AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS). Para maiores informações, contate-nos via e-mail.




domingo, 29 de julho de 2012

Relacionamentos - Problema ou Solução? - por Cândida Camini

Quem já leu aqui no Blog a nossa história, sabe que antes de chegarmos até aqui, com 47 médiuns ativos na corrente e cerca de 80 pessoas atendidas por Sessão pública, nós atendíamos na sala de nosso apartamento e o máximo que era necessário administrar era a agenda semanal do Pai Joaquim.
Na época, ouvi da Preta Velha Maria Redonda, companheira do Pai Joaquim na espiritualidade, que uma das minhas principais atribuições na nova casa, seria a de administrar conflitos.
Bem, ela não me disse na época, talvez para não aumentar minha ansiedade, que muitas vezes eu seria a causadora destes conflitos.
Pela minha mania de perfeição e organização, pela minha dificuldade em me relacionar com o outro, pela minha intransigência com as limitações alheias, enfim....
Acho que se ela tivesse me falado tudo isso antes, talvez eu não estivesse aqui hoje. Obrigada, Dona Redonda, por ter omitido esta parte.
Então, a dificuldade de relacionamento entre tantas pessoas diferentes, com suas manias, seus egos inflados, suas idéias próprias, seus temperamentos irascíveis, muitas vezes (aonde eu me incluo, claro), seria um problema, ou uma solução?
Confesso que de início achei que era um problema, na verdade um grande problema.
Aos poucos fui percebendo que, para aqueles que estão dispostos a exercitar a humildade e a mudar em prol do bem comum, é uma solução.
Afinal, quem não se relaciona com os diferentes, não aprende nada. Não aprende sobre o outro e muito menos sobre si próprio.
Dói quando percebemos no outro um espelho, onde começamos a identificar nossas imperfeições.
Dói, quando começamos a descobrir em nós mesmos, tudo o que criticamos no nosso irmão.
É um processo lento e gradual e só consegue quem se expõe, quem não tem vergonha de reconhecer o erro e de pedir perdão.
Mas o que mais dói, ainda, é quando todo o esforço feito não é percebido e/ou compreendido.
Quando as críticas são veladas e não construtivas.
Mais uma dificuldade, outro aprendizado. Vencer o orgulho, praticar o desapego, porque alguns irão embora e outros virão.


A Umbanda é assim, não tem um código único. Acolhe a todos igualmente e, como o sol, não escolhe prá quem irá brilhar.
Aceita qualquer prática que tenha por fim a caridade pura e desinteressada.
Não é uma religião purista.
" Não escolhe os preparados; prepara os escolhidos. "
Talvez por isso muitos jovens hoje se encontram trabalhando nos Terreiros de Umbanda.
Porque a Umbanda não secciona, ou não deveria, pelo menos.
Então, temos ingressando na corrente mediúnica da casa, inúmeros jovens que chegam maravilhados com os fenômenos mediúnicos, ansiosos por também fazerem parte desta magia.
Aliado a isso, vem o estudo, o aprendizado, o preparo.
Teoria e prática andam juntas. 
Passado este momento de êxtase, alguns se vão, pois não estão dispostos ao aprendizado, ao compromisso.
Vêm talvez em busca de auxílio para seus próprios problemas, mas não estão interessados nos problemas daqueles que aqui vem para tomar um passe ou um aconselhamento.
O que gratifica, é que muitos se esforçam na reforma íntima e a cada trabalho vão vencendo seus limites.
É comum que aquele mais velho, mais experiente, tenha dificuldade em aceitar o jovem com sua impulsividade, sua urgência em conhecer e receber seus protetores, sua pressa em encher o pescoço de guias. 
É preciso paciência e orientação. Aos poucos, vão percebendo como as coisas funcionam e se ajustando.
Quem não se ajusta, se afasta, naturalmente.
Não é preciso o constrangimento de ter que afastar alguém da Casa. 
A direção espiritual se encarrega disto.
Enquanto aquele irmão mais rebelde, menos disciplinado, fizer parte do grupo, alguém vai aprender alguma coisa com ele.
Conviver é sinônimo de sabedoria e um exercício de amor ao próximo e a si mesmo.
Aprendi tudo isto com Pai Joaquim de Cambinda, meu Mestre, que eu amo e respeito, mais que tudo. 
Quanta paciência comigo, meu Velho! 
O mais difícil está sendo conciliar a disciplina com a caridade, mas tenho me esforçado e acho que estou conseguindo um pouquinho.


