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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um Pouco sobre o Povo Cigano na Umbanda

Muito se ouve falar que a linha de Cigano faz parte da Linha de Exu, que os Ciganos são entidades ainda em evolução tentando ingressar na Linha de Exu, que Pombo Gira Cigana ou Ciganinha foram as únicas Entidades Ciganas que evoluíram e ingressaram na Linha de Exu.
Essa falta de entendimento que é na realidade uma simples dedução faz com que muitos terreiros não deixem os médiuns trabalharem com essa linha. Chegam a dizer que são entidades sem luz.
Vim tentar explicar um pouco como trabalha e como é a Linha de Ciganos.
Os Ciganos são Entidades "livres".
Cigano trabalha em todos os "lugares", são livres para trabalhar e precisam dessa liberdade para sua evolução, pois é dando corda que se enforca uma pessoa. E assim também se faz com desencarnado.
Não estou dizendo que não possa ter elementos de Ciganos dentro do Terreiro, até porque muitos médiuns precisam de um ponto de fixação para poder entrar em sintonia com seus guias.
Os Ciganos não trabalham a serviço de um Orixá específico por isso não são guardiões de um terreiro. Essa linha trabalha em paralelo e conjugada com as demais, onde o seu compromisso primeiro é com a caridade e não com nenhuma outra linha específica. Os Ciganos são protetores e não guardiões. Podem trabalhar dentro da linha de Exu, porém sem função de chefia e de guarda. Já os
Exus Ciganos e Pombo Giras Ciganas são exus e pombo giras como outros quaisquer exercendo todas as funções que qualquer exu e pombo gira exercem. Em resumo: cigano é uma coisa, exu cigano é outra. Eles têm funções diferentes, embora a mesma origem cigana.
Os Ciganos se manifestam nos terreiros de Umbanda, justamente por Ela ser uma religião aberta e dar liberdade para qualquer linha de trabalho que venha fazer Caridade.
Por serem muito alegres, os médiuns começaram a se fascinar, e ter excesso
de culto por essa Linha.
Aí começaram as vaidades, as roupas enfeitadas, firmezas, assentamentos, jogos em casa, e assim, infelizmente, muitos espíritos que ainda estavam em "desenvolvimento" para ingressar nessa Linha se perderam junto com os médiuns, e hoje podemos ver os absurdos que são feitos usando o nome de entidades de luz.
O mundo está cheio de charlatão, o pior, é que as pessoas na hora do desespero pagam o que for necessário para saber como anda sua vida, como anda seu marido, como anda seu trabalho e coisas desse tipo.
Não se pode pagar pelas graças recebidas, pois tudo o que fazemos é apenas mexer com a fé e a determinação de cada um e mostrar que todos são capazes de conseguir o que querem, claro, dentro do merecimento de cada um.
Basta saber que um pedacinho de papel, metal ou outro elemento foi irradiado por uma entidade, que vocês usam isso como um talismã e lembram-se de agradecer e acabam entrando em sintonia com Espíritos de Luz e assim lembram-se de suas metas e lutam por elas.
Os Ciganos trabalham com os quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo.

 O Elemento Terra 
 Eles distinguem cada pedra e têm o conhecimento sobre elas, e assim manipulam o elemento terra. Cada pedra tem um porquê de ser usada e uma necessidade. Quando é pedido para que passem a pedra em alguma parte do seu corpo ou para que a segurem, vocês estão se descarregando ou até mesmo se energizando, depende do trabalho que está sendo realizado. É na terra que se encontra firmeza para enfrentar a vida, resgatar carma e continuar o caminhar.
                                                                



                O Elemento Água 
Podem utilizar copos ou taças com água. Através da água conseguem ver se não há maldade no que esta sendo pedido. Enxergam se há pureza no coração de cada um, pois a água serve de espelho, espelho esse que reflete o que tem dentro de cada um de vocês.
Conseguem ver com clareza o que foi feito por cada um e o porquê de estarem colhendo o que não querem colher.


Os Elementos Ar e Fogo
 Podem utilizar o cigarro e com ele estar manipulando dois elementos, o ar e o fogo. O fogo muitas vezes é usado para queimar invejas, miasmas, larvas e cascões astrais.
A fumaça quando é direcionada ao consulente serve para envolvê-lo numa cortina para que naquele momento os obsessores sejam confundidos e tenham a visão nublada e fiquem desorientados, procurando o consulente. Assim torna-se mais fácil ao sistema de defesa da Casa (através dos guardiões) resgatá-los e afastá-los.

