AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS). Para maiores informações, contate-nos via e-mail.




domingo, 13 de outubro de 2013

Salve, Salve essa Nega - A História Continua - Última Parte

A chegada à Casa de Pai Joaquim de Cambinda


Fiquei feliz, não questionei, algo me acalmava e me conduzia até aquela Casa estranha e diferente. O que me esperava lá? O que poderia ser diferente das demais?
Aguardava ansioso para que chegasse  o sábado e fôssemos à Casa do PJ, para conhecer. Com toda a racionalidade que  achava  que ainda  tinha, não questionava nada do que ela me falava.
Chegou o esperado Sábado e fomos juntos para o atendimento. Na assistência, enquanto aguardávamos, comecei a ouvir várias músicas da Umbanda, que eu já conhecia muito. De repente, no  meio de todas as músicas, começa a tocar Dona Cila.
Mesmo ouvindo mentalmente todos os dias, tocada ali no templo, foi mais um oceano de emoções. Após ouvir fui para o atendimento e, ainda muito emocionado pelas palavras da médium que me atendeu e pela música, ouvi pela primeira vez, na “Casa do PJ”, a Voz que tanto procurava. Ela sempre esteve ali comigo, mas puder ouvir, pela primeira vez, a Voz do meu coração. Não consegui para de chorar, foi muita emoção, principalmente quando o Preto Velho  me transmitiu um recado: tem duas mensagens para o filho..
Ele pede um médium de passagem para auxiliar e começo a ouvir uma mensagem que me emociona mais ainda. A mensagem era da minha mãe. Precisava muito ouvir aquela mensagem, ali realmente ouvi a frase da música da Maria Gadu, Dona Cila: “ o apego não quer ir embora, diacho ele tem que querer”.  E a música começa a tocar durante o atendimento, tornando ainda mais bela as mensagens recebidas naquela Casa.  Daquele momento em diante, consigo libertar minha Mãe de todo o sofrimento da sua passagem. Fui muito ajudado, mas ouvi as palavras e “vi” sua imagem.
Achando que já estava tudo pronto naquele dia ,  o Preto Velho avisa: “Tem mais uma pessoa que quer falar contigo, mas agora eu vou dar a passagem”.
E começa mais uma emoção indescritível. O espírito que estava ali era familiar, me abraçava muito e me dizia: "obrigado por ter vindo, obrigado por ter chegado aqui, tu não imagina a felicidade que tu estás me transmitindo por ter chegado aqui".
" Foi a Márcia que me trouxe, ela é a responsável " - consegui dizer, em meio à surpresa e à emoção.
E ela: " Sei de tudo, mas terás muitas surpresas nesta casa. Tu sabes quem eu sou? "
E respondi, chorando muito: " Sim sei, a senhora é a minha vó! "
Ela me abraçava e eu não tinha vontade alguma de sair dali.
Terminamos o atendimento extasiados, porém tentando ainda ser racional, tentando entender como ela havia me encontrado através da Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Começamos, imediatamente, a frequentar todas as reuniões possíveis, festas e aguardávamos ansiosamente pelos encontros de sábado.
Fomos no próximo sábado e recebemos o atendimento separadamente.   
Na saída do atendimento a Márcia me chamou, chorando muito, dizendo o seguinte: 
" É a tua vó, ela me disse muitas coisas lindas, mas quer falar contigo ".
Novamente já sentei chorando, fui muito abraçado e senti o carinho. Se havia alguma dúvida, ali era totalmente dissipada. Ela me dizia que nem sempre estaria ali, mas viria algumas vezes até que recebesse autorização para trabalhar naquela casa. Ela começou a responder todas as minhas perguntas, desde a minha infância, que somente eu e ela sabíamos, era nosso código de confiança. Nunca havia falado das minhas angústias, desde a sua morte, com ninguém. Guardei a dor por 42 anos.
Eu pensava: " está tão bom, não quero que acabe nunca nosso contato ", mas sabia que ela tinha que ir, seu tempo era limitado, sua presença era apenas para acalmar meu coração e reafirmar que nunca havia me abandonado, mesmo após a sua morte , quando eu tinha apenas 10 anos de vida, até meus momentos de perigo, de dor, e de alegria.
Nunca pode se aproximar antes, mas me acompanhava de muito perto, e falou das minhas intuições, que muitas vezes era ela quem respondia meus pedidos.
Começamos então uma jornada assídua na maravilhosa Casa do PJ, como é carinhosamente chamada por todos, passando por diversos atendimentos, até que mais uma vez, após 1 mês, num sábado à tarde, a música toca no meu atendimento. Eu penso nela e o Preto Velho me avisa que ela estava ali para me dar um abraço.
Começamos a conversar e ela me diz: " agora posso te revelar, vou trabalhar na Casa, com esta música que tu ouviu. Sempre que precisar, lembra da música que estarei por perto. "