Tem uma frase, desconheço o autor, que me guia neste sentido:


Usar a disciplina e a caridade com o cuidado para que a disciplina não atropele a caridade nem a caridade amoleça a disciplina. "


Nisto, conto com o auxílio de alguns protetores, a quem amo e só tenho a agradecer, também:
Minha Mãe Iansã
Minha adorada Preta Nina
Minha determinada Cabocla Jurema
E Pai Benedito, encarregado de toda a administração dos trabalhos nesta Casa.
Salve a Umbanda e todos os seus guias!
Salve Pai Joaquim de Cambinda!



domingo, 22 de julho de 2012

Quando o coração fala [2]

Soninha Correa foi a idealizadora deste Blog. 
Acostumada a receber meus e-mails com textos de auto-ajuda, reforma íntima e sobre a Umbanda, nos deu este presente e me ensinou a utilizá-lo, com o objetivo de que cada vez mais pessoas pudessem ter acesso a estas informações, ensinamentos, dicas, ou seja qual for o nome que podemos dar a eles. 
A idéia é levar para além das fronteiras da Casa Pai Joaquim de Cambinda, que já nem tem mais fronteiras, tudo aquilo que aqui aprendemos e praticamos.
Estimulada pelo depoimento de um médium de nossa casa (publicado em http://casapaijoaquimdecambinda.blogspot.com.br/2012/07/quando-o-coracao-fala.html), enviou-me também o seu, que transcrevo a seguir.
Obrigada, amiga, pelo seu carinho e que nossa Mãe Iansã te abençoe e proteja, sempre!


Lendo os depoimentos no blog, me senti incentivada a fazer o meu. Não tenho nenhuma história extraordinária para contar, mas, as poucas coisas que tenho a dizer, são valiosas para minha vida e, por certo, para mostrar às pessoas a importância do que encontrei na Casa do Pai Joaquim de Cambinda.

Em meados de 2010 eu estava vivendo uma das piores fases da minha vida. Eu que achava que tinha uma vida estável, uma família constituída, de repente comecei a ver o meu mundo ruir. Primeiro foi minha filha que rompeu relações com meu ex-marido e saiu de casa. Logo em seguida, o filho dele, que também morava conosco, virou-se contra nós e foi morar com a mãe. Restamos o casal, a cada dia com mais desavenças, a troco de nada.

Eu assistia as brigas acontecendo sem motivos aparentes. Do nada, começávamos a brigar e a situação ia ficando cada vez mais insustentável. Eu não queria ver meu casamento desmoronar. Ao mesmo tempo em que eu me dizia ateia, percebia que não era normal, não era do curso natural das coisas o que vinha acontecendo.

Foi então que, mesmo descrente de tudo, passei a buscar ajuda, sem saber muito bem o que buscava. Estive em templos católicos e evangélicos. Participei de diversas reuniões em centros espíritas e fiz tratamentos de desobsessão. Consultei cartas e búzios de candomblé e batuque. Nada acalmava meu coração e o meu casamento seguia ladeira abaixo.

Num dia, conversando com minha massoterapeuta, ela me falou de uma casa de umbanda que ela havia conhecido. Me disse ser um lugar muito bonito, onde havia caridade pura. E me chamou para irmos lá no sábado seguinte. Ela mesma ligou e marcou consulta pra mim.

Confesso que de início, imaginei que o único objetivo da minha amiga era obter carona para ir ao local, já que era muito longe. Mesmo assim, totalmente descrente, aceitei.