Não tenham excesso de culto por nenhuma entidade. Isso prejudica vocês e nós, gerando fascinação de ambos os lados.
Tudo em excesso pode ser destruidor.
Se há amor em excesso, há ciúmes e possessão,
Se há ódio, há morte,
Se há fascinação, há vaidade,
Se há alegria em excesso, há inveja,
Se há tristeza em excesso, há depressão,
Se há culto em excesso, há fanatismo.
É preciso que tudo na vida esteja bem equilibrado, e o equilíbrio tem um nome que se chama Umbanda. Umbanda é a paz interior, é fazer caridade ao desconhecido, é o amor pela vida e pelo o próximo. Umbanda é luz, vida e amor.
(baseado em texto psicografado pela médium ElizabethCaetano Drumond, de autoria da Pomba Gira Cigana da Estrada, em 08/08/2008 e publicado no Jornal Nacional da Umbanda, edição n° 7, de fev/2011)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mediunidade e preconceito vamos mudar isso?

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br

Depois de assistir o filme "Além da Vida" dirigido pelo veterano Clint Eastwood, fiquei pensando por qual motivo as pessoas vêem a mediunidade com tanto preconceito. Inclusive, os próprios médiuns.

Constantemente recebo pessoas para realizar uma sessão de regressão a vidas passadas e elas dizem serem médiuns, mas de alguma forma bloquearam sua percepção sutil, ou porque não encontraram um lugar adequado para desenvolver o dom e não persistiram na busca, ou ainda porque têm medo do que podem ver e com isso sentem a vida travada, sabem que deveriam estar vivendo outras coisas.

Talvez falte coragem, quem sabe persistência, ou talvez uma forma correta de enfrentar o desconhecido, porque tenho que concordar que a princípio ver, ou sentir coisas que as outras pessoas não vêem e não sentem não é nada fácil. Muitas vezes os pais, a família, tiram da criança ainda pequena aquela espontaneidade natural, pois o diálogo, o amor, a aceitação e o saber ouvir são fundamentais para começar a tratar do assunto. E é claro ainda que existem casos clínicos envolvendo a mediunidade, o que perturba a vida de muita gente.

Posso afirmar, no entanto, que apesar de difícil, o tratamento é fundamental. No nosso país, existem milhares de centros espíritas e grupos espiritualistas, porém, nem sempre as pessoas estão abertas ou dispostas a mudar suas vidas. E, em se tratando de realizar contatos espirituais, a vida nunca será a mesma, pois há uma expansão de consciência que obriga os envolvidos a verem a vida de maneira diferente.
Infelizmente, o tabu é tão natural que mesmo pessoas sensíveis, com uma mediunidade controlada, têm medo de usar a própria intuição e se fixam nas regras, tentam se aplicar nos trabalhos tradicionais para ter maior segurança, enfim, se escondem em normas para se sentirem seguras. E será que elas estão erradas?

Acho que não, pois cada um de nós tem sua forma de lidar com os desafios e a mediunidade muitas vezes é mesmo um desafio, sendo que muitos casos mediúnicos são bem problemáticos, cercados de perturbações, medos, obsessores, mas se tratados corretamente podem ser solucionados, transformados, libertando os envolvidos.

Precisamos extrair o drama dessas situações, tirar o medo do desconhecido e ver as coisas como elas de fato são. O mal e a perturbação antes de estarem no outro estão em nós mesmos, em nossas idéias, na maneira pela qual vemos o mundo e na reduzida importância que damos à emoção, pois ela é a porta de entrada da percepção mediúnica. Quantos e quantos casos de síndrome do pânico, por exemplo, ocorrem com pessoas mediúnicas que não sabem lidar com aquilo que sentem? Quantas noites mal-dormidas poderiam ser evitadas se as pessoas envolvidas trabalhassem o sentimento de perdão, compreendendo que se estão envolvidas nessa perturbação, de fato têm alguma ligação com o assunto?

Precisamos dar um passo além do preconceito e aprender a lidar com todas as faculdades que Deus nos deu. E para isso precisamos estudar mais, amar mais, evoluir em nossas crenças, acessar novos conhecimentos e técnicas, fazer cursos, ajudar os outros e tentar dialogar com as emoções.

Negar o mundo oculto não soluciona o caso e também não faz desaparecer os sintomas. A morte e o desconhecido fazem parte da realidade humana, e as emoções e sentimentos são os canais de ligação entre espírito e matéria, aceitemos ou não. Pessoalmente acho melhor tratar de desenvolver o dom da mediunidade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A utilização de tambores em rituais religiosos

Olá, pessoal.

Em breve estaremos fazendo uso de um tambor em nossas sessões. Aliás, já utilizamos pontos acompanhados do toque do tambor, porém em CD. A diferença é que agora será ao vivo, elevando e muito a vibração em nossos trabalhos.
Muitas pessoas acham que na Umbanda não se usa tambor. Que tambor é coisa do candomblé, na Nação, ou Umbanda Cruzada. Então, envio abaixo um texto explicativo. Espero que gostem.

