AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS). Para maiores informações, contate-nos via e-mail.




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cristais

Por Cândida Camini


Embora pareça não ter nada a ver, existem entidades que trabalham em um Terreiro de Umbanda como o nosso, que usam cristais nos atendimentos. 
São os espíritos que integram a Linha do Oriente, o Povo Cigano, os Magos. 
Está provado cientificamente que os cristais são condutores, amplificadores e transmutadores de energia, sendo utilizados também como fonte de registro de informações devido à grande capacidade de armazenar dados.
É possível programar um cristal para um problema específico de uma pessoa, podendo ser utilizado na cabeceira da cama, na mesa de trabalho e até mesmo como uma jóia (um pingente, um anel). No caso de usá-lo como jóia, não deve ser furado,  deve ser colocado dentro de um tipo de garra onde fique pendurado sem furar e afetar a estrutura molecular com que se organizou.
Outras possibilidades de utilização dos cristais são os elixires, os banhos e a energização de ambientes.
Todo cristal deve ser limpo antes de começar a usá-lo. O cristal armazena dados e deve ser zerado antes do uso.
Deixar 24 horas em água e sal e depois expor ao Sol pelo menos durante 1 hora.
Existem métodos mais específicos para limpeza profunda, como deixar o cristal enterrado por 7 dias, depois mantê-lo submerso em água limpa por duas horas e por último expô-lo ao sol por pelo menos 10 minutos.
Um cristal pode ainda ser consagrado, de forma que sirva apenas aos propósitos da luz, não podendo nunca ser utilizado para prejudicar alguém.
Basta navegar por sites confiáveis da internet para encontrar muita informação boa sobre o assunto.
Mas o objetivo deste texto é chamar a atenção de vocês para esta ferramenta preciosa com a qual a Mãe Natureza nos brinda .
Tanto a programação, quanto a limpeza e a consagração dos cristais podem ser feitas por qualquer pessoa com propósitos no bem e que adquira este conhecimento, porém, se você tem fé e confia nos mentores que trabalham na espiritualidade com estes elementos, porque não confiar a eles este processo?
E quando um mentor utilizar um cristal no seu atendimento ou aconselhá-lo quanto a utilização de um, pessoal, você saberá exatamente do que ele está falando.
Da mesma forma os médiuns, cujos mentores trabalham com cristais. 
Conhecer o método e as ferramentas de trabalho de seus mentores torna o trabalho mais rápido e eficiente, sem bloqueios e inseguranças.

Alguns cristais e seus benefícios:

ÁGATA - encontrada em várias tonalidades, a ágata musgosa, a mais comum, alivia a depressão, tonifica e revigora o corpo físico. A azul traz paz e felicidade e alivia o estresse. De um modo geral, a ágata é muito benéfica ao sistema digestivo.





ÁGUA-MARINHA - aumenta o poder psíquico, suaviza problemas emocionais, reduz temores e alegra os relacionamentos humanos. Ajuda a desenvolver a tolerância e a paciência. Fortalece os órgãos purificadores do organismo, como o fígado, o baço e os rins. 





AMETISTA - transmuta energia negativa em positiva, eleva o espírito, resgata a auto-estima. Ajuda a vencer vícios.







HEMATITA - aumenta o magnetismo pessoal, traz otimismo e força de vontade e protege contra energias negativas. Influencia todo o sistema circulatório e tem ótimos efeitos na eliminação de impurezas e gorduras do sangue. Favorece os rins.


QUARTZO ROSA -  essa pedra é indicada para atrair compreensão e favorecer sentimentos de amor, justiça e fraternidade. Ela equilibra as emoções e serve como um escudo contra energias negativas. Beneficia o coração e o sistema sanguíneo. Aplique-a diretamente sobre o chakra cardíaco.




QUARTZO VERDE - para saúde em geral, age como regenerador celular.

A Ametista, por ser um cristal que emite energias de transmutação com o mundo espiritual, pode ser usado em qualquer caso mesmo quando não se tiver o cristal adequado para o tratamento desejado, pois ele emana vibrações que atenuam e até eliminam a dor, ajudando também a expulsar o mal. Ela é considerada a Principal Pedra de Cura, tanto pela sua cor violeta quanto pelo seu componente mineral e atômico, pode e deve ser adicionado como complemento juntamente com todas as outras pedras nos tratamentos acima descritos por seu alto poder de cura.

