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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quando o coração fala [7]

O Luciano Prates chegou até nossa Casa conduzido por seus amigos espirituais, já que no Blog não divulgamos o endereço.
Uma tarde bateram palmas no portão, fui atender e lá estava ele, curioso, meio que assustado, não acreditando que era aqui mesmo rsrsrsrs
Isto porque também não temos nada que identifique ser aqui um Terreiro de Umbanda. Moramos na frente e as giras acontecem numa antiga garagem, nos fundos, que foi transformada na Casa Pai Joaquim de Cambinda.
Conversa vai, conversa vem, me contou que achou o endereço na Internet. 
Surpresa, perguntei como, já que não publico o endereço em lugar algum.
Pois ele achou no Google e me explicou como. 
Confesso que depois fiz várias pesquisas no Google, de tudo que é forma, e não consegui achar. 
Enfim, aqui chegou, em abril deste ano e aqui ficou.
Entrou para o grupo de estudos e tem frequentado a casa regularmente.
Estes dias recebi um e-mail dele, que se enquadra bem nesta série de textos "Quando o Coração Fala" e vou reproduzí-lo a seguir, pois tenho certeza que muitos irão se identificar com ele:


" Gostaria de contar alguns acontecimentos para vocês. Primeiro quero dizer que sinto muita necessidade de estar ai no terreiro, muita mesmo. Está cada vez mais dificil para mim ficar sentado na assistência. Fico sempre com um gostinho de quero mais, com um sentimento de que posso ajudar mais e mais.
Minha vida mudou muito desde que cheguei aí. A palavra 'eu' praticamente não existe mais, foi substituída por nós.Porque me sinto sempre acompanhado por meus protetores, pela corrente mediúnica, por Deus. Entendo agora que não  faço  nada sozinho, aliás nunca fiz, apenas não enxergava isso.
Quero falar sobre a semana do povo cigano que passou , precisamente no atendimento de quarta feira passada.
Para aqueles que acham que somente gira de Exu e Caboclo é forte, foi uma lição. Confesso que me surpreendi também com tudo que aconteceu. Sempre respeitei e admirei o Povo Cigano, mas jamais vou esquecer o que se passou.
Cheguei ao Terreiro cedo como sempre faço e fiquei sentado aguardando o começo da gira. Logo que começou,  senti a presença espiritual de um cigano, pois estava bem conectado com a vibração das músicas que estavam tocando. Percebi quando Pablo (Cigano dirigente dos trabalhos neste dia)  passou dividindo o pão e o vinho como é de costume mas eu não podia me mexer, estava em uma energia muito boa e não consegui responder a ele, que me chamou e permaneci ali imóvel. Nem imaginava o que viria pela frente. Apesar de toda energia boa que recebi, logo que voltei ao normal, comecei a travar uma luta muito grande. 
Pensamentos ruins tomavam conta de mim. Eu tinha pedido à Cândida uma consulta, achei que estava demorando e uma voz na minha cabeça me dizia que seria esquecido, que meu horário seria dado a outras pessoas, que eu não era importante, por que não saia correndo dali , por que não ia embora logo, enfim. Eu tinha comprado um vinho para presentear a Cigana e a mesma voz me sugeria que eu fosse embora e que “nós” poderíamos tomar aquele vinho juntos. Eu já não aguentava mais aquilo, estava totalmente alterado. Queriam que eu fizesse o que fiz boa parte da minha vida, simplesmente atirasse tudo para cima. Consegui levantar e fui até a Cândida e reclamei por ter a mesma esquecido de mim. Ela,  prontamente como sempre, mesmo com o adiantado da hora, me encaminhou à Cigana Esmeralda. Confesso que me deixei alterar e neste momento já tinha me perdido. Consegui chegar até a Cigana, ela me recebeu muito bem, mas eu  não soube lidar com a situação e frente à Cigana não pude receber toda a ajuda que me estava sendo oferecida, por minha própria culpa.Voltei à assistência e fiquei  ali sentado, já analisando tudo que tinha acontecido, como eu iria pedir desculpas à Cândida por ter sido mal educado, minha cabeça dava voltas e mais voltas, então novos fatos começaram a acontecer.

