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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Um conto de Umbanda, por Exu Tiriri

Em um dia qualquer, um velho senhor caminhava por uma rua já deserta. 
Próximo a ele andavam dois senhores, donos dos caminhos: Ogum Megê e Tranca Rua das Almas. Em um cruzamento, aguardavam 70 obsessores que a mando de um antigo desafeto seu queriam destruí-lo.
Ao cruzar aquele caminho, os seres passam a vibrar os sentimentos que o mandante sentia em seu íntimo: raiva, rancor, ódio, inveja, cobiça - vibrando a mais pura maldade humana.
Mas o que eles não sabiam era que aquele senhor não era qualquer um: era um filho de Umbanda! 
Seus protetores, diferentes daqueles outros seres umbralinos que serviam as trevas, não estavam com ele por obrigação, a mando e muito menos porque se compraziam de seus hábitos. Também não o acompanhavam por uma troca, estavam ali porque esse ser vibrava amor e encontravam nele instrumento para que praticassem a caridade, o amor e a verdade, sob a luz dos divinos mestres da Umbanda.
Esse senhor, servidor do mundo espiritual, que há muito tempo exercia sua fé em uma casa humilde, pequena, com as paredes de madeira e chão batido, tinha uma roupa branca, que a muito já não o era, manchada na perna direita por um charuto desse mesmo companheiro que lhe trazia lembranças saudosas. A sua roupa poderia não ser branca, mas em seu íntimo o branco era vestido com o maior esmero e reluzia todas as cores imantadas pelos sete Orixás.
Voltemos a encruzilha, para que possamos acompanhar o desfecho da nossa história: ao se deparar com aqueles seres, o médium passa a sofrer as influências das nocivas vibrações. Seus protetores, por merecimento seu, passam a intervir por aquele amigo. Imediatamente, outros guias se apresentam a convite dos nossos companheiros já conhecidos. 
Ali passam a estar não somente seu Ogum Megê, mas toda uma falange de protetores: Seu Marabô, Seu Calunga, Seu Toquinho, Seu Tiriri, Seu Veludo e claro, as mestras da magia que ali estavam. Era uma infinidade de guias que carregam o sete em seu nome: Dona Sete Saias, Senhora Sete Encruzilhadas e outras tantas, como a Pomba Gira Menina, Dona Rosa Negra e Dona Rosa Caveira.
Absortos naqueles sentimentos os obsessores não percebem a presença destes seres de luz, que imediatamente recriam o ambiente em que se encontravam: seu protegido não era mais visto e seguia seu caminho como se nada tivesse acontecido. 
O local agora relembrava um antigo Castelo Medieval, extremamente suntuoso, com suas paredes forradas por tapetes pretos e vermelhos (que carregam bordados em si estranhos símbolos, o que em terra chamamos de ponto riscado e representavam cada uma das entidades ali presentes, evidenciando a importância do trabalho), a iluminação era por conta de antigos e gigantescos castiçais espalhados pelo salão.