Para finalizar, ressalto a importância do cuidado no uso dos cristais pois, como qualquer 'remédio', seja alopata ou natural, pode ter suas contra-indicações. 




quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Nossa Sª Aparecida e os Pretos Velhos

Eu sei, eu sei que o dia já passou, mas sempre é tempo de falar de fé.
Não sou uma especialista em história, mas ouvi/li por aí e achei bem interessante.
Lá pelos idos de 1717, no Vale do Paraíba, SP, alguns pescadores ao puxar a rede só conseguiram 'pescar' o corpo de uma imagem de Nossa Senhora. Ao lançar e puxar a rede novamente, 'pescaram' a cabeça da imagem.
Na época era costume jogarem ao rio as imagens quebradas.
Era uma imagem de argila e, pelo ação do tempo e da água, bastante escurecida.
Os negros da época, cansados de ouvir dos brancos que negro não tinha alma, consideraram o achado da imagem de uma Nª Senhora negra, uma mensagem de Deus, para afirmar a todos que os negros tem alma sim.
E a Santa foi batizada de Nossa Senhor Aparecida e levada para a casa de um dos pescadores, até que por volta de 1734 o vigário de Guaratinguetá, SP, construiu uma capela, aberta à visitação pública.
No final de 1888, a Princesa Isabel visitou a basílica e ofertou à Santa, como pagamento de uma promessa, uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com um manto azul, ricamente adornado.
Em 1904 a imagem foi coroada e adornada com a coroa e o manto presenteados pela Princesa e, em 16 de julho de 1930, foi proclamada Rainha do Brasil e sua Padroeira, por decreto do Papa Pio XI.
No último sábado pela manhã, dia 12 de outubro, dia de Nª Sª Aparecida, ao ver no facebook uma postagem sobre ela, pensei que seria interessante iniciar nossa Gira de Pretos Velhos naquele dia contando esta história e começarmos os trabalhos ao som da música 'Nossa Senhora', de Roberto Carlos.


Foi uma emoção muito grande ao sentirmos toda esta energia antes, durante e ao final dos trabalhos.

Salve Nossa Senhora da Aparecida!

