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domingo, 4 de dezembro de 2016

Quando o coração fala [10]

Esta série de artigos que nomeei 'Quando o coração fala' é um espaço aberto a todos que quiserem compartilhar suas experiências, emoções, encontros, enfim, abrir o coração no que se refere a nossa Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Desta vez é a Kelly, médium da Casa desde 17 de janeiro deste ano de 2016.
Fiquei observando ela numa de nossas Giras e minha intuição me disse que estava ocorrendo algo muito importante e emocionante com ela.
Pedi que nos contasse esta história e ela, para nosso deleite, prontamente atendeu.
Aí está!

Kelly Kaiser
" Era 02 de novembro, Dia de Finados.

Durante o dia estava sentindo uma energia digamos que um pouco "estranha". Lá no fundo, eu sentia uma vontade muito forte e intensa de reverenciar meus ancestrais. Até aí, tudo certo, afinal de contas o dia era deles, dos mortos. Eu desconfiava que a tal sensação fosse por causa da data. Pensava comigo mesma, "sim, hoje é Dia de Finados! acho que estou vulnerável pela data! Estou pensando mais nos meus familiares, avós e bisavós que já desencarnaram. Sim, é isso! Dia nostálgico de relembrar daqueles que não estão mais nesse plano!". Coincidentemente, era uma quarta-feira, dia em que me ponho disponível a auxiliar na Casa Pai Joaquim de Cambinda.

Chegando ao terreiro, percebi que a energia que eu sentia durante todo meu dia se intensificou!

Era dia de atendimento com o Povo Cigano. A sessão transcorria como sempre, na mesma ritualística. Porém eu sentia tudo diferente! 
Os atendimentos começaram. Cada vez mais sentia que não estava sendo um dia "normal". De repente, senti vontade de andar em círculos, como se estivesse em volta de uma fogueira! A única coisa que queria era estar de olhos fechados, mas como eu sou difícil de me entregar às energias, sentia que a estranheza só aumentava. Quando percebi, embora lutasse com aquelas energias, eu já não estava mais no controle! Uma energia feminina muito forte estava ali comigo!

O tempo voou! Quando chegou a nossa vez, dos médiuns receberem atendimento da Casa, fui sutilmente intuída a passar com determinada entidade.  E assim foi. Ao parar em frente da médium, a energia feminina se manifestou. Muito amorosa, a entidade falava "deixa ela vir, filha! Pare de lutar! Você já está pronta para recebê-la! Apenas se entregue!". Eu, muito controladora, não me entreguei por completo. Sentia aquela energia maravilhosa, mas não acontecia a entrega real. Foi então que, atentamente, escutei os conselhos e todas as palavras que a entidade me dizia.

Primeiro, relatou a aparência daquela mulher que me acompanhava. Ela estava vestindo um vestido verde e seus cabelos eram castanhos e longos. Tinha conhecimentos de religiões muito antigas, como a pagã, Wicca, Xamanismo e com grande influência da floresta também! Ao mesmo tempo em que recebia as informações, a entidade dizia para que eu não me preocupasse, pois todas aquelas informações seriam entendidas. Esse espírito feminino não era a cigana que eu esperava que fosse. Mas não importava, porque o essencial é a forma como ela trabalhará. Independente da linha de trabalho, imprescindível é ajudar o próximo!

Ela não era uma cigana como pensei. Sua luz era tão linda e como tinha amor! Estava se apresentando a mim como "A grande Mãe Irlandesa". Juntas, começaríamos a trabalhar daqui para frente! Recebi e acolhi toda aquela energia. Ao me despedir dela e do meu passe, com as pernas moles, estava ainda digerindo tudo. Precisava me recompor! Naquela avalanche de emoções, ao procurar uma cadeira para sentar, "A Grande mãe Irlandesa" chegou para valer! Ali, me contou que era uma Deusa Sacerdotisa Celta Druida. Era a mulher dos meus sonhos! Nossa! Quanta emoção e que reencontro! Ela me abraçava e eu só conseguia chorar! Durante muito tempo, sonhei com uma mulher, linda, maravilhosa com cabelos compridos e morenos que tocava harpa pra mim. Os sonhos eram como um bálsamo! Passavam-me tanta paz! Eu adorava sonhar com ela! E eu não estava acreditando no que estava acontecendo comigo! Que dia! 

A gira terminou. Ao fazermos nossa prece de encerramento, o Ricardo ou a Cândida sempre perguntam se queremos incluir alguém em especial na oração, senti outra vez aquela necessidade de reverenciar os nossos ancestrais. Afinal de contas, ainda era o dia deles, dia dos mortos. Mas, como aprendi na Umbanda, dia dos mortos são todos os dias. E ali, trabalhamos mais com os desencarnados do que com os encarnados, então simplesmente me calei.

Chegando em casa, como uma boa médium moderna da Nova Era (hahahaha!) parti para minhas pesquisas com a entidade "Google". Eu queria saber mais sobre a cultura Celta e sobre a Deusa. Na minha busca, apareceu uma enxurrada de informações e senti que ela estava ali junto a mim. Assim, pedi para que me guiasse e me ensinasse sobre seu povo. E assim foi feito! Primeiro, ela me conduziu a escutar uma oração Celta, lindíssima! Depois me explicou o que havia acontecido durante meu dia. Segundo a cultura Celta, em uma data próxima a 1º de novembro, quase sempre ocorrendo no último dia de Outubro, os celtas celebram o "Samhain" um culto sagrado para os ancestrais. Nessa noite, o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com os ancestrais torna-se mais fácil entre eles! Aí, entendi tudo!
Minha amada, "A Grande Mãe Irlandesa" se chama Danu. É reverenciada como senhora da terra, da água, da abundância, da plenitude da natureza e da soberania. Ela representa a "força ancestral" da terra, a fertilidade, a vida e a morte. A Deusa Danu, foi posteriormente considerada como a representação da tríplice, manifestação divina, tendo três faces ou aspecto e seu nome representa conhecimento.

Essa experiência foi muito linda e intensa! Me trouxe muitas reflexões internas e muitos aprendizados também, que certamente não terminarão por aí! Sigo recebendo insights sobre toda essa cultura. Lá, no meu íntimo, descobri que sinto minha alma também Celta, afinal, agora as pecinhas do quebra-cabeça começaram a se encaixar! 

Compreendi que as viagens mais místicas e profundas que fiz até hoje na minha vida não foram por acaso! Ao visitar a Irlanda, Escócia e o sudeste da Inglaterra, entendi que os três locais formam (coincidentemente?) a tríplice da cultura Celta! No fundo, ao ver de pertinho os impressionantes círculos de pedras, Stonehenge, sabia que aquele lugar não me era desconhecido! 
Principalmente quando aquele Mago de capuz se aproximou de mim, com seu misterioso cajado. Mas essa história, contarei outro dia... Enquanto isso sigo firme e serena, montando meu quebra-cabeças, caminhando com a Umbanda e encontrando, sem pressa e com muita alegria, as peças que ainda falta para completar a história da minha vida!

Por: Kelly Kaiser, médium da Casa


 



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