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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os Orixás, na visão de Matheus Capra Ecker

Imagines um tempo longínquo, em que os Orixás viviam entre os homens. Um tempo, em que os elementos vivos da natureza eram materializados e conviviam naturalmente com os seres humanos. O Senhores do tempo andavam vivos...Olorum era sentido !
Imagine o Senhor que era o movimento vivo dessas forças: o Orixá Exú que era sempre acompanhado de uma bela moça, o Orixá Pomba Gira. Viviam no “entre”: entre as matas e árvores, entre os céus e as estrelas, entre o fogo e os vulcões, entre os caminhos e os destinos, entre os ventos e as chuvas, entre as águas e cachoeiras, entre o lodo e os poços , entre os mares , entre a calunga pequena e a grande, entre a vida e a morte e, principalmente, entre a luz e as trevas.
Senhor alto, de extrema beleza, coberto somente por uma negra capa como a noite, cartola alta e um garfo em sua mão esquerda. Senhora também alta, de corpo torneado, pela negra como a noite, peitos à mostra e longa saia vermelha como o sangue. Em sua cabeça uma coroa cravejada com as mais belas joias.
Andam eles a servir aos Orixás e a executar a Lei do Pai Olorum. Eram respeitados, muito temidos pelos humanos e sobretudo amados. Eram amados, pois faziam reconhecer no homem os sentimentos mais escuros e que deveriam ser mudados, para que então os humanos pudessem viver em paz.
Nesse mesmo estágio de mundo, andava um velho senhor apoiado em um cajado de prata o qual, tamanho era seu brilho, dava a impressão de ser branco. Sua roupa era também branca como as nuvens do céu. Suas mãos estavam sujas de barro, um barro escuro, o qual usava para moldar os homens conforme sua imagem e semelhança.
Era o mais amado e querido dos antigos senhores do tempo, pois lembrava aos homens da fé e principalmente do sentimento da bondade e da paz. Sempre poderia ser visto quando olhássemos para o céu, principalmente nos dias em que o sol brilhava a iluminar todo o mundo.
Olhando o céu, os homens eram lembrados da mais doce e encantadora menina que andava pelo mundo: a pequena Oxum. Apesar de ser vista nas cachoeiras e lagos, sempre a cantarolar baixinho “ Oro mi ma, Oro mi maio ...”, enquanto penteava seus lindos cabelos negros e encaracolados, era lembrada quando os raios de sol quentes e delicados acariciavam a pele dos homens a trazer calor e amor.
Suas vestes eram douradas como a cor desse mesmo sol, muito próxima a um amarelo intenso. Lembrava o homem das riquezas escondidas nas águas, riquezas essas que também estavam presentes em seu íntimo, após as mais turbulentas correntezas da vaidade e do orgulho.
Muito próximo a ela vivia um ser de incrível Luz, um jovem sempre vestido com as cores do Arco Íris. Oxumaré, que quando era visível aos homens, transmutava-se em uma cobra, lembrando-nos da necessidade de constante mudança e transformação. Assim como as estações do ano, vivia a movimentar-se e a mudar: ora dia, ora noite, ora homem, ora mulher. Era a própria renovação do Universo.
Nas florestas mais densas vivia outro jovem sempre vestido de verde, quase irreconhecível em meio às grandes árvores, era Oxóssi. Vivia da caça, da pesca, da colheita de ervas e frutos. Possuía um grande arco, que lembrava os homens, que assim como a flecha disparada por um arco em direção a caça, devemos possuir direcionamento e um propósito em nossas vidas.
No calor dos Vulcões existia um senhor alto e forte, trazia na sua cabeça uma coroa de puro ouro envelhecido. Era sempre visto em um grande trono de pedra, do qual nenhum homem conseguia se aproximar devido ao calor dos vulcões que era insuportável para a sensível pele humana. Em sua mão, era sempre visto um Oxé , um machado duplo, feito de ouro e incrustado de pedras vermelhas como o fogo vivo dos vulcões. Lembrava aos homens que a justiça era por eles inalcançada, que cabia ao Rei julgar os que mereciam e que assim como o machado que possuía dois lados, quem ora seria credor poderia estar devendo e seria julgado da mesma forma.