domingo, 13 de outubro de 2013

Salve, Salve essa Nega - A História Continua - Última Parte

A chegada à Casa de Pai Joaquim de Cambinda


Fiquei feliz, não questionei, algo me acalmava e me conduzia até aquela Casa estranha e diferente. O que me esperava lá? O que poderia ser diferente das demais?
Aguardava ansioso para que chegasse  o sábado e fôssemos à Casa do PJ, para conhecer. Com toda a racionalidade que  achava  que ainda  tinha, não questionava nada do que ela me falava.
Chegou o esperado Sábado e fomos juntos para o atendimento. Na assistência, enquanto aguardávamos, comecei a ouvir várias músicas da Umbanda, que eu já conhecia muito. De repente, no  meio de todas as músicas, começa a tocar Dona Cila.
Mesmo ouvindo mentalmente todos os dias, tocada ali no templo, foi mais um oceano de emoções. Após ouvir fui para o atendimento e, ainda muito emocionado pelas palavras da médium que me atendeu e pela música, ouvi pela primeira vez, na “Casa do PJ”, a Voz que tanto procurava. Ela sempre esteve ali comigo, mas puder ouvir, pela primeira vez, a Voz do meu coração. Não consegui para de chorar, foi muita emoção, principalmente quando o Preto Velho  me transmitiu um recado: tem duas mensagens para o filho..
Ele pede um médium de passagem para auxiliar e começo a ouvir uma mensagem que me emociona mais ainda. A mensagem era da minha mãe. Precisava muito ouvir aquela mensagem, ali realmente ouvi a frase da música da Maria Gadu, Dona Cila: “ o apego não quer ir embora, diacho ele tem que querer”.  E a música começa a tocar durante o atendimento, tornando ainda mais bela as mensagens recebidas naquela Casa.  Daquele momento em diante, consigo libertar minha Mãe de todo o sofrimento da sua passagem. Fui muito ajudado, mas ouvi as palavras e “vi” sua imagem.
Achando que já estava tudo pronto naquele dia ,  o Preto Velho avisa: “Tem mais uma pessoa que quer falar contigo, mas agora eu vou dar a passagem”.
E começa mais uma emoção indescritível. O espírito que estava ali era familiar, me abraçava muito e me dizia: "obrigado por ter vindo, obrigado por ter chegado aqui, tu não imagina a felicidade que tu estás me transmitindo por ter chegado aqui".
" Foi a Márcia que me trouxe, ela é a responsável " - consegui dizer, em meio à surpresa e à emoção.
E ela: " Sei de tudo, mas terás muitas surpresas nesta casa. Tu sabes quem eu sou? "
E respondi, chorando muito: " Sim sei, a senhora é a minha vó! "
Ela me abraçava e eu não tinha vontade alguma de sair dali.
Terminamos o atendimento extasiados, porém tentando ainda ser racional, tentando entender como ela havia me encontrado através da Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Começamos, imediatamente, a frequentar todas as reuniões possíveis, festas e aguardávamos ansiosamente pelos encontros de sábado.
Fomos no próximo sábado e recebemos o atendimento separadamente.   
Na saída do atendimento a Márcia me chamou, chorando muito, dizendo o seguinte: 
" É a tua vó, ela me disse muitas coisas lindas, mas quer falar contigo ".
Novamente já sentei chorando, fui muito abraçado e senti o carinho. Se havia alguma dúvida, ali era totalmente dissipada. Ela me dizia que nem sempre estaria ali, mas viria algumas vezes até que recebesse autorização para trabalhar naquela casa. Ela começou a responder todas as minhas perguntas, desde a minha infância, que somente eu e ela sabíamos, era nosso código de confiança. Nunca havia falado das minhas angústias, desde a sua morte, com ninguém. Guardei a dor por 42 anos.
Eu pensava: " está tão bom, não quero que acabe nunca nosso contato ", mas sabia que ela tinha que ir, seu tempo era limitado, sua presença era apenas para acalmar meu coração e reafirmar que nunca havia me abandonado, mesmo após a sua morte , quando eu tinha apenas 10 anos de vida, até meus momentos de perigo, de dor, e de alegria.
Nunca pode se aproximar antes, mas me acompanhava de muito perto, e falou das minhas intuições, que muitas vezes era ela quem respondia meus pedidos.
Começamos então uma jornada assídua na maravilhosa Casa do PJ, como é carinhosamente chamada por todos, passando por diversos atendimentos, até que mais uma vez, após 1 mês, num sábado à tarde, a música toca no meu atendimento. Eu penso nela e o Preto Velho me avisa que ela estava ali para me dar um abraço.
Começamos a conversar e ela me diz: " agora posso te revelar, vou trabalhar na Casa, com esta música que tu ouviu. Sempre que precisar, lembra da música que estarei por perto. "
Eu falei: " Sempre pensei na música pensando na senhora, que incrível , e agora aqui estou realizando o que sempre busquei na minha vida. "
Nossos encontros continuaram, as mensagens também. Adorávamos a Casa e a frequentávamos religiosamente, com muitas descobertas. A família também passou a frequentar junto, todos os meus filhos e minhas Tias, para minha alegria e a família da Márcia.
Eis que numa segunda-feira chuvosa, acordo pensando muito na minha Vó e ligo para marcar a consulta para o sábado. Como já era tarde, acreditei que não daria mais tempo para marcar para a própria segunda-feira.
Consigo ainda marcar para a segunda-feira  e vamos para lá no mesmo horário, às 19 horas.
Aquele dia estava sendo muito especial, estava pensando desde a manhã na minha Vó e queria entender o motivo de tais pensamentos. Sou chamado para ser atendido e, no meu íntimo, vou pensando: hoje vou conseguir falar com ela novamente, ela virá, hoje vamos manter contato.
Quando começou o atendimento,  sou recebido com aquela ternura, aquele amor que  posso afirmar:  é um amor imenso,  tão intenso que é indescritível e impronunciável.
Choramos muito, eu e ela, quando ela me diz: eu precisava falar para ti primeiro ,  quem eu sou.
Vó Mariana
Eu te esperava hoje aqui, se tu não viesse eu ia te buscar. Vou te revelar o nome com o qual vou trabalhar aqui na Casa, depois tu explica para eles quem eu sou: Meu nome de trabalho será Vó Mariana.
Conversamos muito sobre tudo e sobre todos, ela me abraçando, dizendo de toda sua experiência e eu, sem nenhum lado racional mais fluindo sobre meus pensamentos, sendo somente emoção, aproveitando cada segundo, cada palavra dita, cada oportunidade de conviver com ela.
Ela agradeceu muito à Márcia por ter começado os contatos, por ter servido de link, por ter fé , mesmo sem ver nada, simplesmente ter seguido o que ouvia, sem duvidar.
Finalmente havia chegado o dia das revelações. Nunca havia frequentado um lugar com tamanha energia, com tamanha força. Se existia alguma dúvida, ela havia sido dissipada com todos os acontecimentos.
Agradeci muito a Deus por me conceder uma nova chance na vida, por me dar a ficha dois, por me abençoar em todos os momentos.
Mas ainda não havia acabado.
No último sábado, para concluir a história, ou para iniciar a história, mantive contato com um Preto Velho, que foi a origem de todas as nossas idas à Casa PJ.
As revelações foram emocionantes, mesmo tendo recebido diversas informações através da Vó Mariana, o Preto Velho aprofundou bem mais do eu esperava e foi direto ao ponto. Revelou minha verdadeira missão, e simplesmente, respondi: “ Estou pronto.”
O Preto falou direto com meu coração, ouvi o som do meu coração mais intenso do que das outras vezes,  e percebi que ele sempre falou comigo. Eu estava embrutecido pelas dores físicas que nos adormecem na jornada da vida. Não imaginava que conseguiria encontrar todas as respostas, rapidamente, num só lugar.
Eu pensava que conhecia a Verdade, agora eu sei e posso afirmar: Conhecereis a verdade e a verdade Vos Libertará.
O texto tem como intuito, externar nossa  gratidão pela acolhida, nossa gratidão aos Dirigentes e Irmãos da Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Certa vez li um artigo sobre os Hindus onde eles afirmavam que  Deus sempre diz sim. Nós, humanos é que pedimos , na maioria das vezes, com erro.
Consegui chegar na porta, bater três vezes e entrar. Agora sinto que realmente começo a verdadeira caminhada e pretendo participar dela plenamente.
“Pedi e vos será dado, batei e abrir-se-vos-á!!!