As senhoras dançavam no centro do salão, com vestidos dos mais formosos tecidos existentes, e com isso, pareciam hipnotizar aqueles seres, que atônitos esqueciam seus propósitos e até mesmo os sentimentos que transmitiam.
Assim, as mestras da magia cumpriam com seu propósito: descarregavam aqueles seres dos seus sentimentos trevosos de ódio, rancor, tristeza, inveja e desta forma eles passavam a vibrar os sentimentos de desejo – sentimento esse, que embora ainda em sua forma mais primitiva, seria futuramente transmutado em desejos para a evolução na tenda espiritual que pertencessem. 
 A isso tudo assistia a Dona 7 Saias sentada em um trono mais ao canto do salão.
Os “Cumprades”, atentos a cada reação dos espíritos, aguardam o momento exato, que em êxtase, esses seres deixavam se entregar aos seus mistérios e então eram conduzidos e afastados com extrema facilidade e maestria. 
Essas atividades, que para esses senhores causavam um sentimento de profunda satisfação e até mesmo alegria , era acompanhada pelo senhor Tatá Caveira , que em outro trono permanecia sentado ao lado de sua companheira.
O que poderíamos chamar de um Rei e uma Rainha daquela local, no final do trabalho (entenda-se quando todos os 70 espíritos foram já resgatados e conduzidos pelos cumprades) levantam-se e, em um comando, são servidas bebidas e frutas a todos o trabalhadores.
Diversos tipos de whisky, marafos, morangos, ameixas, maçãs... 
Em outro comando, novamente o ambiente muda: agora, de volta a uma encruzilhada.
Dessa vez, porém, na encruza em que havia sido oferecido um ebó para que fosse cumprido o trabalho por aqueles seres das trevas. 
Dona 7 e seu Caveira aproximam-se daquele trabalho feito e, com um simples sopro deste, tudo está defeito. 
Passam a atuar outras forças a partir de então: a lei justa de Pai Xangô.
Retorno àquele primeiro senhor, que por não possuir merecimento para que o trabalho fosse efetivado, retorna a sua casa. Este homem não traz nenhuma percepção do majestoso trabalho que ocorreu na esquina de sua casa. Somente um sentimento de gratidão evidenciado este, quando ao passar por sua porta, saúda os amigos que o acompanharam: “Alupô Exú! Ogunhê meu Pai! Grato pelo proteção neste dia.

Exú Tiriri, um simples servidor da luz em meio às trevas.






Matheus Capra Ecker
Médium da Casa

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Sobre o uso do celular no Terreiro

Por Cândida Camini

Que o vício do uso do celular já se instalou de forma irreversível no cotidiano das pessoas já está mais do que comprovado.
Que o celular vem interferindo de forma extremamente invasiva nas relações, também já está estabelecido.
Que o tal de WathsApp já se tornou febre, nem é preciso comentar.
Agora, não tentem me convencer que isto é modernidade, que isto facilita a vida das pessoas, que isto, que aquilo, que aquilo outro.
Não, definitivamente não.
Sim, o avanço da tecnologia é inexorável e isto deveria servir para sim, facilitar a vida das pessoas.
Das pessoas que sabem utilizar a tecnologia, com bom senso, com educação e principalmente respeitando a liberdade do outro.
Infelizmente não é o que se vê por aí e por aqui.
Já faz algum tempo que proibimos o uso do celular dentro das dependências do Terreiro, inclusive distribuindo cartazes e explicando os motivos.
Nem se faria necessário explicar os motivos, a meu ver, mas enfim...
Pergunte a você mesmo, o que busca quando procura um Terreiro de Umbanda, uma Igreja, um Centro Espírita.
Posso ajudar? 
Você busca respostas, busca auxílio para suas dores, busca paz, busca energias salutares, busca contato com seus guias, com seus entes queridos já desencarnados, só para resumir.
No exato momento que você adentra as dependências do Terreiro, as energias já estão atuando. Seus guias, seus entes queridos desencarnados, já estão fazendo contato. Não é só no momento do passe, ou consulta, que isto acontece.
Imagine tudo isto acontecendo a sua volta e você ali, mostrando as fotos do churrasco do final de semana para a amiga ao lado, conversando banalidades no WhatsApp, atualizando seu status no Facebook para #partiupassecomapombagira e por aí vai.
Pior que isto ainda é me pedir a senha do Wi-Fi !!!
Não, definitivamente não!
Atender ou fazer ligações, nem pensar!
Infelizmente este é o comportamento atual das pessoas que utilizam, e mal, o celular no seu dia a dia.
Ok, você vai dizer que está exercendo seu livre-arbítrio, afinal, quem está deixando de ganhar é você.
Novamente, não!
As energias emanadas pelo aparelho celular bloqueiam as energias que emanam do Congá em benefício de todos que ali estão. Ou seja, não é só você que perde, ou deixa de ganhar.
Estou sendo meio intransigente? Ok, quem me conhece sabe que sou mesmo, principalmente quando se trata de disciplina.
Emmanuel já dizia ao seu pupilo Chico Xavier, quando este lhe perguntava o que era preciso para cumprir com sua missão espiritual:
Três coisas, respondia ele:

- Disciplina, disciplina, disciplina.