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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mensagem de João Caveira


Estava lá fora, sentada, fumando, quando senti a aproximação de um guia espiritual que me acompanha, o Exu João Caveira.
Nossa conversa, apesar de se estender um pouco, foi bem interessante, discutimos acerca do uso do álcool e do fumo na umbanda, tão mal falado por seguidores de outras religiões e mal explicado por nós, médiuns.
Ele se aproximou de mim e eu disse:
- Salve compadre!
- Salve moça!
- Eu vou comprar o uísque que te prometi, mas gostaria de saber se o senhor vai tomar na garrafa.
- Sim, porquê?
- Hum, porque eu acho que não vão deixar o senhor tomar na garrafa, lá no terreiro, o uso do álcool é controlado.
- Sei disso, mas tomarei na garrafa assim mesmo.
- E como o senhor tem tanta certeza disso?
- Simples, eu sou um Exu guardião, trabalho dentro das leis da umbanda, que provêm do Alto, não bebo por vício ou prazer, se eu quisesse apenas beber, seria mais fácil encostar num médium que estivesse no bar, bebendo, e não num terreiro de umbanda, entende?
- Sim. Já que o senhor está por aqui, poderia me explicar um pouco sobre essa questão do uso do álcool e do fumo na umbanda?
- Posso. O álcool é apenas um extrato da planta, pode ser da cana, da uva entre outras plantas, logo, quando estou com o marafo na mão, estou utilizando o elemento vegetal, porém, tendo em vista que a planta se abastece de água, e é composta por água em seu caule e folhas, o álcool tem uma parte do elemento mineral, sendo assim, quando eu estou com meu marafo, estou manipulando duas energias de elementos distintos da natureza, que se fundem e me dão um resultado, o elemento mineral mesclado com o elemento vegetal. Quando incorporado, bebo o marafo para limpar o médium e alterar o seu estado de consciência, fazendo com que ele fique mais disperso e facilite o meu trabalho, quando sirvo ao consulente, serve para descarrego e também para deixá-lo mais à vontade, sabe, parece que não é fácil conversar com exu, o povo fica tenso, então eu uso dessas propriedades para deixá-lo mais tranqüilo e também serve como um contraste pois eu adentro o “interior” do consulente.
- Legal, e o fumo?
- O fumo é feito de uma combinação de ervas. Claro que hoje em dia eles misturam um monte de porcaria, esses fumos industrializados não são muito fortes porque contem mais agentes químicos do que ervas, por isso que se fuma muito. Para manter o charuto aceso ele forma uma brasa certo?
- Certo.
Larvas astrais
- Esse é o elemento ígneo(fogo), e a fumaça que sai é o elemento eólico(ar). Essa combinação dos três elementos: vegetal, ígneo e eólico ajuda a equilibrar a aura do consulente, envolvendo-a como um manto protetor, e também, dissolvem alguns tipos de larvas astrais, miasmas, entre outras funções.
- Mas e…
- Já sei, vai me perguntar onde está o elemento terra não é?
- Pois é…
- O elemento telúrico esta presente o tempo todo, é o único que o guia não pode ficar sem utilizar em uma sessão. Mesmo em terreiros que não se utilizam de álcool e fumo pois encontraram uma outra alternativa para suprir essas necessidades, veja bem, eles se utilizam de outras alternativas, não porque são mais ou menos evoluídos, apenas trabalham diferente, mas nunca poderão deixar de utilizar o elemento telúrico, que está abaixo dos nossos pés, e isso explica porque não se usam calçados nas giras (ou calçados com solado natural, não isolante).
- É verdade.
- A terra é uma ótima condutora de eletricidade, sem perceber, numa combinação de passes, toda a energia é descarregada na terra, mas há também o sentido contrário.
- Como assim?
- Para aquela pessoa que está ansiosa, irritada, o corpo dela está conduzindo eletricidade em demasia, sofrendo diversas descargas elétricas em virtude do desequilíbrio emocional, o passe é dado de forma que essas descargas sejam descarregadas na terra, deixando o consulente mais calmo, tranqüilo e esperançoso. O sentido inverso ocorre quando o consulente está, por exemplo, desanimado, seu corpo produz uma estática, ou seja, há uma ausência total ou quase total de descargas elétricas, dessa forma, é dado um passe ao contrário, ou seja, a terra, por meio de descargas elétricas, provocam essa estática e reanimam o consulente, dando uma sensação de força e fé a ele. Entenda que o corpo também necessita de eletricidade, mas esta não pode ficar ausente totalmente ou em demasia, deve ter uma quantidade certa para que o corpo, a mente e o espírito estejam em equilíbrio.
- Poxa, que interessante.
- É muito simples, não tem muito mistério não. Só vim ver como andam as coisas por aqui, tenho outras coisas a fazer agora, e não vim te cobrar meu uísque. Até mais!
- Até mais compadre! Salve tuas forças.
E ele se foi, me deixando com a cabeça cheia de informações. Parece até que tantas respostas eram até óbvias, mas a gente nem imagina que é tão simples como parece.

Salve todos os Exus!!!

Salve Sr. João Caveira, por sua luz, força e sabedoria!

Axé

(Joyce Gorgoll / Pandora)

3 comentários:

  1. Muito interessante, enriquecedor este artigo.
    No centro que trabalho tbm temos certas disciplinas no uso de artigos como esses, mas creio que como o Seo Caveira disse, isso não representa diferentes graus de evolução das entidades, e sim diferentes formas de trabalhar... E o mais impressionante é que mesmo não dispondo desses recursos, nossos guias não deixam de trabalhar e fazer o que deve ser feito. Salve o povo da Banda.

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  2. Exatamente, Jobah, cada um trabalha a sua maneira e todos na prática da caridade.

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  3. Gostei muito dessa história,no terreiro de meu padrinho,também existe muitas regras. O alcool não dá desenvolvimento ao médium e nem aumenta suas forças espirituais,Temos sempre que por limites para poder controlar nossos irmãos encantados.

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