Obrigado Meu Deus!!!
Obrigado Pai Joaquim!!!
Obrigado Vó Mariana!!!
Obrigado Pai José!!!
Obrigado Pai Miguel!!!
Obrigado Pai Benedito!!!
Obrigado Vó Maria Redonda!!!
Obrigado Cândida e Ricardo!!!
Obrigado Márcia, por sempre acreditar e não me deixar cair, mesmo diante da maior adversidade. Tua postura foi mais uma vez imprescindível para que hoje estivéssemos iniciando esta nova jornada. 
Que bom que começamos juntos. !!!

Texto de Carlos Eduardo Gomes Sérgio










sábado, 12 de outubro de 2013

Salve, Salve essa Nega - A História Continua - Parte II

O que veio depois...

A cirurgia havia sido um sucesso, mas algo estava diferente no meu despertar, dentro da UTI.
No início, achava que eram efeitos dos anestésicos, porém com o passar do  tempo, as visões foram se intensificando. Juntamente comecei a ouvir muitas vozes, gritos, urros, gemidos e sons bem baixos.
A todo instante era despertado por gritos e as visões não paravam. Não sei quantas noites consegui dormir, sonhava acordado.
O mais incrível é que estava muito feliz ,   reaprendendo a viver, a respirar como uma criança pequena.
Saí do hospital rapidamente pós-cirurgia, tendo ficado somente 4 dias. Fiquei tão cheio de energia que comecei a fazer exercícios, chegando a caminhar, diariamente, 6Km.  A família ficou tão motivada que passou a me acompanhar diariamente nas caminhadas. Todos os filhos e esposa. Passados 48 dias após a cirurgia, estávamos participando de uma Caminhada da Longevidade.
Ainda na fase de recuperação,   fui convidado a viajar para Portugal. Adiei ao máximo, porém quando completou seis meses, com as devidas autorizações médicas, iniciei minha jornada novamente.
A viagem me trouxe muitas lembranças, muitos contatos e uma impressão fixou-se na minha mente: “Já estive aqui, tudo é tão familiar”.
Curiosamente, tudo fluiu em Portugal, como se eu fosse “português” e conhecesse a todos. Ouvia muitas críticas antes de viajar referente ao acolhimento dos portugueses, mas no meu caso e da minha família, só temos elogios, pois nos receberam muito bem e nos abriram fronteiras inimagináveis.
Nos períodos em que viajava, meu contato com minha família era pela internet, onde ficávamos as vezes mais de duas horas conversando e ponderando sobre tudo o que estava ocorrendo. Sonhava muito com minha mãe e continuava ouvindo algumas vozes aliadas a algumas visões muito estranhas, porém sentia que elas já estavam entranhadas na minha vida. Citando  Fernando Pessoa: “ O estranho que entranha ”.

Voltei ao Brasil, busquei a Márcia e a Duda, e voltamos para Portugal para um período de negócios e passeios. Nossa viagem é uma história a parte, diante das coincidências que encontramos juntos. Era sempre como se já estivéssemos estado lá juntos. Com certeza farão parte de outra narrativa, pois tem tudo a ver com nossa ligação com o Povo Cigano.

