, da ceia, dos presentes, que cada um possa ter sempre uma noite de Natal repleta de amor, paz, encontros e sempre com a luz de Cristo irradiando em seus corações.

Feliz Natal!






domingo, 4 de dezembro de 2016

Quando o coração fala [10]

Esta série de artigos que nomeei 'Quando o coração fala' é um espaço aberto a todos que quiserem compartilhar suas experiências, emoções, encontros, enfim, abrir o coração no que se refere a nossa Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Desta vez é a Kelly, médium da Casa desde 17 de janeiro deste ano de 2016.
Fiquei observando ela numa de nossas Giras e minha intuição me disse que estava ocorrendo algo muito importante e emocionante com ela.
Pedi que nos contasse esta história e ela, para nosso deleite, prontamente atendeu.
Aí está!

Kelly Kaiser
" Era 02 de novembro, Dia de Finados.

Durante o dia estava sentindo uma energia digamos que um pouco "estranha". Lá no fundo, eu sentia uma vontade muito forte e intensa de reverenciar meus ancestrais. Até aí, tudo certo, afinal de contas o dia era deles, dos mortos. Eu desconfiava que a tal sensação fosse por causa da data. Pensava comigo mesma, "sim, hoje é Dia de Finados! acho que estou vulnerável pela data! Estou pensando mais nos meus familiares, avós e bisavós que já desencarnaram. Sim, é isso! Dia nostálgico de relembrar daqueles que não estão mais nesse plano!". Coincidentemente, era uma quarta-feira, dia em que me ponho disponível a auxiliar na Casa Pai Joaquim de Cambinda.

Chegando ao terreiro, percebi que a energia que eu sentia durante todo meu dia se intensificou!

Era dia de atendimento com o Povo Cigano. A sessão transcorria como sempre, na mesma ritualística. Porém eu sentia tudo diferente! 
Os atendimentos começaram. Cada vez mais sentia que não estava sendo um dia "normal". De repente, senti vontade de andar em círculos, como se estivesse em volta de uma fogueira! A única coisa que queria era estar de olhos fechados, mas como eu sou difícil de me entregar às energias, sentia que a estranheza só aumentava. Quando percebi, embora lutasse com aquelas energias, eu já não estava mais no controle! Uma energia feminina muito forte estava ali comigo!

O tempo voou! Quando chegou a nossa vez, dos médiuns receberem atendimento da Casa, fui sutilmente intuída a passar com determinada entidade.  E assim foi. Ao parar em frente da médium, a energia feminina se manifestou. Muito amorosa, a entidade falava "deixa ela vir, filha! Pare de lutar! Você já está pronta para recebê-la! Apenas se entregue!". Eu, muito controladora, não me entreguei por completo. Sentia aquela energia maravilhosa, mas não acontecia a entrega real. Foi então que, atentamente, escutei os conselhos e todas as palavras que a entidade me dizia.

Primeiro, relatou a aparência daquela mulher que me acompanhava. Ela estava vestindo um vestido verde e seus cabelos eram castanhos e longos. Tinha conhecimentos de religiões muito antigas, como a pagã, Wicca, Xamanismo e com grande influência da floresta também! Ao mesmo tempo em que recebia as informações, a entidade dizia para que eu não me preocupasse, pois todas aquelas informações seriam entendidas. Esse espírito feminino não era a cigana que eu esperava que fosse. Mas não importava, porque o essencial é a forma como ela trabalhará. Independente da linha de trabalho, imprescindível é ajudar o próximo!

Ela não era uma cigana como pensei. Sua luz era tão linda e como tinha amor! Estava se apresentando a mim como "A grande Mãe Irlandesa". Juntas, começaríamos a trabalhar daqui para frente! Recebi e acolhi toda aquela energia. Ao me despedir dela e do meu passe, com as pernas moles, estava ainda digerindo tudo. Precisava me recompor! Naquela avalanche de emoções, ao procurar uma cadeira para sentar, "A Grande mãe Irlandesa" chegou para valer! Ali, me contou que era uma Deusa Sacerdotisa Celta Druida. Era a mulher dos meus sonhos! Nossa! Quanta emoção e que reencontro! Ela me abraçava e eu só conseguia chorar! Durante muito tempo, sonhei com uma mulher, linda, maravilhosa com cabelos compridos e morenos que tocava harpa pra mim. Os sonhos eram como um bálsamo! Passavam-me tanta paz! Eu adorava sonhar com ela! E eu não estava acreditando no que estava acontecendo comigo! Que dia! 

A gira terminou. Ao fazermos nossa prece de encerramento, o Ricardo ou a Cândida sempre perguntam se queremos incluir alguém em especial na oração, senti outra vez aquela necessidade de reverenciar os nossos ancestrais. Afinal de contas, ainda era o dia deles, dia dos mortos. Mas, como aprendi na Umbanda, dia dos mortos são todos os dias. E ali, trabalhamos mais com os desencarnados do que com os encarnados, então simplesmente me calei.

Chegando em casa, como uma boa médium moderna da Nova Era (hahahaha!) parti para minhas pesquisas com a entidade "Google". Eu queria saber mais sobre a cultura Celta e sobre a Deusa. Na minha busca, apareceu uma enxurrada de informações e senti que ela estava ali junto a mim. Assim, pedi para que me guiasse e me ensinasse sobre seu povo. E assim foi feito! Primeiro, ela me conduziu a escutar uma oração Celta, lindíssima! Depois me explicou o que havia acontecido durante meu dia. Segundo a cultura Celta, em uma data próxima a 1º de novembro, quase sempre ocorrendo no último dia de Outubro, os celtas celebram o "Samhain" um culto sagrado para os ancestrais. Nessa noite, o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com os ancestrais torna-se mais fácil entre eles! Aí, entendi tudo!
Minha amada, "A Grande Mãe Irlandesa" se chama Danu. É reverenciada como senhora da terra, da água, da abundância, da plenitude da natureza e da soberania. Ela representa a "força ancestral" da terra, a fertilidade, a vida e a morte. A Deusa Danu, foi posteriormente considerada como a representação da tríplice, manifestação divina, tendo três faces ou aspecto e seu nome representa conhecimento.

Essa experiência foi muito linda e intensa! Me trouxe muitas reflexões internas e muitos aprendizados também, que certamente não terminarão por aí! Sigo recebendo insights sobre toda essa cultura. Lá, no meu íntimo, descobri que sinto minha alma também Celta, afinal, agora as pecinhas do quebra-cabeça começaram a se encaixar! 

Compreendi que as viagens mais místicas e profundas que fiz até hoje na minha vida não foram por acaso! Ao visitar a Irlanda, Escócia e o sudeste da Inglaterra, entendi que os três locais formam (coincidentemente?) a tríplice da cultura Celta! No fundo, ao ver de pertinho os impressionantes círculos de pedras, Stonehenge, sabia que aquele lugar não me era desconhecido! 
Principalmente quando aquele Mago de capuz se aproximou de mim, com seu misterioso cajado. Mas essa história, contarei outro dia... Enquanto isso sigo firme e serena, montando meu quebra-cabeças, caminhando com a Umbanda e encontrando, sem pressa e com muita alegria, as peças que ainda falta para completar a história da minha vida!

Por: Kelly Kaiser, médium da Casa