AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

quinta-feira, 22 de março de 2012

As plantas e sua atuação em nosso campo energético

Por Cândida Camini

Na Umbanda é comum encontrarmos nossos amados Pretos e Pretas Velhas, assim como alguns Caboclos,  atendendo com um galho de arruda na mão, ou atrás da orelha (ou os dois). Rei Congo e Ogum Rompe Mato, em nossa casa, trabalham com um galho de pitangueira; Vovó Maria prefere a Guiné e Pai Joaquim costuma usar arruda, guiné e alecrim juntos, em suas benzeduras. 
Aqui mesmo no blog, já postei um vídeo "Por quê a arruda funciona" que explica a atuação desta poderosa erva em nosso campo energético.
Bastante comum também são as recomendações de banhos de ervas, principalmente para descarrego (limpeza) e energização.
Infelizmente hoje em dia as pessoas perderam muito de seu contato com a natureza e com a magia e poder das ervas, o que as priva de desfrutar dos seus benefícios.
Considerando-se que nossos corpos são um aglomerado de energias e que nos vegetais encontramos toda sorte de princípios energéticos potencialmente ativos, é natural que nos beneficiemos deles para nos reequilibrarmos.
A energia vital que nos sustenta não vem somente dos alimentos que ingerimos, mas também do ar que respiramos e das energias que são absorvidas pela nossa aura, ou campo energético. E é justamente aí que as as plantas agem.
Em nosso dia a dia, convivemos com diversos tipos de pessoas, em ambientes diversos e, querendo ou não, acabamos por absorver as energias que circundam estes ambientes e pessoas. Sem contar aquelas geradas pelos nossos próprios pensamentos e atitudes. Como ninguém é perfeito, do contrário não estaríamos juntos neste Planeta que ainda é de provas e expiações, sentimentos como raiva, irritação, medo, tristeza acabam por sugar nossa energia vital.
Com o tempo e a falta de cuidado com nossos pensamentos e atitudes, perdemos nossa capacidade de absorção desta energia vital.
É aí que vem em nosso socorro a natureza pródiga de frutos, folhas, sementes e raízes, auxiliando-nos a recompor nossa aura, equilibrando sentimentos e emoções e eliminando as energias negativas acumuladas.
Queremos aqui deixar claro que não é porque se tratam de elementos naturais que podemos usar indiscriminadamente. Tudo em excesso é prejudicial, até mesmo quando utilizamos os recursos da natureza.
Abusar dos banhos de descarrego pode acabar por nos deixar desvitalizados, tendo efeito contrário.

Receita simples de banho de ervas: arruda e guiné (limpadoras), alecrim, manjericão, hortelã e canela em pau (energizadoras, equilibrantes),  folhas de pitangueira (potencializa o efeito das demais ervas). Acrescente água fria e amasse bem com as mãos até que a água tenha absorvido bem o princípio ativo das plantas (cerca de 5 minutos). Deixe descansar por mais 10 minutos e use após o banho de higiene, do pescoço para baixo. 
Não é necessário muita quantidade de ervas. Algumas folhas de cada são suficientes e água suficiente para que possa ser utilizado em todo o corpo.
Embora a ação das primeiras ervas seja contrária a das demais, elas atuam separadamente em nosso campo energético, primeiro limpando e por último, energizando.

Outro fator importante: ao preparar e tomar o banho de ervas, mentalize sentimentos de humildade e gratidão , através de uma simples prece, agradecendo e pedindo à Mãe Natureza que abençoe este banho, que ele limpe e equilibre sua aura, devolvendo o ânimo e a coragem para seguir na sua trajetória terrena.

Outras ervas podem ser adicionadas ao banho, de acordo com a necessidade de cada um, mas isto lembre-se de perguntar a um Preto ou Preta Velha a próxima vez que sentar no toco prá conversar. Eles sabem, melhor do que ninguém, do que você precisa, sem interferir no seu merecimento e no seu livre arbítrio.

Agô!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mensagem do Sr. Tranca Ruas das Almas

Salve...