Cândida
Casa Pai Joaquim de Cambinda


A utilização de tambores em rituais religiosos induzindo ao transe mediúnico(Texto adaptado de uma matéria da Revista Espiritual de Umbanda)

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem.
Os primeiros foram criados e manuseados ainda na Pré História, com o objetivo de cultuar Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais.
Milênios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura de cada povo. Imagens, cerimônias, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade.
O toque do tambor revela a arte de conectar–se com a Mãe Terra e com nosso eu interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza.
Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contato com os espíritos dos mortos.

Utilização dos Atabaques na Umbanda
Não se utilizavam de atabaques inicialmente. Se voltarmos aos idos de quando a Umbanda foi anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, não havia a utilização de tambores, apenas cânticos. O ritmo era mantido com o bater compassado dos pés no chão.
Atualmente, a explicação para muitos templos manterem essa formação sem tambores nos rituais de Umbanda é a de que os atabaques e o seu som percutido levam o médium a um processo de transe anímico, ou seja, estimula o atavismo, a lembrança ancestral, o afloramento do subconsciente do médium, o que pode dificultar a atuação das Entidades Espirituais. Até mesmo as palmas, em muitos locais são dispensadas.
Discordamos desta opinião se ela serve para excluir definitivamente os atabaques.
Um aspecto que deve ser considerado é que na época do Caboclo das Sete Encruzilhadas os cultos afros e a Umbanda eram perseguidos pela polícia e o rufar dos tambores denunciava os locais de culto. Seria loucura, neste contexto de repressão, se usar tambores na Umbanda e o Caboclo sabiamente não se utilizou, mas que se tenha registro nunca criticou quem se utiliza como não sendo Umbanda ou um tipo de animismo sórdido como alguns querem fazer parecer.
Além do que se o Caboclo das Sete Encruzilhadas escolheu a forma de apresentação de um indígena para se manifestar através da mediunidade, se fosse contra a sonoridade dos tambores seria um contra-senso, pois contrariaria a cultura religiosa milenar dos índios, ele mesmo tendo sua última encarnação como silvícola em solo brasileiro."

Pensamos o contrário dos que refutam os tambores. Em nossa vivência de anos, usados com equilíbrio e bom senso, manter-se a formação com tambores nos rituais de Umbanda usufruindo da magia dos  atabaques e dos seus sons percutidos levam os médiuns a um processo de transe mediúnico, ou seja, estimulando o atavismo, a lembrança ancestral anímica, o afloramento do subconsciente do médium facilita a atuação das Entidades Espirituais pelo mediunismo em seus psiquismos sensibilizados pelos toques para o transe ou possessão ritual. Assim, impossível separar animismo de mediunismo. Quando termina um e inicia o outro?
Muitos são os atabaques utilizados nos templos de Umbanda por este enorme Brasil e servem como ponto de ligação e louvação aos Orixás e Guias de Umbanda. Dão ritmo aos cânticos e criam fortes vibrações para a chamada e descida das Entidades que estarão ali trabalhando. Da mesma forma, são utilizados no acompanhamento rítmico das cantigas de ”subida“, ao termino das sessões.
Após a anunciação da Umbanda, a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade e todas as outras determinadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, houve um período em que alguns líderes religiosos e intelectuais foram a África no intuito de pesquisar as origens da ancestralidade africana da Umbanda, em contraponto à vertente  que identificava as suas origens unicamente em antigas culturas orientais, excluindo e desconsiderando outras influências na formação umbandista. Assim, trouxeram para a Umbanda práticas utilizadas também em cultos originários da África, como o toque dos atabaques.

Os Tambores Xamânicos
Os tambores xamânicos existem há pelo menos 40 mil anos em todas as culturas tradicionais do planeta. Está associado ao elemento Terra e com a qualidade da Cura. É utilizado para produzir diversos tipos de ritmos com finalidades diferenciadas, desde a música para a celebração e a dança até o toque constante, que leva ao transe profundo.
Muitos Xamãs usam seu tambor para realizar diversos tipos de cura, como o resgate de uma alma perdida ou sair viajando por outras dimensões do ser em busca de visões e conhecimento.

O som do tambor facilita a conexão de qualquer pessoa com o seu mundo interior e com todos os ritmos de seu corpo, produzindo um estado de relaxamento, de equilíbrio e ampliação de consciência, proporcionando assim uma conexão e harmonização com os ritmos planetários e cósmicos.
Para os que praticam os Rituais Xamânicos – religião oriunda de povos asiáticos e árticos, pratica filosófica e de cura encontrada no mundo todo, as batidas do tambor são como as batidas do coração da Mãe Terra.
O tambor representa a própria cultura xamânica, unificando–a e aproximando as comunidades. Costuma ser utilizado em diferentes ocasiões, como casamentos e funerais, e em todas as reuniões dos povos nativos, criando uma aura energética que possibilita a conexão com o Mundo Espiritual. Também são utilizados por curandeiros, em rituais de cura.