O retorno a Portugal

Em janeiro deste ano, retorno sozinho a Portugal para realizar um   negócio e, chegando lá, nada do que fui fazer acontece.
Começo a ficar muito mal de saúde, porém  nos contatos diários com a Márcia, no Brasil, ela começa a me transmitir mensagens , sobre o que ela ouvia. Estava muito enfraquecido, peguei um resfriado que virou gripe, afetou minha imunidade e dificultou ainda mais minha vida. Diferente de tudo o que havia ocorrido antes, desta vez tudo estava “errado”, as pessoas que apareciam agora não eram tão afáveis como as de antes. Fui ficando deprimido. O tempo estava se esgotando e nada acontecia, minha saúde se debilitava cada dia mais.
Estava fechado e não queria acreditar que meus problemas eram decorrentes de “algo” espiritual. Acreditava que tudo era culpa minha e de que não deveria ter confiado tanto nas pessoas. Não tinha mais a “música”, ou não queria ouvir a voz do meu coração.
O estranho era que a Márcia foi me “catequizando” com as mensagens, e isso melhorava um pouco num dia, mas no outro afundava novamente.
Um certo dia ela iniciou  com uma conversa estranha, de que eu deveria voltar para minha infância, e relembrar tudo, que tudo estava na minha mente. Eu questionava: Tudo o quê?
Milagrosamente, de tanto ela insistir, eu respondo: minha infância só tem uma ligação importante, a minha Amada Vó.
Vó Idulcina
Imediatamente , como num passe de mágica, começo a relembrar minha ligação com a minha Vó Idulcina. Desde os primeiros passos na Escola, nas vezes que sentávamos juntos para jogar Canastra, nos sábios conselhos. Na medida em que viajava, mergulhava nas Festas Religiosas relembrando como ela ficava linda ao incorporar O Pai Oxalá. 
Pronto, estava restabelecida a ligação. Mesmo inconscientemente, eu havia despertado minha ligação com meu passado. Não foi um exercício fácil e, mais uma vez, por algo que não conseguia ainda explicar, começo a receber uma carga de energia incrível e revitalizadora.
Além de voltar a praticar meus exercícios diários, recomeço a ouvir, mentalmente,    a música da D. Cila. Agora consigo ouvir , frase por frase, e começo a distinguir a riqueza da música. Começo a ligar a música as memórias de minha Vó e Mãe. Engraçado que a música aparece no facebook, no avião, nas rádios, na internet. No mesmo período, todos os negócios que antes não estavam finalizando, começam a fluir.
Fui melhorando de saúde e a Márcia, num sábado pela manhã, corta a conversa e me avisa: hoje vou ter que sair mais cedo, tenho um compromisso a tarde, quando voltar falamos.
Não questionei nada, nem onde ela ia e nem o que iria fazer. Mas junto com sua ida ao local que parecia bom, mesmo sem saber,  a música da Dona Cila ficou intensa na minha mente. Fui invadido por uma onda de otimismo e comecei a pensar que tudo seria resolvido.
Imediatamente agradeci a minha vó, pois achava que de uma maneira ou outra, ela estava ali, ao meu lado, me ajudando.

Montando o “quebra- cabeças”...

Subitamente, tudo o que estava trancado destrancou e os negócios começaram a andar. Recebi ligações naquela tarde para encontrar com uma pessoa que aguardava desde que cheguei, onde começaríamos a fechar um dos negócios que me dariam suporte para todos os demais.
Ao final do dia, Márcia chegou em casa e me ligou. Eu querendo transmitir as notícias boas e ela querendo me contar a experiência que tinha vivido, magicamente, naquela tarde de sábado.
Sempre questionava algumas casas que frequentávamos, e surpreendentemente, quando ela começou a me contar sua experiência na Casa PJ (apelido carinhoso com o qual os médiuns se referem a esta Casa), aceitei naturalmente, como se alguém estivesse intermediando nossa conversa através da internet. Tínhamos interlocutores espirituais dos dois lados, que traduziam tudo, na melhor linguagem possível.
Mais uma vez, ouvia a “Voz do Coração”, ainda sem entender.
Ela me dizendo que estava maravilhada com a experiência, como havia chegado na Casa PJ, sobre o livro Tambores de Angola, a descoberta do blog escrito pela Cândida e as orientações que recebia.
Curiosamente,  algumas orientações que ela recebia eram pela internet, mas como seu computador havia ficado em Portugal, a única opção era um pequeno celular, e isso, realmente, foi uma façanha, pois a internet nunca funciona quando estamos no Brasil, e, milagrosamente, conseguíamos falar no Skype e ela pesquisar o blog, na Internet, simultaneamente.
Em nenhum momento ela me contou que havia ouvido a música da Dona Cila, durante os trabalhos, mas nas conversas, com muito jeito, ela começou a me transmitir os recados e o principal era o que ela já havia me dito: “O Preto Velho te mandou um recado, pediu que tu relembrasse a tua infância, tudo o que procura está lá, basta relembrar”.
Começava ali, tudo a fazer sentido, ao relembrar minha infância restabelecia o vínculo com minha Vó e , ao mesmo tempo, era auxiliado a entender e a me libertar da dor pela morte da minha Mãe.  Inicia o processo, após longos e intermináveis dois anos, da aceitação da sua partida, da libertação da dor pelo seu sofrimento.