Tem gente que só de ouvir o meu nome já “treme” na base, outros riem sem entender o significado do nome, porém, nomes são símbolos e o meu significa, resumidamente, aquele que bloqueia, impedindo os espíritos de seguirem por caminhos inadequados, gostem eles ou não. Eu cumpro a Lei e promovo a Ordem na Terra e no Astral.
Sou um espírito que lidera uma falange que usa o mesmo nome que eu e isso acontece por questões de afinidade e também por determinação da Lei de Umbanda no Astral.
Isso não significa que somos todos iguais, somos indivíduos que apenas usam o mesmo nome.
Ainda tem gente por ai que acredita no Diabo e quando ouve falar em Exu, Tranca Ruas e outros logo ligam o nosso nome ao ser maligno que nada mais é que a maldade que vive no coração do homem, portanto, ele existe dentro daqueles que desconhecem o bem e estão afastados de Deus.
Grande parte desse folclore, dessa crença sem fundamento, se deve ao fato de o comércio, ávido pelo dinheiro, ter criado a partir de uma mentalidade doentia qualquer, imagens grotescas de nós e das moças que são nossas parceiras. Colocaram grandes chifres em nossas cabeças e em nossas mãos tridentes espetaculares, fazendo cair no ridículo a nossa imagem. Sem dizer que tingem de vermelho escarlate o corpo dessas pobres imagens como se tivessem acabado de sair do inferno para o mundo.
Diante de tal apresentação, até consideramos normal que as pessoas se iludam e acreditem que somos mesmo assim, uma vez que essas imagens são vistas por médiuns que não educaram a sua mediunidade, ficando expostos a toda criação mental que existe vagando ao redor da Terra, fruto do medo secular incutido por algumas religiões que se valem do medo para controlar seus fiéis. Essas imagens são criadas pelas mentes humanas e são projetadas no espaço, ficam soltas a vagar, uma vez captadas, assustam e o médium negligente acaba por acreditar que tais aberrações sejam reais.
Eu afirmo a vocês, porém, Umbandistas interessados em desvendar o mistério Exu, que não somos assim e se quiserem nos conhecer, basta olharem para si mesmos.
Se nos apresentamos, às vezes, vestindo nossas capas, chapéus, botas e outro tipo de indumentária usada na Terra, é porque trabalhamos com espíritos ainda extremamente materializados e a forma faz parte do material que usamos para cumprir a nossa missão.
Esqueçam as imagens bizarras e aprendam a não nos temer. Somos trabalhadores como qualquer outro e contamos com vocês, médiuns esclarecidos e de boa vontade, para nos auxiliarem na árdua tarefa de desmistificar o nosso trabalho e a nossa imagem.
Há uma nova Umbanda florescendo e vocês, filhos de fé, são as mais belas flores desse novo jardim que estamos construindo.
Estejam alertas e atentos. Não relutem em derrubar velhos conceitos. Tudo muda a todo instante.
Acompanhem as mudanças e sejam felizes.

Tranca Ruas das Almas – Médium Annapon em 23.04.2011

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Cura Real

“Não trate apenas os sintomas, tentando eliminá-los sem que a causa da enfermidade seja também extinta.


A cura real somente acontece do interior para o exterior ….. Sim, diga a seu médico que V. tem dor no peito, mas diga também que sua dor é dor de tristeza, é dor de angústia.


Conte a seu médico que V. tem azia, mas descubra o motivo pelo qual você, com seu gênio, aumenta a produção de ácidos no estômago.


Relate que V. tem diabetes, no entanto, não se esqueça de dizer também que não está encontrando mais doçura em sua vida e que está muito difícil suportar o peso de suas frustrações.


Mencione que V. sofre de enxaqueca, todavia confesse que padece com seu perfeccionismo, com a autocrítica, que é muito sensível à crítica alheia e demasiadamente ansioso.


Muitos querem se curar, mas poucos estão dispostos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o câncer do egoísmo. Não querem mudar de vida.


Procuram a cura de um câncer, mas se recusam a abrir mão de uma simples mágoa.


Pretendem conseguir a desobstrução das artérias coronárias, mas querem continuar com o peito fechado pelo rancor e pela agressividade.


Almejam a cura de problemas oculares, todavia não retiram dos olhos a venda do criticismo e da maledicência.


Pedem a solução para a depressão, entretanto, não abrem mão do orgulho ferido e do forte sentimento de decepção em relação a perdas experimentadas…


Suplicam auxílio para os problemas de tireóide, mas não cuidam de suas frustrações e de seus ressentimentos, não levantam a voz para expressarem suas legítimas necessidades.


Imploram a cura de um nódulo de mama, todavia, insistem em manter bloqueada a ternura e a afetividade por conta das feridas emocionais do passado.


Invocam a intercessão divina, porém permanecem surdos aos gritos de socorro que partem de pessoas muito próximas a si mesmos.


Deus nos fala através de mil modos. A enfermidade é um deles e, por certo, o principal recado que lhe está a chegar da sabedoria divina é que está faltando mais amor e harmonia em nossas vidas.