Cheguei na casa toda desconfiada e olhava tudo com receio. Entretanto, no momento que fui chamada e entrei para ser atendida, foi como se um banho de luz e paz tivesse caído sobre mim. Eu não sei explicar, pois minhas lágrimas rolavam incessantes como quem está desesperada e ao mesmo tempo, meu coração sentia-se leve, calmo, apaziguado.

Fui atendida pelo pai Ogum. Contei o que estava me acontecendo e ele me indicou algumas orações. E me disse que eu levasse o meu marido comigo até a casa, na semana seguinte. Eu lhe respondi que isso era impossível, pois ele não aceitaria de jeito nenhum. O Ogum me disse o seguinte: “deixe-me trabalhar de hoje até segunda-feira. Não diga nada a ele até lá. Na segunda-feira pela manhã, convide-o a vir aqui e ele vai aceitar”.

Achei uma grande bobagem, mas segui a orientação. Na manhã de segunda-feira, durante o café da manhã, falei a ele que eu havia ido numa casa de umbanda e que queria que ele fosse lá comigo no sábado seguinte. Eu esperava mais uma reação agressiva dele ao falar isso. Para minha surpresa, ele calmamente me disse que eu marcasse a consulta para ele.

Fiquei abismada. Marquei a consulta no mesmo dia. Entretanto, no sábado seguinte, na hora de irmos para a casa ele começou a criar subterfúgios para não ir. Começou a mexer no carro. Resolveu ir até a mãe dele e quando já estávamos em cima da hora, teve um surto de agressividade. Ainda assim, pegou o carro e nos dirigimos para a casa. Nunca senti tanto medo no trânsito, pois ele dirigia feito um louco. Tenho certeza que só não sofremos um acidente neste dia, por conta da força de nossos amigos espirituais que nos conduziram sãos e salvos até a casa.

Chegando lá ele foi atendido pelo pai Ogum, mas eu não sei como se desenrolou a conversa, pois fiquei de longe, para evitar qualquer constrangimento.

A bem da verdade é que pouco tempo depois nos separamos. Sofri muito, mas foi na Casa do Pai Joaquim de Cambinda é que eu encontrei o conforto para as minhas angústias. Passei a frequentar a casa e a cada dia me sentia melhor. Percebia que ali era o meu porto seguro, onde encontrei amor, paz, compreensão, receptividade.

Incomodei um bocado a Cândida com minhas perguntas, querendo entender melhor a religião. Passei a ler, a buscar conhecimento. E eu que até então me julgava ateia, passei a ter provas, quase que diariamente, da existência de forças superiores.

Algum tempo depois acabei me mudando para Brasília, mas sem perder o contato com este lugar iluminado. Sempre que vou a Porto Alegre, trato de ir buscar reconstituir minhas energias junto do nosso amado preto velho.

Nas minhas últimas idas, recebi presentes incríveis, como a presença junto de mim da minha mãe Iansã. Agora, o maior presente de todos foi o convite feito diretamente pelo Pai Joaquim para que eu fizesse parte da corrente da casa, quando estivesse por Porto Alegre. Fiquei lisonjeada, orgulhosa e feliz com o convite, pois entendi que para ajudar na caridade, não preciso necessariamente estar todos os dias na casa.

Ainda estou aprendendo e quero aprender muito mais. Entretanto, uma coisa eu aprendi e tenho certeza desde o primeiro dia que cheguei na Casa: ali é um lugar de muita luz, muita bondade, muita caridade e paz, como é a umbanda. "


terça-feira, 17 de julho de 2012

Mensagem de Dona Maria Mulambo

Talvez eu devesse pedir licença, não sei bem, pouca prática tenho destes escritos, mas como o canal está aberto eu vou escrevendo.

Dizem que vim de longe, dizem tantas coisas, que sou isso e aquilo, tantas conjecturas, uns me acham o máximo, outros se apavoram ao ouvir meu nome, a maioria só gosta de mim enquanto acham que eu posso beneficiá-los em seus pedidos tão terrenos, tão materialistas.

Tão raro é ver um gesto de carinho, tão raro alguém querer saber como proceder dignamente, tão raro alguém se lembrar de mim como amiga, tão raro alguém querer conhecer a verdade em relação à espiritualidade, tão raro.

