O que veio depois...
A cirurgia havia sido um sucesso, mas algo estava diferente
no meu despertar, dentro da UTI.
No início, achava que eram efeitos dos anestésicos, porém com
o passar do tempo, as visões foram se
intensificando. Juntamente comecei a ouvir muitas vozes, gritos, urros, gemidos
e sons bem baixos.
A todo instante era despertado por gritos e as visões não
paravam. Não sei quantas noites consegui dormir, sonhava acordado.
O mais incrível é que estava muito feliz , reaprendendo
a viver, a respirar como uma criança pequena.
Saí do hospital rapidamente pós-cirurgia, tendo ficado
somente 4 dias. Fiquei tão cheio de energia que comecei a fazer exercícios,
chegando a caminhar, diariamente, 6Km. A
família ficou tão motivada que passou a me acompanhar diariamente nas
caminhadas. Todos os filhos e esposa. Passados 48 dias após a cirurgia,
estávamos participando de uma Caminhada da Longevidade.
Ainda na fase de recuperação, fui convidado
a viajar para Portugal. Adiei ao máximo, porém quando completou seis meses, com
as devidas autorizações médicas, iniciei minha jornada novamente.
A viagem me trouxe muitas lembranças, muitos contatos e uma
impressão fixou-se na minha mente:
“Já estive aqui, tudo é tão familiar”.
Curiosamente, tudo fluiu em Portugal, como se eu fosse “português”
e conhecesse a todos. Ouvia muitas críticas antes de viajar referente ao acolhimento dos portugueses, mas no meu
caso e da minha família, só temos elogios, pois nos receberam muito bem e nos
abriram fronteiras inimagináveis.
Nos períodos em que viajava, meu contato com minha família
era pela internet, onde ficávamos as vezes mais de duas horas conversando e
ponderando sobre tudo o que estava ocorrendo. Sonhava muito com minha mãe e
continuava ouvindo algumas vozes aliadas a algumas visões muito estranhas, porém
sentia que elas já estavam entranhadas na minha vida. Citando Fernando Pessoa: “ O estranho que entranha ”.
Voltei ao Brasil, busquei a Márcia e a Duda, e voltamos para
Portugal para um período de negócios e passeios. Nossa viagem é uma história a
parte, diante das coincidências que encontramos juntos. Era sempre como se já
estivéssemos estado lá juntos. Com certeza farão parte de outra narrativa, pois
tem tudo a ver com nossa ligação com o Povo Cigano.
O retorno a Portugal
Em janeiro deste ano, retorno sozinho a Portugal para
realizar um negócio e, chegando lá, nada do que fui fazer acontece.
Começo a ficar muito mal de saúde, porém nos contatos diários
com a Márcia, no Brasil, ela começa a me transmitir mensagens , sobre o que ela
ouvia. Estava muito enfraquecido, peguei um resfriado que virou gripe, afetou
minha imunidade e dificultou ainda mais minha vida. Diferente de tudo o que
havia ocorrido antes, desta vez tudo estava “errado”, as pessoas que apareciam
agora não eram tão afáveis como as de antes. Fui ficando deprimido. O tempo
estava se esgotando e nada acontecia, minha saúde se debilitava cada dia mais.
Estava fechado e não queria acreditar que meus problemas eram
decorrentes de “algo” espiritual. Acreditava que tudo era culpa minha e de que
não deveria ter confiado tanto nas pessoas. Não tinha mais a “música”, ou não
queria ouvir a voz do meu coração.
O estranho era que a Márcia foi me “catequizando” com as
mensagens, e isso melhorava um pouco num dia, mas no outro afundava novamente.
Um certo dia ela iniciou com uma conversa estranha, de que eu deveria
voltar para minha infância, e relembrar tudo, que tudo estava na minha mente. Eu
questionava: Tudo o quê?
Milagrosamente, de tanto ela insistir, eu respondo: minha
infância só tem uma ligação importante, a minha Amada Vó.
Vó Idulcina |
Imediatamente , como num passe de mágica, começo a relembrar
minha ligação com a minha Vó Idulcina. Desde os primeiros passos na Escola, nas vezes
que sentávamos juntos para jogar Canastra, nos sábios conselhos. Na medida em
que viajava, mergulhava nas Festas Religiosas relembrando como ela ficava linda
ao incorporar O Pai Oxalá.
Pronto, estava restabelecida a ligação. Mesmo
inconscientemente, eu havia despertado minha ligação com meu passado. Não foi
um exercício fácil e, mais uma vez, por algo que não conseguia ainda explicar, começo
a receber uma carga de energia incrível e revitalizadora.
Além de voltar a praticar meus exercícios diários, recomeço a
ouvir, mentalmente, a
música da D. Cila. Agora consigo ouvir , frase por frase, e começo a distinguir
a riqueza da música. Começo a ligar a música as memórias de minha Vó e Mãe. Engraçado
que a música aparece no facebook, no avião, nas rádios, na internet. No mesmo
período, todos os negócios que antes não estavam finalizando, começam a fluir.