Vó Cela - a mãe de Carlos
Confesso que foram dois sentimentos conjuntos: um que me energizava da cabeça aos pés, oriundo da  minha Vó  e outro que inundava meu coração de amor, que era da minha Mãe.
Chorei muito, sozinho, num quarto do hotel, mas finalmente começo a me  despir da dor pela perda da minha mãe.
Ao mesmo tempo, as perguntas que eu fazia, desde criança, pela perda da minha Vó, diretamente a ela, começavam a ser respondidas, mesmo sem eu ainda entender: Por que a senhora morreu quando eu mais precisava da senhora? Por que eu sofri tanto na minha infância pela sua perda? Por que Deus lhe escolheu num momento em que eu estava me desenvolvendo, progredindo na escola, com 10 anos? A Senhora tinha um papel de Pai e Mãe, como eu faria tudo sozinho, já que minha Mãe estava muito doente na época?
Pela primeira vez eu ouvia as respostas, mas ainda não conseguia estabelecer ligação alguma com a visita da Márcia ao PJ. Acreditava que era um pouco de loucura com o desejo de respostas, mas me fez muito bem, aliviou uma dor no meu peito e me deu ânimo para concluir tudo.
Passados dois dias, finalizo os negócios e consigo voltar ao Brasil no dia que que precisava voltar. Após todos os abraços, na chegada, a Márcia me revela que havia sido avisada que no próximo sábado, eu e ela estaríamos juntos, entrando pelo portão da Casa do PJ.


Continua....

Texto de Carlos Eduardo Gomes Sérgio

Salve, Salve essa Nega - A História Continua

Publiquei aqui mesmo no Blog a história da Márcia Souza, como chegou até nossa Casa, mesmo sem saber o endereço, e como a música da Maria Gadú, Dona Cila, que ela ouviu aqui numa gira de Preto Velho, a fez ter certeza que estava no lugar certo, na hora certa.
Agora publico a história do Carlos, marido dela, e sua relação de amor por esta Casa.
Ao receber o arquivo e perceber o tamanho do texto, pensei que precisava editá-lo, deixá-lo mais curto, ou talvez publicar só o início e um link para um arquivo virtual, onde quem quisesse lê-lo completo pudesse acessar.
Mas agora, ao lê-lo novamente, tenho a certeza de que tenho que publicá-lo inteiro aqui, porém em capítulos, como fiz com o texto da Márcia.
E, como nada é por acaso, estou publicando hoje, 12 de Outubro, dia de Nª Sª Aparecida.
Segue o primeiro capítulo, então:

Como “Dona Cila” entrou nas nossas vidas...

Tudo começou com minha festa de 49 anos, idealizada para ser uma  preparação para a grande festa, no ano seguinte,  dos meus 50 anos. Estava quase desistindo de fazer, quando conversando com minha mãe, que na época estava muito bem, insistiu para realizar a festa programada.
Diante do seu pedido realizei a festa, porém jamais imaginaria que seria a sua despedida. Ela  dançou muito, festejou com os convidados, invadiu a pista de dança, pediu todas as músicas e acompanhou até o amanhecer. Não imaginaria que uma semana, depois ela iniciaria um calvário  de oito meses, passando por um coma,  câncer e sua morte.
Com todos os meus estudos e minha preparação para vida que, pretensamente, achava que tinha, não consegui aceitar seu sofrimento. Foram   meses de vivência dentro de um hospital, entre dias de esperança e de sofrimento.
Lembro bem que, num dia de felicidade, por ela ter saído do coma, ao chegar em casa, fui surpreendido pela “música”,   Dona Cila. Ao ouvir aqueles versos o choro foi inevitável. Apenas para esclarecer, a minha mãe tinha o apelido de Dona Cela. A Márcia publicou na internet a música e avisou, quando cheguei em casa, após mais um dia de tensão:  “achei uma música que parece muito com a tua história e lembra bastante a tua mãe.”
Imediatamente, fui assistir ao vídeo, e a imagem que inundou minha mente   foi a da minha Vó. Sentia sua presença, ouvia sua voz, era como se ela estivesse ali comigo, me confortando e me preparando para o que viria. Queria chorar, mas não conseguia,  ao ouvir a música, fui tomado de muita  emoção e desabei.
A internet rapidamente se encarregou de compartilhar entre todos  os nossos amigos e familiares, aquele momento especial. Todos passaram a visualizar a minha mãe ao ouvir a música.
Minha mãe recobrou as forças e pediu para passar o Natal, Ano Novo e as formaturas dos meus filhos, que ocorreriam na primeira semana de janeiro, em casa.  Foi sua despedida, do jeito que gostava, com muita festa e  toda  família reunida.