Ah! Mas cobrar cobram, portam-se tão mal, mas cobram, querem caminhos abertos, mas esquecem-se das leis básicas, esquecem-se que nesta vida ou na outra colhe-se aquilo que se planta.

Em relação ao amor, cismam e pronto, não querem saber do outro lado da moeda, esquecem-se que devem respeitar os sentimentos da outra pessoa, esquecem-se que cada um tem uma missão, que todos tem livre arbítrio.

Às vezes cismam com vinganças mesquinhas, na maioria das vezes nem razão têm, mas eles não querem saber, só enxergam o seu próprio orgulho, só enxergam o seu lado da questão, esquecem-se inclusive que as vezes certas rivalidades vêm do passado bem distante, e que persistir é não só atrasar a caminhada como também atirar-se em um abismo acordando velhos instintos e com eles antigos inimigos espirituais.

Bem poucos estão interessados em ouvir algo que possa ir contra os seus interesses momentâneos, poucos querem saber a verdade sobre qualquer coisa, muito menos sobre a doutrina religiosa que decidiram seguir, mesmo porque eles não a vêm como religião, mas sim como meio de alcançar as suas metas.

Então alguém me diz: por que deixa que falem tantas coisas, não desmente, apenas dá uma gostosa gargalhada. E eu respondo: Porque eles não estão interessados, eles querem dizer coisas horríveis, mentiras, estórias mirabolantes, só para que eu possa parecer poderosa, para satisfação de seus egos, principalmente dos médiuns que me incorporam.

Então eu espero. Devagar, em um ou outro templo começa a surgir uma luz, alguém se interessa, alguém procura estudar, alguém lembra que acima de tudo está DEUS e suas leis imutáveis, nesta ou em qualquer outra religião.

E graças a estes que começam a despertar para a verdade, eu e outros começamos a receber um pouco de respeito, eu e outros temos a chance de trabalhar para a Luz, sem ter que camuflar uma imagem que não é a nossa, só para sermos aceitos pelos nossos médiuns e termos a chance de evoluir este mesmo médium, mas hoje eu só gostaria de deixar bem claro que Exu e Pomba-Gira de Umbanda, nada mais são do que guerreiros da Luz nas Trevas. Sim, trabalhamos nas Trevas para a Luz, por opção nossa decidimos evoluir desta forma, opção nossa sim pois a todos nós foi dada a opção de escolha do trabalho a ser realizado. Como também poderíamos ter aceitado a opção de reencarnação, para evoluir através dela.

Temos ciência também que a qualquer momento se decidirmos reencarnar, poderemos pedir isto para a Lei que irá direcionar o nosso pedido e verificar quando e como poderemos fazê-lo.

Bem, para quem nunca usou este meio de comunicação já falei demais, mas um dia quem sabe possa vir e contar minha história que garanto não será as estórias que ouvem.

Deixo o meu agradecimento a este cavalo que psicografa e só peço a todos que lerem esta mensagem que ao menos reflitam sobre o que aqui foi exposto, tentem estudar, ganhem conhecimento e lembrem-se que seja qual for o conhecimento que chegar até vocês ele deve passar pelo crivo da lei da razão, não se tornem radicais, pois nenhum conhecimento está totalmente contido em um só lugar, ele sempre é dado aos poucos e um vai completando o outro.

Lembrem-se que a pior fé é a fé cega, a fé verdadeira é sempre baseada no amor.

Agora eu me vou, uma gostosa gargalhada para quem quiser assim, e um forte abraço para quem quiser me conhecer.