Eu falei: " Sempre pensei na música pensando na senhora, que incrível , e agora aqui estou realizando o que sempre busquei na minha vida. "
Nossos encontros continuaram, as mensagens também. Adorávamos a Casa e a frequentávamos religiosamente, com muitas descobertas. A família também passou a frequentar junto, todos os meus filhos e minhas Tias, para minha alegria e a família da Márcia.
Eis que numa segunda-feira chuvosa, acordo pensando muito na minha Vó e ligo para marcar a consulta para o sábado. Como já era tarde, acreditei que não daria mais tempo para marcar para a própria segunda-feira.
Consigo ainda marcar para a segunda-feira  e vamos para lá no mesmo horário, às 19 horas.
Aquele dia estava sendo muito especial, estava pensando desde a manhã na minha Vó e queria entender o motivo de tais pensamentos. Sou chamado para ser atendido e, no meu íntimo, vou pensando: hoje vou conseguir falar com ela novamente, ela virá, hoje vamos manter contato.
Quando começou o atendimento,  sou recebido com aquela ternura, aquele amor que  posso afirmar:  é um amor imenso,  tão intenso que é indescritível e impronunciável.
Choramos muito, eu e ela, quando ela me diz: eu precisava falar para ti primeiro ,  quem eu sou.
Vó Mariana
Eu te esperava hoje aqui, se tu não viesse eu ia te buscar. Vou te revelar o nome com o qual vou trabalhar aqui na Casa, depois tu explica para eles quem eu sou: Meu nome de trabalho será Vó Mariana.
Conversamos muito sobre tudo e sobre todos, ela me abraçando, dizendo de toda sua experiência e eu, sem nenhum lado racional mais fluindo sobre meus pensamentos, sendo somente emoção, aproveitando cada segundo, cada palavra dita, cada oportunidade de conviver com ela.
Ela agradeceu muito à Márcia por ter começado os contatos, por ter servido de link, por ter fé , mesmo sem ver nada, simplesmente ter seguido o que ouvia, sem duvidar.
Finalmente havia chegado o dia das revelações. Nunca havia frequentado um lugar com tamanha energia, com tamanha força. Se existia alguma dúvida, ela havia sido dissipada com todos os acontecimentos.
Agradeci muito a Deus por me conceder uma nova chance na vida, por me dar a ficha dois, por me abençoar em todos os momentos.
Mas ainda não havia acabado.
No último sábado, para concluir a história, ou para iniciar a história, mantive contato com um Preto Velho, que foi a origem de todas as nossas idas à Casa PJ.
As revelações foram emocionantes, mesmo tendo recebido diversas informações através da Vó Mariana, o Preto Velho aprofundou bem mais do eu esperava e foi direto ao ponto. Revelou minha verdadeira missão, e simplesmente, respondi: “ Estou pronto.”
O Preto falou direto com meu coração, ouvi o som do meu coração mais intenso do que das outras vezes,  e percebi que ele sempre falou comigo. Eu estava embrutecido pelas dores físicas que nos adormecem na jornada da vida. Não imaginava que conseguiria encontrar todas as respostas, rapidamente, num só lugar.
Eu pensava que conhecia a Verdade, agora eu sei e posso afirmar: Conhecereis a verdade e a verdade Vos Libertará.
O texto tem como intuito, externar nossa  gratidão pela acolhida, nossa gratidão aos Dirigentes e Irmãos da Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Certa vez li um artigo sobre os Hindus onde eles afirmavam que  Deus sempre diz sim. Nós, humanos é que pedimos , na maioria das vezes, com erro.
Consegui chegar na porta, bater três vezes e entrar. Agora sinto que realmente começo a verdadeira caminhada e pretendo participar dela plenamente.
“Pedi e vos será dado, batei e abrir-se-vos-á!!!


Obrigado Meu Deus!!!
Obrigado Pai Joaquim!!!
Obrigado Vó Mariana!!!
Obrigado Pai José!!!
Obrigado Pai Miguel!!!
Obrigado Pai Benedito!!!
Obrigado Vó Maria Redonda!!!
Obrigado Cândida e Ricardo!!!
Obrigado Márcia, por sempre acreditar e não me deixar cair, mesmo diante da maior adversidade. Tua postura foi mais uma vez imprescindível para que hoje estivéssemos iniciando esta nova jornada. 
Que bom que começamos juntos. !!!

Texto de Carlos Eduardo Gomes Sérgio










2 comentários:

  1. Meu coração é forte, agüenta, mas é impossível não derramado lágrimas com tudo que aconteceu conosco. Obrigado!!!

    ResponderExcluir
  2. Eu já tinha lido o texto, claro, quando recebi. Mas ao relê-lo para postar e escolher as imagens, me emocionei novamente. É uma história linda, com certeza. Merecimento de vocês, meu amigo, merecimento.

    ResponderExcluir