Uma médium deu passagem a um espírito, não sei como chamar, “egum” talvez, e toda a corrente começou a trabalhar forte. Alguns caíram no chão, não por serem fracos e sim por amor, por caridade, auxiliando os” irmãozinhos necessitados”. Foi então que meus protetores fizeram com que eu me aproximasse da corrente e doasse  energia. Mais uma vez começou um diálogo dentro de mim, eles me diziam “Tu não está nesta corrente, o que tu queres aqui?” Minha resposta foi ”não estou nesta corrente mas a corrente está em mim”.  Aí perguntaram para mim: "quem é teu chefe, quem é teu líder?”. 
Prontamente respondi: ”meu chefe é Deus, meu líder é Deus, se tivessem alguma coisa a reclamar que reclamassem a ele.” Neste momento consegui ficar em pé e realmente me concentrar. Logo a corrente inteira estava firme e forte e foi encerrado mais um trabalho vitorioso.
Como sempre acontece, não dormi aquela noite, pois fico muito ligado ao que acontece no terreiro nos dias que estou lá, analisando tudo, e muitas vezes me pegava negociando com aquele irmão que não aceitou ajuda. Minha cabeça dava voltas e mais voltas, sei que tenho que melhorar muito isso. O tempo passou e chegou a sexta-feira, dia de estudos e por “coincidência” era prática com o Povo Cigano. 
Mais uma vez iniciou a gira como de costume, e também como de costume fiquei ao lado do Pai José. Algumas sensações estranhas chegavam até mim, alguns arrepios, uma energia diferente. Foi então que Pai José me perguntou: "Sabe quem esta aí né?” Olhei para ele e fiz sinal com a cabeça que não, não sabia. Então Pai José perguntou: "Por onde tu andou quando estava dormindo?” Mais uma vez eu não tinha esta resposta e foi então que acabei me curvando na cadeira e não pude mais me mexer, 'ele' não me deixava nem abrir a boca Eu fazia esforço para falar, para me mexer, mas não conseguia. 
Vi quando a prática dos Ciganos começou, queria participar, mas não podia. Então comecei a dizer várias vezes :”eu tenho fé, eu tenho fé, eu tenho fé”. Lembrei daquela médium na quarta e também comecei a dizer: ”Meu Deus, se o Senhor quer assim, que assim seja.” Lembrei muito da Mãe Oxum, de todo o seu amor e foi então que percebi a Cândida tentando me ajudar. 
Não pude responder, ele me trancava e neste momento ela chamou a Cigana Constanza, que trabalha com a médium Ana Ramos e ela prontamente veio até mim e começou a me auxiliar.  Disse ela: "Eu sei que tu estás me ouvindo, mostra que tu és mais forte do que ele". Lentamente comecei a falar algumas palavras, consegui abrir os olhos e logo, com a ajuda da Cigana,  estava em pé. Ainda me sentia meio mole, quando finalmente “ele” chegou, furioso, com raiva, rosnando feito bicho, querendo botar medo. A Cigana olhou e disse: "Resolveu chegar, agora é o momento de você pedir ajuda”. Ele ignorou e disse que eu já estava atrapalhando muito e que tinha calado minha boca, tinha mostrado que era mais forte. A cigana respondeu que eu estava crescendo e que não tinha importância nenhuma ele ter me calado e voltou a repetir que era o momento dele pedir ajuda. Ao que ele retrucou: " eu não levo fé em ti !" 
Nossa, foi então que me surpreendi muito com a reação dela. A Cigana deu uma sacudida nele daquelas e enfiou uma faca nele. Senti uma dor muito forte, senti como  se fosse uma facada energética pois a energia dele sumiu, desapareceu. Ela quis levá-lo à força mas ele ainda assim resistiu e disse a ela: "Ainda estou aqui e não estou sozinho.” 
Ela nem deu bola e respondeu: "Eu sei que você ainda esta aí e eu  também não estou só, e você só está em pé porque o médium esta em pé, do contrário, já estaria no chão!".
Entendo que ele estava em pé porque eu estava, mas eu também só estava em pé porque a corrente estava me dando energia, cuidando de mim. Então nosso amigo finalmente caiu na realidade, se sentiu fraco, derrotado, sentiu vergonha por ter sido derrotado, e derrotado por uma mulher, uma Cigana. Ele havia falhado (na cabeça dele é claro).  Vencido, rogou por sua família, a Cigana pegou suas mãos e finalmente ele recebeu a ajuda que precisava. Mais alguns médiuns deram algumas passagens, mas mais uma vez a gira se encerrou com vitórias.
Fiz questão de falar para mostrar a força do Povo Cigano, o quanto esse povo luta e faz, a força de uma mulher que sorri, que é tão bela, que dança, mas que enfrenta uma situação como esta narrada, com FÉ, com AMOR, com DETERMINAÇÃO e com muita CORAGEM .
É o trabalho do mundo espiritual e toda sua proteção. 
Só o amor constrói. Só a união de todos nos dá a força para vencermos as batalhas.
Que Deus ilumine a todos nós! "

Luciano Prates, um aprendiz na Umbanda.


2 comentários:

  1. Que bom Luciano Prates que compartilhou tua experiência conosco. Povo cigano tem magia, tem força, tem sabedoria e passa despercebida porque é desconhecida ou ignorada por nós, pois eles a usam de forma muito sutil no gingado da sua dança e por trás de um belo sorriso. Nos protegem muito mais do que possamos fazer ideia, seja na estrada da vida, do amor, do trabalho. Tenho muito respeito por esses amigos e agradeço sempre por esta convivendo com toda essa energia que eles nos trazem.

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  2. Luciano Prates! Só tenho duas palavras " Muito Obrigada! " Amo muito o Povo Cigano. Povo de muitas lutas, mas também de muitas alegrias, de sorrirem na hora exata das dificuldades. De levar a chama do Amor aos corações sofridos e necessitados. Povo Cigano é Puro Amor! Alegria e Força! Otimismo e Coragem sempre! Na dança, nos dá a leveza e a delicadeza, de sentir profundamente a cada passo, a cada tom, da música tocada. Uma Energia Incrível!!! Maravilhosoooo!!! É estar de braços abertos e se entregar, sentindo os elementos da natureza em nós mesmos. Liberdade!!! Paz!!! Saúde!!! Amor!!! Prosperidade e Harmônia!!! Viva o Povo Cigano!!! Viva Santa Sara Kali!!! Deus de toda a Energia e do Universo, abençoem e iluminem a esse Povo Querido!!! Felicidades!!! Paz e Amor!!!! Luz!!!! Muito Obrigada!!!!

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