(ditado por Maria Mulambo, psicografado por Luconi)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dois lados de uma mesma moeda

Era uma noite muito fria, poucas pessoas aguardavam o início dos trabalhos.
Lembro daquela moça entrando devagar, olhar assustado, um tanto trêmula, amparada pelo marido.
"Ela é médium", disse-me ele e precisa de ajuda.
"Como é que tu sabes que ela é médium?" eu perguntei.
E ele, parecendo ter sido pego de surpresa, limitou-se a sacudir os ombros e, percebendo que eu não ia desistir de ouvir a resposta, disse: - " Meu vizinho, que me indicou esta casa, nos disse que os sintomas que ela apresenta são de mediunidade descontrolada e que aqui nós teríamos todas as respostas. "
" E que sintomas são estes?" eu perguntei novamente.
Ao que ele me respondeu quase num sussurro: - " Ela ouve vozes, vê vultos, fala coisas sem sentido e às vezes parece que não é ela que está ali, falando. Eu não acredito nestas coisas, a senhora sabe como é, mas meu vizinho insistiu tanto, que resolvi trazê-la."
" E a senhora, o que acha disto? " dirigi-me à esposa, que cada vez se encolhia mais na cadeira.
Ela só sacudia a cabeça de um lado para o outro, como se não desejasse estar ali.
Deixei-os à vontade, pois os trabalhos já iam começar.
Mal iniciaram os pontos, a moça começou a tremer e já não podia mais ficar sentada.
Muito assustada, ela não parava de repetir: "Tira isto de mim, quero ir embora daqui."
Meia hora depois e tendo já alguns espíritos sido encaminhados através dela, manifestou-se um Preto Velho, dizendo-se protetor da moça e que ela estava ali porque ele a tinha trazido.
Para resumir a história, esta moça foi convidada a participar da reunião de estudos e desenvolvimento mediúnico de nossa casa, de forma a entender 'estas coisas' que estavam acontecendo com ela e aprender a lidar com sua sensibilidade mediúnica.
" Mas eu terei que trabalhar na casa? " perguntou ela, preocupada já com os compromissos que teria que assumir caso a resposta fosse afirmativa.
Ao ser informada que a decisão seria única e exclusivamente dela, aceitou o convite e passou a frequentar as reuniões.
A cada encontro, mais e mais espíritos eram encaminhados através de sua mediunidade. E ela continuava assustada, querendo fugir daqui, mas ao mesmo tempo sabia que não tinha muita escolha. Precisava entender o que era 'aquilo'.
Após algum tempo as manifestações foram sendo harmonizadas e ela já conseguia compreender que não estava aqui por acaso.


Começou a receber seus protetores e aprendeu a diferenciar as energias de um e outro.
Ficou impressionada com a firmeza de Ogum e a doçura de Oxum.
Apaixonou-se pela doçura dos Pretos Velhos e a peraltice das Crianças.
Embora assustada no início, aprendeu a respeitar o trabalho do Povo da Rua.
E assim, pouco a pouco, foi compreendendo e amando esta sua missão na Umbanda.


Outro caso que começou mais ou menos como este que relatei acima, teve um final diferente.
A moça foi trazida pelo namorado, pois segundo ele ela simplesmente apagava em qualquer hora ou lugar. Demorava a voltar a si e muitas vezes quando voltava, chorava muito, dizia coisas tipo "vou acabar com ela", "desta vez ela não me escapa", e por aí vai.
Depois de alguns atendimentos e explicações sobre o que estava acontecendo, o casal não mais procurou a nossa casa.
Soubemos através da mãe do rapaz que a moça continuava do mesmo jeito. Os dois ficavam horas trancados no quarto, a moça dando passagem aos mais diversos tipos de espíritos e o rapaz 'resolvendo tudo', como ele mesmo dizia. Não precisava da ajuda de ninguém, pois só ele poderia auxiliá-la.
Passado mais algum tempo, fomos informados que a moça tinha sido internada pela família em uma clínica, para tratamento dos nervos e, ao sair da mesma, estavam todos frequentando uma Igreja Evangélica e seguindo seu caminho.
Não tivemos mais notícia, mas esperamos com fé em Deus que tenham encontrado a paz.


O texto nos faz refletir sobre nossas escolhas. Cada um seguindo o caminho que lhe parece melhor. Mas como saber qual o caminho a seguir? 
Se tenho sintomas bastante ostensivos de mediunidade, devo entrar para a corrente mediúnica de uma casa espiritualista e exercê-la para a prática da caridade?
Será esta a minha missão?