Pelo amor ou pela dor...

Sempre fui um  estudioso da espiritualidade, tendo   dedicado minha vida a leituras de muitas obras e participado de instituições filosóficas. Encarei a vida com muita fé, porém, com a doença da minha mãe, fracassei mentalmente, desejando de todo coração, naquele momento, morrer no lugar dela.
Diante do meu desejo, sofri um infarto, num momento em que estava completamente sozinho e, conforme os médicos me descreveram, fiquei entre a vida e a morte.
Mesmo tendo desejando morrer, na hora da dor e da morte, implorei e supliquei a Deus por mais uma oportunidade. Incrivelmente, naquele momento, minha mente foi inundada, novamente, pela “música”, acalmando e aliviando as dores “da pata do elefante” no meu peito. Foi o suficiente para que eu fosse atendido por médicos que me restauraram a saúde.
Milagrosamente sobrevivi, com uma grave sequela no coração. Recebi energia suficiente para acompanhar a despedida e o funeral da minha Amada Mãe.
Era apenas o primeiro “round” de uma luta árdua que viria pela frente, Após a recuperação do infarto, as dores haviam sumido completamente, estava ansioso para retomar meu trabalho, pois nos oito meses em que minha mãe esteve doente, havia abandonado tudo.
Quando me sentia pronto para voltar a minha rotina, eis que as dores recomeçam e as crises passam a ser diárias. Os médicos haviam me diagnosticado também com um quadro de asma e iniciado um tratamento insuficiente e inadequado para o meu quadro clínico.
Intuitivamente, sabia que deveria procurar outro médico com mais experiência. Foi o que fiz, numa manhã muito fria.
Encontrei um anjo de guarda, Dr. Alberto Monaiar, um Cardiologista muito experiente, que juntamente com Deus, meus Mentores e Protetores, salvaram minha vida.  Imediatamente, após entrar no seu consultório, foi logo me avisando: com dores tu não sairás do meu consultório, vamos investigar tudo, porém te adianto que asma tu não tens e uma informação importante: “coração dói sim”.
Exames feitos, fui encaminhado para cirurgia cardíaca na Santa Casa, porém deveria aguardar em casa, sem fazer qualquer tipo de esforço, até que surgisse uma vaga. Como tinha muita dificuldade para respirar,   só conseguia dormir sentado.

Um pássaro me trouxe a fé!

