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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Um E.T. no Terreiro


Por: Cândida Camini

Era noite de atendimento com o Povo da Rua.
Os Cumpadres e Cumadres fazendo seu trabalho como sempre.
Mas tinha algo no ar.
Tava diferente.
Perto das 21h os médiuns começaram a ir embora, um a um.
Fato estranhíssimo, considerando-se que em dia de Exu ninguém arreda pé do Terreiro antes do último toque do tambor.
Mas este dia tava diferente.
A energia tava diferente.
Tudo, parece, tava diferente.
Até que só restaram oito médiuns.
Vinte e uma e trinta, hora de mandar Exu embora:

" Exu vai pelo pé, pelo pé
  Exu vai pela mão, pela mão
  Exu vai pelo pé, pelo pé
  Exu vai pela mão, pela mão
  Exu já vai embora
  Olha banda, com banda
  Exu vai só "

Exu Caveira, o chefe dos trabalhos neste dia, se prepara para ir embora, mas antes cumprimenta um espírito que incorporara não fazia muito, e que de forma muito estranha, se movimentava de joelhos, rosnando baixo.
Ele se levanta, abre os braços e rosna mais alto.
A face do médium que lhe dá passagem se crispa num rito quase que de dor.
Anda em círculos, como que tentando captar algo enquanto volteia.
Olhos mais acostumados a ver o invisível, identificariam uma fumaça negra girando como num redemoinho.

E conforme ele gira, a fumaça vai se dissipando e ele vai adquirindo uma forma estranha, como se tivesse asas. As trevas vão cedendo lugar à luz.
Nesse momento chega um dos dirigentes espirituais do Terreiro e se apresenta, pedindo permissão para auxiliar na comunicação, liberando o aparelho vocal do médium para que ele pudesse falar.

" Eu venho do submundo. Eu venho das furnas mais profundas, onde parece não haver vida, onde parece que a luz nunca vai chegar. Onde só o vazio habita. " - foi sua primeira frase.

Susto, surpresa, medo, curiosidade, foram as sensações dos presentes. 
Expectativa, dava para cortar o ar com uma faca.

" E sabem por que eu estou aqui hoje? - ele continuou
  Porque pessoas como vocês, quando se reúnem para fazer este trabalho de caridade, projetam uma energia tão forte, mesmo sem se darem conta muitas vezes, que consegue chegar até onde nós estamos. E é esta energia que os espíritos da Luz utilizam para nos resgatarem. E é esta energia, presente aqui agora, que emana de vocês, que consegue fazer com que eu me transforme. E se vocês tem o poder de transformar espíritos endurecidos como eu, porque não acreditam que podem transformar a vida de vocês mesmos? "

Silêncio....

" Eu vim de muito longe, de uma outra galáxia, há milhares de anos. Vim para seguir a minha evolução, mas logo me perdi, e cheguei no mais fundo que um ser pode chegar. E lá permaneci por muito tempo, tanto que já perdi a conta. E hoje eu estou aqui, graças a trabalhadores como vocês, que se doam por amor, sem ter a exata medida do alcance deste amor. "


E enquanto falava, continuava a sua transformação. 

Era hora de voltar pra casa. Seus iguais já estavam lhe aguardando.


Antes do encerramento dos trabalhos, os médiuns presentes foram banhados por uma água Crística, cristalina, pura, tão intensamente luminosa que os olhos humanos não podiam perceber, mas que seus corações puderam sentir em toda sua intensidade.

Estava findando mais uma gira de caridade na Umbanda.

Os médiuns, um a um, cumprimentam o Congá:

“ Meu Pai Oxalá
  Obrigado, meu Pai, que bom
  As voltas do Teu abraço
  São laços de luz e som “


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