Nós costumamos orientar os que nos procuram com estas dúvidas que, antes de mais nada, estudem o assunto, conheçam-se a si próprios, aprendam a conhecer e lidar com sua mediunidade, e a resposta virá, com o tempo. Sem pressa, sem ansiedade, mas com muita seriedade e persistência. 



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quando o coração fala

Recebemos o depoimento abaixo de um dos integrantes da corrente mediúnica de nossa casa e, com a sua autorização o publicamos aqui. Em respeito ao pedido dele, não vamos divulgar seu nome.
Nos gratifica saber que estamos cumprindo um pouco da missão que assumimos com este grupo e às vezes até nos surpreendemos com a constatação da responsabilidade que temos ao entrar desta forma na vida das pessoas.
Isto faz com que nos esforcemos a cada dia para dar o nosso melhor, já que perfeitos não somos.

" O que vi até hoje "

Inicialmente, ao primeiro contato com a CASA, achei que num estalar de dedos todas as minhas dúvidas e inquietações seriam resolvidas em uma única consulta. Claro que eu estava errado. Mesmo que todos os meus questionamentos momentâneos tenham sido respondidos, surgiram muitos outros.
Mas antes deste primeiro contato, preciso voltar um pouco no tempo para relembrar que durante quase um ano foram realizados inúmeros “debates” com uma colega de trabalho (na matéria) sobre todos os assuntos que envolvem a Espiritualidade, regados a muita leitura e com a presença dos protetores orientado-a a me responder um batalhão de perguntas todos os dias. Nem sempre concordávamos e por vezes surgiam alguns “atritinhos”, logo contornados para que pudéssemos recomeçar a “brigar”. A meu ver,  a presença do Preto Velho que trabalha com ela se tornava mais frequente para me auxiliar. Mal sabia eu que estava sendo preparado para uma nova etapa de aprendizado e conscientização.
Minha primeira visita à Casa Pai Joaquim de Cambinda, a qual foi agendada e remarcada inúmeras vezes (ainda não entendi bem o porquê), finalmente um dia aconteceu e me senti como se estivesse retornando à MINHA CASA. Não conhecia (nesta vida) nenhum dos membros da corrente, mas sentia emoção ao poder vê-los e cumprimentá-los, alguns com mais proximidade, outros mais distantes, mas a receptividade era percebida até mesmo por uma troca de olhares, assim como muitos relatam a sensação de primeiro encontro, regada de um sentimento extremamente aconchegante.  
Não tem como esquecer meu primeiro contato com os Dirigentes da Casa, ocasião em que fui recebido e surpreendido por um abraço e beijo que me colocou à vontade na assistência para que pudesse esperar os trabalhos começarem sem aquela ansiedade  por me considerar “estreante” naquela noite. Foi também muito importante ouvir a seguinte frase:
- Que bom que veio! (frase que escuto/escutamos todos os dias em que nos reunimos )
Me coloquei tranquilamente na assistência, aguardando para minha primeira consulta, sendo que  era uma noite de trabalho com o POVO DA RUA, energia mais próxima da nossa. Hummmm... Pensei no que já tinha lido alguns meses atrás, que nada acontece por acaso. Tentei inúmeras vezes ir conhecer o local que realiza tão belo trabalho e não conseguia por inúmeros motivos. Mas sempre pensava que minha primeira vez não seria em uma sessão de trabalho de EXU e POMBA GIRA, em função dos pré conceitos estabelecidos historicamente pelo desconhecimento.
Mas como eu acreditava que eu estava ali obedecendo a uma programação já pré–estabelecida, me coloquei de coração aberto,  e a afinidade que senti logo ao chegar me tranqüilizou e deixei as coisa fluírem como deveria. Para minha surpresa consegui receber e sentir toda doação de energia proporcionada pelo Sr Tranca Rua, sendo que ainda me orientou a buscar entendimento sobre as lidas espirituais. Logo em seguida tive a oportunidade  de ler “O GUARDIAO DA MEIA NOITE” (Rubens Sarraceni), história que hoje me enche de orgulho de poder falar do POVO DA RUA.
Logo em seguida agendei uma consulta com o Pai Joaquim e, assim como acontece com todos, me senti recebido como um filho, recebendo todo o carinho que um PAI pode ofertar ao encontrar ou reencontrar com um dos SEUS.  Muita orientação me foi dada e a mais importante delas foi quando Mestre Joaquim me disse que deveria conhecer todas as linhas de trabalho da Casa. Foi o que fiz, acompanhado na maioria das vezes pela minha esposa e eventualmente por minha filha. Me pus a descobrir os primeiros passos e as diferentes áreas de trabalho que atuam em nossa Religião. Como não se encantar com a tipo de energia sentida numa sessão do Povo de Oriente. Como não se  maravilhar com a beleza da rotina de trabalho do Povo Cigano e a energia dos Cablocos. As palavras do Sr. Ogum, com quem conversei inúmeras vezes, sempre pronto a me orientar. E a alegria contagiante dos Cosmes, que sempre estão presentes.
Fui descobrindo que o que até então só tinha visto em livros, na prática acontecia como era descrito. Em tantas histórias que  tive a oportunidade de ler, isso fez com que fossem derrubados inúmeros pré conceitos que em mim estavam enraizados. Ao ver os médiuns trabalharem, comecei a entender o que significa  o termo “ser humano”.