Sempre acreditei que sobreviveria, porém num dia especial, tive a certeza.
Era Dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de Outubro, e estávamos somente eu e meu filho Matheus, um dos meus companheiros de jornada, em casa.
O Dia 12 de Outubro sempre me ligava a memória da minha Vó, por ser o Dia das Crianças e também por representar o Dia em que ela havia se despedido de todos,   quando esteve no plano físico. Ela era muito devota de Nsa. Sra. Aparecida.
Desde criança passei também a ser muito devoto na Nsa. Sra. Aparecida e a renovar minha fé, com imensa devoção, no Dia 12 de Outubro.
Quando visitei o Santuário de Nsa. Sra. Aparecida, na Cidade de Aparecida, pela primeira vez, consegui encontrar as explicações que buscava para entender o tamanho da minha devoção. Sempre renovava minha fé nesta data, aguardava ansiosamente por este dia, parecia que recebia doses de energias maravilhosas.
Confesso que no meu íntimo adorei que a cirurgia fosse transferida, pois tinha a convicção que no “Dia de Nossa Senhora” seria abençoado como sempre fora, todos os anos. Assim sendo, depois estaria melhor preparado mentalmente  para enfrentar a cirurgia cardíaca.
Morávamos num dos bairros mais altos da cidade e nosso apartamento ficava no último andar.  Um dos meus “momentos mágicos” era olhar aquela vista linda, pela janela do meu quarto.
Precisamente neste dia, estava muito cansado pois já tinha ido ao hospital todas as semanas e sempre retornava para casa para aguardar leitos. Estava mal, com muita dor no peito e dificuldade para respirar.
Ainda aguardava o milagre do Dia 12 de Outubro. O dia estava quase chegando no final e perguntava: ainda dá tempo para receber a benção do dia, vou melhorar, vou reverter meu quadro, não posso morrer agora.
Naquele final de tarde, por volta de 17 horas,  fui surpreendido por um imenso pássaro de cor branca, que pousou na minha janela, prendeu suas imensas garras nas redes de proteção e ficou alguns minutos me encarando. Quando chamei meu filho, para testemunhar, ele rapidamente voou e foi embora. Meus olhos ficaram marejados.
Passado   alguns minutos, ele retorna ao mesmo lugar e, desta vez, consigo chamar meu filho para testemunhar. Ficamos admirando nosso visitante, agora por uns 20 minutos. Ele um pouco incrédulo e eu tentando segurar minha emoção.
Engraçado que  falava para o meu filho que o pássaro parecia não querer ir embora, parecia ter vindo de tão longe. Sua atitude era de calma e tranquilidade, me encarando, abrindo suas imensas asas e firmando suas garras na rede. 
Depois de algum tempo ele foi embora, mas fiquei com uma sensação de que ele voltaria. Observei que ele fez um voo para cima e imediatamente imaginei que pousaria na área externa do apartamento.
Foi exatamente o que ele fez. Quando anoiteceu, ouvimos um barulho na área externa e nos deparamos com uma cena inusitada: ele havia feito um ninho num vaso de flores e se alojado dentro. Tentávamos nos aproximar dele e suas asas imensas se abriam, não permitindo que o tocássemos. A única autorizada a lidar com ele, era minha filha Eduarda, que levava farelo de pães e água.
Me pus a pesquisar na internet a origem daquele pássaro e não conseguia localizar nada. A única imagem que surgiu na minha mente foi  a do Pássaro de Oxalá. Resolvi dar vazão as imagens mentais e aprofundei minhas pesquisas, concluindo que as imagens pesquisadas e o Pássaro “Amigo” eram iguais.
Imediatamente lembrei da minha Vó e do Pai  Oxalá.  Quando ela estava vivendo no plano físico, era o Orixá que ela trabalhava. Me recordava de todos os cânticos entoados nos encontros. Meu ânimo ficou renovado, pois a presença do pássaro passou a ser um sinal de vida e renovação. Entendi com um sinal de que realmente alguém lá em cima, gostava muito de mim.
Mentalizava que ainda tinha uma missão a cumprir na vida , mesmo diante da incredulidade de alguns médicos, com relação ao sucesso da cirurgia. Sempre ouvia uma voz “intuitiva” que me dizia: relaxa, fica calmo, tudo será resolvido. No meu íntimo aliava a voz da intuição com as imagens da minha Vó me amparando. Tinha a convicção de que os médicos seriam auxiliados a realizarem a cirurgia com êxito.
Os médicos me perguntavam como eu estava? Se estava preparado para morrer? (Ouvi de um psicólogo chamado para me dar assistência no Hospital) Se estava preparado para um transplante? Eu sempre respondia: “Confio em Deus e confio nos senhores médicos, que farão o   que   tiver que ser feito para que eu continue minha jornada.
A história do pássaro juntou-se com a música, sendo que ela nunca havia saído da minha mente. O que passei a reparar era que , naquela semana, não me trazia mais lembranças da morte da minha mãe e sim estabelecia  um elo de ligação com a alma da minha Vó.
O pássaro ganhou um capítulo especial na minha vida, relatei  a história dele, ano passado, quando fez um ano da minha cirurgia.
Ele foi a materialização de um desejo, simbolizou minha vitória e minha responsabilidade futura, que somente depois viria a entender melhor.

A Duda adorou sua  presença , interagia com ele diariamente. Alimentava e  conversava  com ele todos os dias. Um dia ela resolveu dar um nome a ele e foi profunda na escolha, ela disse:  “Pai ele é um anjo e seu nome é Ariel”.
Ariel, na hierarquia dos anjos, é um poderoso Anjo da Natureza.  Na época Eduarda tinha apenas sete anos e estava muito nervosa com a cirurgia, chorava muito, mas me dava força, falando que eu ia ficar bem,  transmitindo mensagens de força e fé.
Imaginem minha emoção quando ela acredita na força do pássaro e me auxilia, com muita força e fé, com mensagens de VIDA.
Pensei: que anjos estão na minha vida, tenho filhos maravilhosos, não posso abandonar o plano físico agora, nós nos complementamos muito, obrigado Meu Deus por me dar uma nova oportunidade.
Sempre fui um cara de muita fé, sempre acreditei muita na minha capacidade, mas sempre tentava equilibrar o meu lado místico e o racional.  Todos os fatos narrados puseram meu lado racional em segundo plano. Por mais que tentasse ponderar, não tinha mais forças para deixá-lo dominar. Passei a ser só coração e emoção.
Formei a convicção de que fui fielmente “guardado “ por Pai Oxalá. 

Continua.....

Texto de Carlos Eduardo Gomes Sérgio