Toda cura é sempre uma autocura. O Evangelho do Mestre é a farmácia onde encontraremos os remédios que nos curarão por dentro.


Atente para isso: Há dois mil anos esses remédios estão a nossa disposição!


Quando nos decidiremos?


Autor: José Carlos de Lucca
do Livro: "O Médico Jesus"

segunda-feira, 5 de março de 2012

Linha dos ciganos: mediunidade combina com prosperidade financeira?

" É certo que o exercício mediúnico deve se pautar pela seguinte máxima: “dar de graça o que de graça recebemos”.O que me chama atenção é que seguidamente temos médiuns operosos, dedicados, assíduos, e suas vidas não têm prosperidade. Conversando aqui e ali, verifico que ainda temos marcado muito forte em nosso inconsciente que ganhar dinheiro é uma coisa ruim, que não combina com o sagrado, que vai nos atrapalhar.
Todavia, ganhar dinheiro honestamente, em abundância, não constitui maior empecilho que o mundo profano, os apelos carnais e o próprio orgulho, uma vez que ser pobre não é ser humilde e vice-versa.
Voltando à pergunta de que se mediunidade combina com prosperidade, respondo: é claro que sim.
Temos, na Umbanda, a linha dos Ciganos, que nos trazem uma alegre mensagem de axé – força – para abundância, fartura e prosperidade em nossas vidas. "

(Fonte: "Diário Mediúnico" -Ed.do Conhecimento)


Pedir o axé da Linha dos Ciganos na Umbanda para a prosperidade não nos isenta de aplicar nosso esforço e criatividade nesta busca. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Okê Caboclos!

Existem variações no entendimento que os umbandistas têm sobre o que sejam os caboclos.
A palavra caboclo vem do tupi kariuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. 
A partir daí vem a relação com os índios brasileiros, de tez avermelhada. 
Assim, a palavra caboclo passou a designar aquilo que é próprio de bugre, do indígena brasileiro de cor acobreada. Posteriormente surgiu a noção de caboclo como mestiço de branco com índio, o sertanejo. 
Dada essa relação dos caboclos com os indígenas – nos terreiros de Umbanda é dessa forma que se manifestam -, e aproximando esse fato ao Orixá Oxóssi, que em África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos segredos das matas e dos animais que lá vivem, diz-se que os Caboclos que baixam na Umbanda são espíritos ligados a Oxossi. Muitos entendem que somente esses são caboclos e que as entidades da vibração de Ogum, Xangô, Yemanjá e Oxalá não seriam, propriamente, caboclos. 
No entanto, há caboclos da praia, do mar e das ondas, das pedreiras, das cachoeiras, dos rios etc., cujos elementos se associam mais aos outros Orixás que a Oxossi.
Outra maneira de se interpretar as entidades de Caboclo, é como espíritos que se apresentam com uma postura forte, de voz vibrante, que trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas.

Aqui estamos entendendo os Caboclos de maneira mais ampla, como símbolo de fortaleza, do vigor da fase adulta, existindo caboclos de Oxossi, Xangô, Ogum e mesmo aquelas entidades ligadas aos orixás femininos, como Yemanjá, Oxum, Yansã. É claro que essas últimas entidades não vêm como índias, mas com uma forma tipicamente relacionada aos seus atributos.
Todas as entidades de Umbanda são importantes. Ainda que alguns se orgulhem de serem médiuns de caboclos renomados e tidos como chefes de falange, o que vemos é que quando estão no terreiro, os Caboclos tratam uns aos outros como iguais, mostrando que o que importa é o trabalho espiritual e, como em uma aldeia, tudo é feito em conjunto e com as ordens dos planos superiores. Assim diz um ponto cantado de caboclos:

" Na sua aldeia ele é caboclo, é Rompe-mato é Arranca-toco, 
na sua aldeia lá na jurema, não se faz nada sem ordem suprema. "

É também do linguajar de caboclo, que não cai uma folha da jurema (da mata), sem ordem de Oxalá, ou seja, que tudo na vida tem motivo e que nossas ações são registradas na lei de causa-e-efeito, ou lei do karma. Mas isso não significa ficar passivo, esperando o pior acontecer. 
Os Caboclos também ensinam a termos coragem e a sermos guerreiros na vida, lutando pelo que é justo e bom para todos. 
No que é possível, os caboclos nos ajudam a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso, caçar os bichos do mato (vencer as interferências espirituais negativas).
 Mas muito melhor do que qualquer leitura sobre caboclo é vê-lo incorporado atendendo quem precisa.
 