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir  o que realmente significa a palavra respeito. Fato marcante diante de um Preto Velho, meu coração poder se abrir e deixar a lágrima rolar, por perceber o quanto eu estive errado esse tempo todo, por desconhecimento desses dois termos que se confundem em nosso dia a dia de atribulações  e pressa, ao poucos fui percebendo que minha conduta vinha mudando, e com muita alegria ia recebendo essa benção.
Claro que o convite de Pai Joaquim  para participar da turma de estudos e desenvolvimento mediúnico me deixou ansioso para que este dia logo chegasse, mas não senti o imediatismo que em tantas outras vezes me incomodou. Considerei o tempo que passava até o inicio do 4º grupo de estudos  como uma forma de preparação para o que viria  pela frente.
Logo após as primeiras reuniões não tive como controlar meu  desejo de fazer parte da corrente mediúnica desta casa. Por coincidência ou não, meu primeiro dia de trabalho foi na primeira segunda-feira em que começamos a  atender em mais um dia da semana.
O que mais me surpreende ainda é o fato de que muitas vezes a Entidade que está trabalhando com o médium, consegue com suas sábias palavras esclarecer não só as dúvidas dos consulentes mas também as do próprio médium e, desta forma, perceber que fazendo a CARIDADE, você não está ajudando somente a um irmão necessitado mas também a si próprio nesta jornada que aceitamos trilhar com o compromisso de fazer o bem não importando a quem,  e isto nos propicia esta oportunidade de crescimento e evolução.
Não posso deixar de fazer considerações e agradecer pela maneira com que fui e sou recebido sempre. Não sei expressar o tamanho da gratidão que tenho por todos. Uns mais próximos, outros nem tanto, mas basta um olhar, um abraço, para que me sinta alentado por estes irmãos.
Meu muito obrigado pelo carinho dispensado aos meus familiares, sempre e cada vez mais presentes.
Meu muito obrigado pelos ensinamentos e auxílios.
Meu muito obrigado  por me fazer  mais lúcido, mais forte  para esta caminhada que recém se inicia.
Agradeço ao Pai Maior por permitir que vocês todos façam parte desta minha história, nesta busca pela evolução.
Espero poder retribuir de alguma forma a todos, com a mesma intensidade ou mais do que tenho recebido e que possamos ter sempre em mente o que Sr. Ogum tanto nos ensina: 
“O caminho mais curto e mais limpo nem sempre é o melhor caminho para você.“
Então o que vi até hoje me põe a agradecer muito a oportunidade de estar presente nesta Casa, e a todos que de alguma maneira me enchem de esperança de um dia vivermos em um mundo melhor. 

Um médium da casa