Fui melhorando de saúde e a Márcia, num sábado pela manhã,
corta a conversa e me avisa: hoje vou ter que sair mais cedo, tenho um
compromisso a tarde, quando voltar falamos.
Não questionei nada, nem onde ela ia e nem o que iria fazer.
Mas junto com sua ida ao local que parecia bom, mesmo sem saber, a música da Dona Cila ficou intensa na minha
mente. Fui invadido por uma onda de otimismo e comecei a pensar que tudo seria
resolvido.
Imediatamente agradeci a minha vó, pois achava que de uma
maneira ou outra, ela estava ali, ao meu lado, me ajudando.
Montando o “quebra- cabeças”...
Subitamente, tudo o que estava trancado destrancou e os
negócios começaram a andar. Recebi ligações naquela tarde para encontrar com
uma pessoa que aguardava desde que cheguei, onde começaríamos a fechar um dos
negócios que me dariam suporte para todos os demais.
Ao final do dia, Márcia chegou em casa e me ligou. Eu querendo
transmitir as notícias boas e ela querendo me contar a experiência que tinha
vivido, magicamente, naquela tarde de sábado.
Sempre questionava algumas casas que frequentávamos, e
surpreendentemente, quando ela começou a me contar sua experiência na Casa PJ (apelido carinhoso com o qual os médiuns se referem a esta Casa),
aceitei naturalmente, como se alguém estivesse intermediando nossa conversa através da internet. Tínhamos interlocutores espirituais dos dois lados, que
traduziam tudo, na melhor linguagem possível.
Mais uma vez, ouvia a “Voz do Coração”, ainda sem entender.
Ela me dizendo que estava maravilhada com a experiência, como
havia chegado na Casa PJ, sobre o livro Tambores de Angola, a descoberta do
blog escrito pela Cândida e as orientações que recebia.
Curiosamente, algumas
orientações que ela recebia eram pela internet, mas como seu computador havia
ficado em Portugal, a única opção era um pequeno celular, e isso, realmente,
foi uma façanha, pois a internet nunca funciona quando estamos no Brasil, e,
milagrosamente, conseguíamos falar no Skype e ela pesquisar o blog, na
Internet, simultaneamente.
Em nenhum momento ela me contou que havia ouvido a música da
Dona Cila, durante os trabalhos, mas nas conversas, com muito jeito, ela
começou a me transmitir os recados e o principal era o que ela já havia me dito:
“O Preto Velho te mandou um recado, pediu que tu relembrasse a tua infância,
tudo o que procura está lá, basta relembrar”.
Começava ali, tudo a fazer sentido, ao relembrar minha
infância restabelecia o vínculo com minha Vó e , ao mesmo tempo, era auxiliado
a entender e a me libertar da dor pela morte da minha Mãe. Inicia o processo, após longos e intermináveis
dois anos, da aceitação da sua partida, da libertação da dor pelo seu
sofrimento.
Vó Cela - a mãe de Carlos |
Confesso que foram dois sentimentos conjuntos: um que me
energizava da cabeça aos pés, oriundo da minha Vó
e outro que inundava meu coração de amor, que era da minha Mãe.
Chorei muito, sozinho, num quarto do hotel, mas finalmente
começo a me despir da dor pela perda da
minha mãe.
Ao mesmo tempo, as perguntas que eu fazia, desde criança,
pela perda da minha Vó, diretamente a ela, começavam a ser respondidas, mesmo
sem eu ainda entender: Por que a senhora morreu quando eu mais precisava da
senhora? Por que eu sofri tanto na minha infância pela sua perda? Por que Deus
lhe escolheu num momento em que eu estava me desenvolvendo, progredindo na
escola, com 10 anos? A Senhora tinha um papel de Pai e Mãe, como eu faria tudo sozinho,
já que minha Mãe estava muito doente na época?
Pela primeira vez eu ouvia as respostas, mas ainda não
conseguia estabelecer ligação alguma com a visita da Márcia ao PJ. Acreditava
que era um pouco de loucura com o desejo de respostas, mas me fez muito bem,
aliviou uma dor no meu peito e me deu ânimo para concluir tudo.
Passados dois dias,
finalizo os negócios e consigo voltar ao Brasil no dia que que precisava voltar.
Após todos os abraços, na chegada, a Márcia me revela que havia sido avisada que no próximo sábado, eu e ela estaríamos juntos, entrando pelo portão da Casa
do PJ.
Continua....
Texto de Carlos Eduardo Gomes Sérgio
O mais incrível foi nossa ligação telepática , fomos inundados por uma onda de amor, mesmo com um oceano de distância. Algo muito especial deveria estar guardado.
ResponderExcluirE estava, não é mesmo?
ResponderExcluirCom certeza, nós sentimos abençoado!!!
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