(texto adaptado da Revista Orixás)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

" Atrás do trio elétrico, também vai quem já morreu "

Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval. 
Estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval. 
Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis.
O Carnaval é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra. Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade. 
A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos Césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.
Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de que uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.
Bezerra de Menezes cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”. Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento. Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.

Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma frequência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. 
Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a prática da caridade desinteressada. 
(Fonte: Revista Visão Espírita - Março/2000)


Nós, Umbandistas,  não apoiamos nem condenamos o Carnaval, o que fazemos, é esclarecer. 
O Carnaval é uma festa popular e, como em qualquer outro dia, o importante é buscarmos ficar em equilíbrio e tranquilidade, sem aflições nem excessos. Enquanto muitos se divertem, desequilibradamente, podemos fazer o bem. 
Se gostamos do carnaval, podemos entrar na festa, mas lembrando que é fundamental manter sempre uma postura moral elevada, independente da ocasião. 
No mais, para todas as situações da vida, lembremos sempre da recomendação de Paulo de Tarso (I Coríntios 10:23): “Todas as coisas me são lícitas, mas nem tudo me convém; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam”.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Acaso - Mensagem do Exu das 7 Encruzilhadas das Almas


Certo dia, no fundo da sua vida, você sentiu uma necessidade qualquer de algo desconhecido, olhou ao redor e viu que estava tudo bagunçado, com as coisas fora do lugar, jogadas pelo chão, sobre suas prioridades, até então sufocadas.
Eis que o acaso resolveu um dia bater a sua porta e em meio a essa baderna, você abriu. Esse acaso se fez convite à mudança de vida. Você, cansado e sem ver o sol nascer a tempos, aceitou. Este convite te levou a mim, embora você não soubesse. Não sabia porque suas prioridades estavam transformadas em bolor e as coisas tolas da vida tomaram proporções maiores. Tanta proporção que virou "meio de vida" e objetivo insano a ser perseguido.
No data marcada do convite, você chega soberbo, orgulhoso e senhor de si, pois fora convidado como se fosse alguém de grande importância, o que realmente era, mas uma importância de valores invertidos na tosca visão do mundo. Para o convite do acaso, sua importância era outra.
E eu ali estava. Fora de foco e à parte aos seus gracejos. Sou pequeno, sem dimensão estelar, mas quis Alguém que fosse eu a lhe falar. Acabados os festejos, você bate em retirada... mas só seu peito sabe o quanto arfa, pois após todo o momento passado, lembra-se que se faz hora de voltar para a bagunça que havia deixado sua vida.
E agora?
Você resolve voltar àquele lugar, pois no dia do convite  você se sentira bem disposto. Você resolve voltar a este local. Quando você volta, foi a mim que você foi encaminhado. Quando me viu, olhou-me desconfiado de cima a baixo, com extra auto-confiança e superioridade que alguém, por algum motivo, ensinou que deveria ter. Mesmo respeitosamente, tendo em vista a boa educação recebida, você era um ainda convidado, pois fora assim que fora aparecer lá e eu, o apêndice de anfitrião.
Mas, por obra do acaso, resolvi falar algumas coisas e comecei a notar que quanto mais lhe falava, menos você conseguia articular sua verborragia. Parecia que eu lhe dizia coisas que você não acreditava que mais ninguém soubesse ou que poderiam até existir na sua vida, mas sendo apenas tratada de forma hipotética.
E no fim desse dia, após minhas palavras, você resoluto, concordou e me abraçou. Eu sorri e você se foi. Se foi, mas com um coração renovado, alegre e de novo rejuvenescido. Nunca, na sua sã consciência você poderia imaginar que eu pudesse falar tantas coisas... logo eu, um espírito que é vítima do preconceito hipocrático da sociedade, pois ela se vale de meus serviços quando precisa... um pequenino Exu.
No correr dos dias a sua vida deu uma bela harmonizada, situações complicadas e constrangedoras deixaram de existir como que por mágica. Mágica não, irmão! Magia.

Magia.
A Umbanda trabalha com a magia.
Mas não com a bruxaria.
E sim evidencia.
A manipulação da energia.
Com o que a Natureza oferta dia a dia.
Sempre com impressionante maestria.