Nas belas praias e mares
 vivia uma Senhora de pele clara como a areia e longos cabelos lisos e pretos. Possuía seios fartos, expressão serena e acalentadora, lembrava a mãe que a todos acolhia com um abraço transmitindo a mais tranquila brisa marinha. Suas vestes eram longas e azuis como a cor do mar. Lembrava aos homens sobre a geração da vida, sobre a compaixão e que assim como as marés, a vida é feita de ciclos, ora mansa e ora agitada.
Nos caminhos, sempre próximo a uma mina de ferro, era visto um jovem impetuoso, vestido de azul e conhecido não somente por sua bravura, mas por sua incrível habilidade na confecção e manuseio de todas as armas forjadas em ferro. Lembrava aos homens que, sempre que necessário, seriam auxiliados por suas armas, amparados por seu escudo e guiados através dos caminhos em segurança para suas casas.
Nos ventos, uma bela mulher de cabelos curtos, com um leque em suas mãos era a mais intensa dos Orixás. Era conhecida pelo seu temperamento forte e objetivo, sempre em busca de conquistas e vitórias, sempre sensual e arrebatadora. Lembrava aos homens da força dos ventos, e que era necessária a luta para vencermos no dia a dia .
Nos cemitérios, um velho, sempre coberto de palha era o mais temido dos Orixás. Era conhecido como o senhor da terra, da transmutação. Seu corpo coberto de palhas lembrava aos homens que há segredos que devem permanecer ocultos, assim como esse Orixá que escondia sua verdadeira essência em meio a algo tão simples como as palhas. Senhor que vencia todas as doenças e até mesmo a própria morte.
Porém, quando o homem deixou de respeitar a esses Senhores, julgando que era maior que a própria natureza em que habitava, ao se esquecer de que advinha do próprio criador Olorum, todos os Orixás se juntaram e decidiram se retirar do mundo humano. Indo para um mundo menos denso, em que somente seres mais depurados poderiam alcançar.
Porém, antes, deixaram aos homens tudo aquilo que os lembrava: todas as qualidades existentes em seus pontos de força foram deixadas aos homens, e para que nunca imaginassem ser maior que a natureza, cada Orixá deixou aquilo que de mais assustador existia em seus Reinos.
Exú e Pomba Gira deixaram a energia que impulsionava a vida, porém que também era a própria treva, a ausência completa de luz que tanto assustava aos homens. Oxóssi manteve a fartura das matas e para que o homem recordasse dele, com a necessidade de trabalho para sua sobrevivência. Xangô deixou o fogo vivo, que embora tão necessário ao homem, se descuidado, poderia queimá-lo e até mesmo destruir tudo por onde passasse.
Ogum deixou sua coragem, mas que se descuidada virava fúria descontrolada. Iansã deixou sua força para que todos possam vencer, mas também os raios, os trovões e as tempestades para que os homens não esquecessem das inconstâncias da vida. Oxum deixou suas riquezas e rios, porém, trouxe o ímpeto da correnteza que assim como a água não poderia ser contida. Oxumaré deixou sua essência transmutável e de adaptação ao homem, mas manteve a necessidade de que tudo precisasse de complementação, um lado positivo e outro negativo. Iemanjá deixou o conforto do Mar, mas também o maior e o mais misterioso local do mundo, que através de gigantes ondas poderia devastar a terra. Obaluaê deixou a cura, mas para que ela existisse, deixou as doenças e as pestes. E finalmente, para que o mundo em que os Orixás estão fosse alcançados deixou o portal da morte.
Oxalá foi o único que ao voltar para Olorum não deixou nada de seu ser negativo. Para que os homens lembrassem dele, deixou a esperança e principalmente algo que até hoje nunca foi explicado: a fé. Para que mesmo sem poderem ver os Orixás, acreditassem em sua existência e principalmente pudessem sentir sua energia. 







Matheus Capra Ecker 

Médium da CPJC

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