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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Anjo da Misericórdia

O texto é um pouco longo, mas vale à pena reservar alguns minutos neste dia de Natal, para ler e refletir sobre o  que Ele nos deixou:


" Na tarde trágica e tormentosa do Calvário, quando Jesus se encontrava estiolado pelas ulcerações dos cravos e dos espinhos implantados na Sua carnes, ocorreu um inesperado acontecimento, que as testemunhas do lutuoso fato não puderam perceber, por transcorrer além das fronteiras objetivas da matéria. 
As vozes ululantes da Natureza dominavam a paisagem lúgubre, e os homens, atormentados, pareciam vencidos pelas cruéis expressões do primitivismo animal, em total alucinação diante do Justo crucificado.
Nos momentos finais do horrendo espetáculo, 3 vultos luminosos, reverentes, se acercaram do madeiro da agonia e um deles, jovem mulher iluminada, qual se fosse uma tocha de crepitante flama, após contemplar a face do Mestre, falou, comovida:  
- Senhor, venho oferecer-Te o testemunho do meu fracasso na tarefa em que fui investida. "Segui-Te os passos por toda a parte e procurei guarida nos corações que foram atraídos pela Tua palavra consoladora. 
" Levantei ânimos, impulsionei sentimentos desavisados à razão e convoquei servidores ao trabalho da fraternidade... 
" Não obstante, estive contigo no momento da defecção de Simão Pedro, quando Te negou conhecer, o que fez por três vezes consecutivas, expulsando-me dos seus sentimentos, nos quais estive agasalhada por largos meses. 
" Desiludida dos homens, venho rogar-Te licença para seguir, ao Teu lado, na direção dos Cimos Esplendorosos da Vida. 
" Tu sabes, eu sou a FÉ!... " 
O Mestre, em agonia, fitou-a, compungido, e sem dizer qualquer palavra, através da cortina de lágrimas sanguinolentas que lhe nublavam a claridade visual, olhou a segunda personagem, que também mais se acercou do instrumento da arbitrária punição e elucidou:  
- Vivi todas as Tuas instruções e procurei remodelar os campos moral e emocional dos homens que Te seguiram. 
" Vi muitos deles, que estavam a borda do desespero e da loucura, mas, graças à Tua palavra de libertação, fi-los esperar por melhores dias confiando nos retos deveres em favor de perspectivas futuras abençoadas. 
" Aqueles outros que se lamentavam sob o luto da saudade e o peso das agonias, consegui soerguer o ânimo e encorajá-los para a luta sem quartel do progresso. 
" Em todo o lugar, encontrei oportunidade de serviço e de ação edificante, que soube aproveitar... 
" Apesar disso, estava seguindo Judas e tentando convocá-lo à lucidez, arrependido como se apresentava, após a infame traição... Percebendo-lhe os pensamentos infelizes e o desespero envolvi-o em ternura chamando-o à ordem dizendo-lhe que sempre há oportunidade para quem deseja regenerar-se... 
" Ele, todavia preferiu o enforcamento covarde numa figueira brava... Ainda retenho na memória a visão do seu corpo oscilante na corda vigorosa em que ceifou a vida carnal... 
" Porque fracassei entre as criaturas venho rogar-Te permissão para acompanhar-Te ao solio do Altíssimo, abandonando a Terra... 
" Conforme Te recordas, eu sou a ESPERANÇA!..." 
Jesus estorcegou nas traves grosseiras, enquanto a moe humana, infrene e enlouquecida, agitava-se no acume do ensombrado morro da Caveira.  
E porque Ele tentasse ouvir, já nas últimas contorções do corpo exangue, a terceira visitante uniu-se às duas primeiras e, ainda luminosa, expôs: 
- Por onde o Teu olhar passeou ternura e amor, eu procurei alojamento e serviço. 
" Através das Tuas mãos, abri bocas sem melodia à música da palavra; descerrei ouvidos moucos aos sons da Natureza; conduzi pernas e corpos mortos ao movimento; tomei as doenças dominadoras e consegui mudá-las das pessoas que as padeciam... 
" Jamais vacilei em ajudar, gerando simpatia, sustentando a FÉ e motivando a ESPERANÇA. 
" As multidões esfaimadas, por meu intermédio e sob as Tuas ordens, receberam pães e peixes, o mesmo ocorrendo com a água em Caná, quando eu lhe facultei especial sabor na festa das bodas felizes... 
" Mesmo assim em face do abandono a que todos Te relegaram, e porque acabo de presenciar o legionário Longinus, no cúmulo da frieza moral de que é portador e sem qualquer compaixão lancetar-Te o peito, para apressar-Te a morte, não suporto mais tanta ingratidão. 
" Recorro, deste modo, à Tua aquiescência para sair do mundo e voar na direcção das estrelas, para onde seguirás... 
" Bem recordas, eu sou a CARIDADE!... "  
Em face do silêncio pesado, que se fez natural, naquela esfera transcendental, o Mestre, para surpresa geral, na noite que havia tombado sobre a tarde cruel, suplicou: 
- Perdoa-os (aos homens), meu Pai, porque eles não sabem o que fazem! 
Houve uma estranha movimentação no povo e nos milicianos, que não sabiam o que se passava. Naquele instante, porém, rasgou-se nas sombras espessas uma estrada luminosa e um ser, de esplêndida beleza, aproximou-se do Crucificado, e, respeitoso, falou, emocionado: - Eu sou o Anjo da MISERICÓRDIA, enviado pelo Pai, que Te atende o apelo. 
" Dize, Senhor, o que desejas de mim pois que eu o farei." 
Com a voz inaudível para os ouvidos humanos, no entanto, inteligível para o emissário de Deus, Jesus determinou, comovido: 
- Fica no mundo, levando contigo a FÉ, a ESPERANÇA e a CARIDADE, em meu nome, para que os homens, que me conheçam ou não, possam ter minoradas as suas dores e penas, evitando, quanto possível, as desventuras, sob o pálio do meu Amor. 
" Que permaneçam sem cansaço, nem desânimo até à consomação dos séculos, como luzes acesas apontando rumos felizes! " 
Automaticamente, as três Entidades - Virtudes abraçaram o Anjo da MISERICÓRDIA e partiram, para recolher, de início, o espírito Judas, em perturbação, prosseguindo na direção de Pedro, a fim de que este não enlouquecesse de remorso, de imediato colocando nos olhos apagados de Longinus a claridade da visão... 
Foi então, que Jesus inteiriçou-se na cruz e bradou: 
- Pai, nas Tuas Mãos entrego o meu espírito. Tudo está consumado!  
A partir daquela hora, quando as dores atingem o máximo de intensidade nos corações humanos; quando a hidra da guerra ceifa milhões de vidas indefesas; quando a amargura domina,esmagando os sentimentos; quando a vida parece sucumbir e todos os acontecimentos se apresentam com funestas perspectivas, o Anjo da MISERICÓRDIA envolve as criaturas, deixando aqui e ali, neste e naquele coração a chama da FÉ que reanima, ou a pulsação da ESPERANÇA que renova e encoraja, ou as mãos sublimes da CARIDADE, que sustenta e liberta, em nome do AMOR infinito do CRISTO, que não cessa jamais. "
Fonte: Livro “Pelos Caminhos de Jesus”
Autor Espiritual: Amélia Rodrigues
Psicografado por: Dival P.Franco

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