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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Quando o coração fala [6]

Esta semana o Ricardo e eu estávamos conversando sobre o tamanho da responsabilidade que temos e que não dimensionamos, claro, sobre a vida das pessoas que vem a esta Casa.
Conversando com um casal que aqui vem regularmente, tive a idéia de pedir a ela, a esposa, que escrevesse sobre a relação deles com a Casa, como chegaram até nós, enfim, contassem a sua história, para que eu publicasse aqui no Blog. E saiu esta maravilha, que vou publicar em capítulos, porque é um pouco longo (e isto que é só a parte dela, ainda estou aguardando o texto dele, o marido), mas que vale à pena.
Obrigada, Márcia, pelo lindo texto! E vamos a ele:


Salve, Salve Essa Nêga! (Parte I)

 “De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu...”
Era sábado, dia de “Pretos velhos”.
E lá fui eu em direção a “não sei onde”, com uma única certeza na mente: que deveria ir. Naquele momento não parecia fazer sentido questionar, seguir em frente era a única atitude que me ocorria. 
Mas ir para onde, se nem um endereço eu tinha? 
E aquela voz, insistindo em me lembrar: “Hoje é dia de pretos velhos”. 
E lá fui eu, sozinha (ou pelo menos achava que estava) seguindo as poucas pistas que me eram dadas mentalmente – Sim, eu ouvia vozes! - Peguei o ônibus em direção ao bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, que aliás conhecia muito pouco, para não dizer que desconhecia totalmente, acho que fui uma única vez para aqueles lados – Disseram-me que ficasse calma que tudo daria certo, que alguém me ajudaria a chegar.
O ônibus rodou por quase uma hora e nada do “sei lá quem” que “eles” disseram que iria me ajudar. 
Na entrada do bairro havia um ônibus parado com problemas mecânicos e todos os passageiros foram obrigados a trocar para o ônibus em que eu estava. Eis que entra uma senhora, se dirige ao cobrador e pergunta: 
“O senhor me avisa quando chegar na Rua 21 de Abril, na esquina da farmácia?” 
Pensei que só poderia ser ela!  Apressei-me em perguntar se poderia acompanhá-la, pois ia para o mesmo lugar. Não tinha nada a perder, àquela altura achava que nem a sanidade eu tinha mais, então perderia o quê?  
Não tem aquele ditado que diz que “qualquer caminho serve para quem está perdido?” Então? O máximo que poderia acontecer era chegar a lugar nenhum e ter que voltar de onde comecei. 
Desembarcamos e ela me perguntou se iria na “casa” também. 
- “Claro! - respondi - Também tô indo na “casa”! - completei. 
- “Então vamos juntas. Essa é minha primeira vez!”, comentou a senhora. 
- “É a minha também” pensei, ainda sem saber o que significava “a casa”. 
Caminhamos menos de meia quadra e lá estávamos em frente a uma casa pintada de verde bem clarinho.
O que estava acontecendo comigo? Por que vim parar nesse lugar? Quem são essas pessoas? Não importa, o lugar é lindo e vou entrar, pensei. Estava meio tonta, ainda atordoada com tudo que estava acontecendo.
A única certeza que tinha, naquele momento, era de que estava, exatamente, onde deveria estar: Na Casa de Pai Joaquim de Cambinda.
Para a minha surpresa, não havia “surpresa”! 
Era como se o “plano” estivesse, apenas, se concretizando.
E de repente, tudo começou a fazer sentido: as vozes que durante meses me passavam ensinamentos – que mais tarde vim a compreender que eram meus mentores - os livros que li antes de chegar a casa, os sonhos que pareciam tão reais, as pessoas da casa, as músicas e “a música”. 
Tudo, tudo começou a fazer sentido...

(continua...)

Texto de Márcia Souza 

http://marciaholi.blogspot.com.br/

2 comentários:

  1. Posta logo to curiosa para saber o restante rsrsrsrs e eu que achei o pai joaquim aqui de pernambuco rs

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  2. Já postei rsrsrsrs Mas a última parte ainda não. E que tal o Pai Joaquim pernambucano?

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