Estamos ligados a uma religião liberta de dogmas e expansiva em espiritualidade, atratora em amor, geradora de vida e ordenadora de atitude. A Umbanda é religião que religa o homem com Deus através dos Sagrados Orixás que emanam suas portentosas energias, e nós, guias e trabalhadores desta seara, nos fortalecemos, vibramos e orgulhamos disso porque não somos pequenos como se pensa ou age, não somos resolução ou solução barata de última hora para agentes materiais.
Nós somos espíritos manifestados para a prática da caridade, conforme ensinou o Caboclo das 7 Encruzilhadas. E nós, Exus, não somos zombeteiros e a toas das ruas, nem as Pombas Giras são mulheres de vida fácil. Não, todos nós somos agentes da vida dura, porque trabalhamos na sua vida, mergulhados em boa vontade, dentro do seu carma, a fim de que sua vida melhore e seja expansiva em valores reais.

E, por favor, não me dê nada em troca. Sou um Exu e não um agiota. A graça de Deus me basta e por isso dou de graça o que de graça recebi.
Isso tudo eu quis dizer e você não quis escutar.
O motivo foi porque aqueles antigos anseios voltaram à tona e com proporção avassaladora e seus interesses, hoje, são maiores que as suas necessidades, que você não enxerga e nem sente. O essencial é invisível aos olhos, consta no belíssimo Pequeno Príncipe... só se vê bem com o coração!
Eu tentei te dizer isso, mas você não quis escutar.
Sua vida se tornou nova tormenta e quando pensa em me procurar, mais uma vez não ouve o que eu digo e desses interesses que a nada te levarão não quer escutar, achando que é este o caminho que deve trilhar. Afinal, quem sou eu? Apenas um agente das encruzilhadas que pode resolver problemas, essa é a sua concepção.
Quando falo em necessidade, seus ouvidos filtram interesse. E quando falo em mudança de vida, seus ouvidos traduzem "bens". Quando falo em libertação, seus ouvidos exclamam "aprisionamento à matéria" e quando falo em trabalho, eles questionam se é carma.
Daí, vendo que você busca o efeito enquanto tudo que te falei foi sobre a causa, o que mais posso fazer, sendo um Exu, senão dar-te uma injeção psíquica de palavras duras, mas com pano de fundo a mexer digna e positivamente em seu brio? Que posso fazer a não ser vitalizar seu senso de sobrevivência e desestruturá-lo quanto a sua superioridade, conquistada em castelos de areia, quando ainda em parcas eras se julgava nobre imortal?
Mas... será que meu tiro sairá pela culatra, pois se ainda traz essas parcas eras tão impregnadas, pode ser que não mais resolva escutar aquilo que já foi proveito e hoje encara como enfadonho e repetitivo. Sim, pois falo preto e você quer branco, sem ter o trabalho de se propor a clarear.
O que farei eu, um trabalhador que carrega um "fardo" que me sustenta, mas que mobiliza as vidas, se você definitivamente fugir de minha alçada? Sim, digo fuga, pois o acaso te levou até mim porque sua programação encarnatória tem um propósito e até agora você não a abraçou, achando que pelos caminhos funestos que escolheu a encontrará. E quando o "acaso" te levou até a minha frente, o mesmo pequenino espírito que você julgou e não sei ainda se mudou seus conceitos, mal sabia você quão grandiosa era a minha tarefa, pois grande é o trabalho que desempenho na minha pequenez, tão pressuposta pelos homens.
Mas, caso você fuja, não de mim, mas da verdade que ante a ela Pilatos se calou, nada mais poderei fazer a não ser empenhar-me mais em te salvar. E aí, a vida... sim, a boa e velha vida, onde nela trafega o seu carma, agirá de forma nua, fria e neutra. E, quem sabe, seja eu novamente solicitado "pelo acaso" para desempenhar esse papel. Sim, eu, o Exu. Simplesmente um Exu.
Simples porque é simples a forma de ver a vida, de como tenta incendiar a vida dos mornos e frívolos, para que estes sejam sal da terra, ou então apagá-los de vez para não ocupar um lugar indevido no cenário da vida. Simples porque nada tem de complexo, contudo trabalhoso, ser motivador de vidas e desmotivador das mesmas. Apenas agir, sem sentir, pois a Lei assim exige que se cumpra.


O Exu não cruza os braços... ele neutraliza seu tridente, embainha sua espada, guarda seu punhal, se recolhe em seu campo de força e deixa tudo... tudo entregue nas mãos da Lei.
E ali espera as ordenanças seguintes, para o cumprimento da mesma.
Espero dizer até breve, para não ter que lamentar sobre a fuga daqueles cujo o acaso divino lhes bateu a porta e lhes ofereceu ajuda para renascerem nesta mesma vida.


*Exu das Sete Encruzilhadas das Almas
(Mensagem recebida psicograficamente pelo médium Julio Cesar, Pai Pequeno do Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz)