AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.
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domingo, 9 de setembro de 2012

Quando o coração fala [4]

Incentivados por mim, os médiuns desta Casa estão abrindo seu coração e contando como aqui chegaram.
Segue o depoimento da Janete:


" Em 29 de junho de 2011, entrei pela primeira vez na Casa Pai Joaquim de Cambinda, movida mais pelo desespero em que me encontrava, mas o que importa é como fui recebida e o atendimento que tive, que me esclareceu algumas coisas que estavam me perturbando.
O fato é que mesmo sem ter qualquer experiência no assunto, ou pelo menos neste tipo de casa (que achava não existir), fui surpreendida pela manifestação de minha Mãe Iemanjá, através de outra médium da Casa.
Fui embora com muitas dúvidas, as quais só poderiam ser esclarecidas se eu retornasse a este lugar.
E uma semana depois, estava de volta.
Recordo cada momento deste dia, como se fosse hoje.
Difícil explicar tamanha emoção!

Noite do Povo Cigano.
Logo que passei do portão, mesmo sem saber o que iria acontecer, quem eram aquelas Entidades (nem sabia que este povo trabalhava na Umbanda), senti uma alegria imediata, uma emoção, vontade de sorrir, de dançar, uma energia tão forte que parecia que me faltava o ar. As narinas ardiam, mas era bom, estava em êxtase e não compreendia a razão de tantos sentimentos ao mesmo tempo.
Fui esta noite apenas para tomar um passe, mas o destino estava traçado e eu tive certeza disso quando ouvi a Cândida (Cambona Chefe da Casa) anunciar que havia um horário de consulta disponível com a Cigana Anita. Quando dei por mim estava de braço erguido, solicitando este horário.
Ao me posicionar a frente daquela Cigana, mal conseguia falar, tamanha minha alegria e eu nem sabia por quê.
Falei o que estava sentindo e ela, com o olhar muito doce e um sorriso lindo nos lábios, disse que era muito simples. Pegou minha mão e fez com que eu girasse.
Completado o giro, saí dançando Flamenco pelo salão, ao mesmo tempo surpresa e emocionada, uma confusão de sentimentos que não podia explicar.
Quando parei de dançar, a Cigana Anita me disse que havia recebido a Cigana Esmeralda, minha mãe espiritual, que sempre esteve ao meu lado desde o meu nascimento e que me aguardava para trabalharmos juntas nesta Casa.
Dei-me conta então do por que sempre tive tanta afinidade com os costumes dos Ciganos.
Depois deste dia, passei a freqüentar a Casa e todas as entidades com as quais eu conversava me aconselhavam a entrar para o Grupo de Estudos e Desenvolvimento Mediúnico, pois minha mediunidade estava aflorando muito rápido e eu ainda não sabia como lidar com isso.
Conversei com Pai Joaquim de Cambinda e, com sua autorização, passei a freqüentar as reuniões do grupo de estudos e, em seguida, entrei para a corrente mediúnica, como cambona.
Desde o primeiro dia de trabalho senti que os pontos cantados vibravam numa energia muito forte e me dediquei a aprendê-los. Cantar e irradiar amor me fazia muito bem.
E então, começaram as surpresas.
Num sábado, Pai Joaquim de Cambinda estava fazendo um atendimento de saúde na maca e eu, no salão, recebi uma entidade que se dirigiu ao congá. Uma cambona perguntou se precisava de alguma coisa e ela respondeu que queria um ‘toco’. Sentou-se ao lado do ‘toco’ do Pai Joaquim e ficou mirando o congá.

A Cambona perguntou seu nome e ela respondeu: - Vovó Maria Preta – e começou a rir e a falar, contando das brincadeiras que fez comigo em casa, durante a semana.
Quando se despediu eu pensei: - Estou ficando louca, da onde tirei este nome, todos vão rir de mim. Mas logo fui tranqüilizada pelas demais entidades, que era assim mesmo, que com o tempo eu iria adquirindo mais confiança.
Com o tempo, fui conhecendo outras entidades com as quais eu iria trabalhar e várias formas de trabalho.
A cada dia uma surpresa! Recebi a Cosme, de nome Gioconda (Gigi). Riam, dizendo que ela tinha nome de vó. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que ela era, nada mais nada menos que o espírito que tinha sido minha avó nesta encarnação!
Foi a maior emoção que já tive.
Mas que fique claro que todas as entidades que trabalham comigo me alertam que o mais importante é o trabalho que realizamos juntos e como realizamos esses trabalhos. Os sentimentos que colocamos, a maneira que nos portamos e o objetivo pelo qual o fazemos.
Eles me deixam claro a todo instante que o mais importante é como eu me dirijo a este trabalho, a energia que me entrego, os sentimentos que direciono, a limpeza interna!
Também me alertam que, na maioria das vezes, ficamos preocupados em saber o nome das entidades, que roupa usam, o que bebem, se fumam ou não, que acabamos atropelando tudo, ansiosos, perdemos a melhor parte, que é sentir a energia, direcioná-las, usá-las da melhor forma, simplesmente deixar fluir com tranquilidade. Como diz meu ‘padrinho espiritual’, Rompe Mato: - Um passinho de formiguinha de cada vez, sem pressa!
Sei que é difícil, na prática, principalmente para os iniciantes, mas a gente consegue, se nos focarmos na direção certa.
Que somos assim porque temos muitas dívidas a saldar e a melhor forma de resgate é com muito amor, humildade, fazendo a caridade, como mostra nossa bandeira.
Digo nossa, porque quem mais ganha nisso tudo somos nós mesmos!
Aprendendo, nos reformando, nos limpando, tornando-nos melhores, ou menos ruins...
Enfim, é isso que as Entidades com quem trabalho me passam.
Mas também vem junto o que sinto, que é uma alegria, uma felicidade muito grande, quando sentimos que realmente conseguimos ajudar alguém, encarnado ou desencarnado.
Quando os consulentes chegam até nós com um sorriso no rosto, ou lágrimas nos olhos e dizem: - Hoje eu vim somente para agradecer a ajuda recebida!
É muito bom!
Mostra-nos o quanto vale à pena o tempo que estamos aqui, nesta Casa, que para mim é como quando me levam para a colônia espiritual. Um grande lar, de uma família linda, cheia de luz, amor, atenção, respeito, carinho.
Se todos que aqui trabalham para aqui se dirigirem com esses sentimentos, nosso trabalho, nossa sementeira, irá dar lindos frutos, para aqueles que aqui chegam famintos de afeto.
E quando vocês me virem chorando, emocionada, principalmente na abertura e/ou encerramento dos trabalhos, saibam que Eles estão me mostrando, pela clarividência, algumas coisas que acham importantes que eu perceba com mais profundidade neste trabalho. É muito lindo!
Poderia dizer muito mais, mas acho que isso é suficiente!
Se alguém quiser saber mais, me procure, vou adorar dividir/somar experiências.
Muito obrigada, grande e amada família PJ!


Isso é somente parte do que já aprendi aqui, mas que sei que ainda tenho muito, mas muito mesmo a aprender.
Eles me lembram isso a todo momento e que as dificuldades , na verdade, são como degraus, nós decidimos se queremos subi-los ou não. "


Janete – Médium da Casa Pai Joaquim de Cambinda

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pelo amor, ou pela dor

A Cris, como costumamos chamá-la carinhosamente, chegou à Umbanda, pela dor.
Conforme ela mesmo conta no texto abaixo, quando nossa filha Débora a convidou para conhecer nosso trabalho e disse que era Umbanda, ela foi enfática em recusar o convite: "neste tipo de lugar eu não vou"!
Precisou conhecer o Cumpadre (Exu Caveira que trabalha com o Ricardo) em uma noite bastante tumultuada, para criar coragem e encontrar seu caminho.
Muita gente chega num Terreiro de Umbanda pela dor. 
Alguns recusam o auxílio, por medo, preconceito, ignorância...
Ela aceitou, assim como as amigas que estavam com ela naquela noite, e hoje trabalham e/ou frequentam nossa Casa. 
Segue o texto:

" Na minha vida começou muito cedo, ainda pequena já enxergava e ouvia “eles”. 
Quando era criança, levava muitos sustos e minha mãe sempre ao meu lado tentando me acalmar quando o mundo espiritual se tornava visível aos meus olhos. 
Ela nunca negou, não incentivava, mas não me punia ou criticava. 
Certo dia me levou num atendimento que era realizado na Igreja do Rosário. A entrada era ao lado da Igreja e me lembro bem de uma senhora muito simpática que me recebeu. Só de lembrar me dá vontade de chorar. Minha mãe ficou na sala de espera e eu entrei sozinha, já era uma mocinha e minha mãe dizia que era pra eu me sentir a vontade, que estaria ali ao lado me esperando. Não me lembro dos conselhos, mas lembro que saí muito melhor e mais segura. 
Durante anos, toda vez que ia ao centro de Porto Alegre passava naquela Igreja para agradecer. Ainda gosto muito de ir lá, ficar sentada sentindo aquela energia tão serena no meio de tanta correria do centro.
Por volta dos 20 anos, numa noite em minha casa com uns amigos bebendo cerveja e botando a conversa fora, sentada do lado de fora da casa de frente para a porta, enxerguei um homem dentro de minha casa e o seu sorriso era horripilante, me lembro do calafrio. 
Resumindo, “este” passou a me acompanhar em festas, sala de aula, trabalho, enfim tudo. 
Me acordava à noite, batia portas e ligava a TV. Aí, comecei a me irritar e então interagia, pedia pra ele ir dormir que não era hora, que fosse descansar porque eu estava na festa, que não fizesse barulhos porque eu não gostava. Rezava muuuuuito, quase um plantão de reza! Me judiou um pouco... nesta fase eu bebia mais que o meu normal quando saia com minhas amigas. Certa vez até fumei, e não sou fumante não!
Frequentei algumas casas Kardecistas e estudei durante 8 anos o espiritismo, mas faltava alguma coisa. Não era aquilo que me satisfazia. Não entendia algumas situações e o Kardec não supria essa necessidade. O estudo era uma delícia e me encantavam os romances e a forma como me identificava com algumas histórias, mas ainda não era isso!
Então, conheci uma menina que me disse assim: Meu pai atende! Tem uma casa de Umbanda! E eu logo retruquei: Ah não! Nesse tipo de lugar não vou! Nem pensar! 
Foram meses para a Cândida, o Ricardo e a Débora me convencerem que não estavam me enganando! Opa! Volta um pouquinho!
Um dia tomei coragem e disse a Débora que gostaria de ir prosear com o pai dela! - Que medo!

          Congá improvisado na sala do apartamento
Chegando lá recebi um abraço e muitos sorrisos! O lugar era pequeno e aconchegante! Me senti abraçada pela energia do lugar! Iniciaram as rezas e cantos e... Meu Deus ele está incorporado! Agora é que eu corro e vou embora daqui! Que nada, ele virou, me abraçou e abençoou! Daí pra frente cada visita era de horas e horas! Meu amigo Pai Joaquim de Cambinda ia abrindo meus olhos para o mundo espiritual. Eu agora tinha respostas que sempre precisei. 
Vou contar a situação que passei na minha casa, logo em seguida que comecei a frequentar o apartamento destes novos amigos, onde Pai Joaquim atendia, antes na inauguração da nova casa.
Estava em casa com mais três amigas, tomando um bom vinho e degustando queijos. 
De repente, do nada, 'eu' pedi um cigarro.
-Tu não fuma! disse uma amiga
-Mas tô com vontade! Liga pra Débora, o número tá no meu celular! (eu, falando junto com 'aquele' que queria fumar)
-Ok, eu ligo, e digo o quê? - minha amiga, já preocupada.
-Então pessoal , como eu ia dizendo.... - 'ele' de novo.
E assim foi a noite, cheia de previsões!! Lembro apenas de algumas partes! 
Minha amiga, pobrezinha, sem saber como me ajudar, tentando me socorrer através das orientações que o Ricardo passava pelo telefone! 
Quando chegaram lá em casa, Ricardo e  Débora, na entrada do prédio, segundo relato do Ricardo, já era o Caveira! (Exu que trabalha com ele). Estava eu jogada na área de serviço, caída no chão, e em estado precário!
Foram HORAS de desobsessão! Acordei no outro dia que doía até o cabelo!
Resumi muuuito tá! Nem sei como trabalhei no outro dia! 
Então, à noite, lá me fui pro apartamento do Ricardo, conversar com Pai Joaquim e tentar entender alguma coisa do que tinha ocorrido na noite anterior! Quando cheguei, não entendi porque haviam chamado outros médiuns! 
Lembram daquele moço que aparecia pra mim, me acordava e tudo o mais? Pois é, lá chegou o moço através de um médium da casa. Todos choraram muito porque descobrimos que este na verdade fora meu pai em outra vida e me procurou durante muitas outras, agora que me encontrou queria ficar perto! Perguntei em meio a muitas lágrimas se me fazia beber e fumar e despencando num pranto incontrolável ele me respondeu que sim! A dor que senti no meu coração ao vê-lo tão perdido, tão sofrido... Precisando de ajuda e orientação! De abraço!Foi encaminhado e pude voltar a ter controle da minha vida! 



Foi assim que começou a minha caminhada!
Foi assim que cheguei à Umbanda e ao entendimento da minha mediunidade.
Hoje não acontecem mais os descontroles e as obsessões!
Hoje consigo “controlar” essa característica para o trabalho na casa do Pai Joaquim!
Minha família sabe que encontrei o lugar certo! 
A religião certa! 
E respeitam esta caminhada! 
Outro dia escrevo sobre como conheci meus protetores e iniciei meu trabalho espiritual!"


Cristiane Cardoso, médium da Casa.

domingo, 29 de julho de 2012

Relacionamentos - Problema ou Solução? - por Cândida Camini

Quem já leu aqui no Blog a nossa história, sabe que antes de chegarmos até aqui, com 47 médiuns ativos na corrente e cerca de 80 pessoas atendidas por Sessão pública, nós atendíamos na sala de nosso apartamento e o máximo que era necessário administrar era a agenda semanal do Pai Joaquim.
Na época, ouvi da Preta Velha Maria Redonda, companheira do Pai Joaquim na espiritualidade, que uma das minhas principais atribuições na nova casa, seria a de administrar conflitos.
Bem, ela não me disse na época, talvez para não aumentar minha ansiedade, que muitas vezes eu seria a causadora destes conflitos.
Pela minha mania de perfeição e organização, pela minha dificuldade em me relacionar com o outro, pela minha intransigência com as limitações alheias, enfim....
Acho que se ela tivesse me falado tudo isso antes, talvez eu não estivesse aqui hoje. Obrigada, Dona Redonda, por ter omitido esta parte.
Então, a dificuldade de relacionamento entre tantas pessoas diferentes, com suas manias, seus egos inflados, suas idéias próprias, seus temperamentos irascíveis, muitas vezes (aonde eu me incluo, claro), seria um problema, ou uma solução?
Confesso que de início achei que era um problema, na verdade um grande problema.
Aos poucos fui percebendo que, para aqueles que estão dispostos a exercitar a humildade e a mudar em prol do bem comum, é uma solução.
Afinal, quem não se relaciona com os diferentes, não aprende nada. Não aprende sobre o outro e muito menos sobre si próprio.
Dói quando percebemos no outro um espelho, onde começamos a identificar nossas imperfeições.
Dói, quando começamos a descobrir em nós mesmos, tudo o que criticamos no nosso irmão.
É um processo lento e gradual e só consegue quem se expõe, quem não tem vergonha de reconhecer o erro e de pedir perdão.
Mas o que mais dói, ainda, é quando todo o esforço feito não é percebido e/ou compreendido.
Quando as críticas são veladas e não construtivas.
Mais uma dificuldade, outro aprendizado. Vencer o orgulho, praticar o desapego, porque alguns irão embora e outros virão.


A Umbanda é assim, não tem um código único. Acolhe a todos igualmente e, como o sol, não escolhe prá quem irá brilhar.
Aceita qualquer prática que tenha por fim a caridade pura e desinteressada.
Não é uma religião purista.
" Não escolhe os preparados; prepara os escolhidos. "
Talvez por isso muitos jovens hoje se encontram trabalhando nos Terreiros de Umbanda.
Porque a Umbanda não secciona, ou não deveria, pelo menos.
Então, temos ingressando na corrente mediúnica da casa, inúmeros jovens que chegam maravilhados com os fenômenos mediúnicos, ansiosos por também fazerem parte desta magia.
Aliado a isso, vem o estudo, o aprendizado, o preparo.
Teoria e prática andam juntas. 
Passado este momento de êxtase, alguns se vão, pois não estão dispostos ao aprendizado, ao compromisso.
Vêm talvez em busca de auxílio para seus próprios problemas, mas não estão interessados nos problemas daqueles que aqui vem para tomar um passe ou um aconselhamento.
O que gratifica, é que muitos se esforçam na reforma íntima e a cada trabalho vão vencendo seus limites.
É comum que aquele mais velho, mais experiente, tenha dificuldade em aceitar o jovem com sua impulsividade, sua urgência em conhecer e receber seus protetores, sua pressa em encher o pescoço de guias. 
É preciso paciência e orientação. Aos poucos, vão percebendo como as coisas funcionam e se ajustando.
Quem não se ajusta, se afasta, naturalmente.
Não é preciso o constrangimento de ter que afastar alguém da Casa. 
A direção espiritual se encarrega disto.
Enquanto aquele irmão mais rebelde, menos disciplinado, fizer parte do grupo, alguém vai aprender alguma coisa com ele.
Conviver é sinônimo de sabedoria e um exercício de amor ao próximo e a si mesmo.
Aprendi tudo isto com Pai Joaquim de Cambinda, meu Mestre, que eu amo e respeito, mais que tudo. 
Quanta paciência comigo, meu Velho! 
O mais difícil está sendo conciliar a disciplina com a caridade, mas tenho me esforçado e acho que estou conseguindo um pouquinho.


Tem uma frase, desconheço o autor, que me guia neste sentido:


" Usar a disciplina e a caridade com o cuidado para que a disciplina não atropele a caridade nem a caridade amoleça a disciplina. "


Nisto, conto com o auxílio de alguns protetores, a quem amo e só tenho a agradecer, também:
Minha Mãe Iansã
Minha adorada Preta Nina
Minha determinada Cabocla Jurema
E Pai Benedito, encarregado de toda a administração dos trabalhos nesta Casa.
Salve a Umbanda e todos os seus guias!
Salve Pai Joaquim de Cambinda!



terça-feira, 15 de novembro de 2011

103 Anos de Umbanda

"Com os espíritos mais evoluídos aprenderemos!

Aos espíritos menos evoluídos ensinaremos.

E a nenhum espírito renegaremos!"

(Caboclo das 7 encruzilhadas)

Hoje a nossa querida Umbanda comemora seu 103° ano.

Salve a Umbanda!

Salve todas as falanges que trabalham na Umbanda!





sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pai de Santo, Zelador de Santo na Umbanda?

Por Cândida Camini

Temos visto por aí muitos chefes de Terreiro de Umbanda intitularem-se Pais/Mães de Santo ou Zelador(a) de Santo.
Qual o significado desta expressão?
Babalorixá, termo africano = Pai de Orixá ou Zelador de Orixá
Quem zela, cuida, quem cuida, é pai, daí Pai de Santo (Orixá), adotado pelos brasileiros.
No nosso ponto de vista, ninguém é Pai ou Mãe de Santo, todos somos sim, filhos de Santo.
O termo Zelador de Santo se apropria mais ao Candomblé, ou Nação, onde o responsável pelo Terreiro tem a responsabilidade de cuidar, zelar pelas firmezas dos Orixás dentro do Templo.
Na Umbanda, usamos o termo Dirigente Espiritual ou, muito em voga atualmente, Sacerdote de Umbanda, que são aqueles médiuns que estudam e se preparam em cursos de Teologia Umbandista para dirigirem um Terreiro.
Porém, não há curso ou faculdade que transforme em pouco tempo um médium despreparado para dirigir um Terreiro. Mais do que cursos, livros e normas de trabalho, são necessários muitos anos de prática Umbandista, aliados à humildade e ao verdadeiro desejo de auxiliar o próximo, sem esperar nada em troca.
Os verdadeiros comandantes de um Terreiro de Umbanda, devem ser os espíritos que são responsáveis pelo trabalho que ali se realiza.

O Dirigente Espiritual, encarnado, deve ter em mente que ele nada mais é do que um intermediário entre o mundo espiritual e o material e deve estar bem preparado e disposto a cumprir esta missão, servindo de exemplo aos filhos do terreiro que dirige.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Na Umbanda...

Na Umbanda não tem espirito famoso.
Mas tem espirito formoso.
Na Umbanda não tratamos só a doença.
Tratamos também o doente.
Na Umbanda não iluminamos só o congá.
Iluminamos também a consciência.
Na Umbanda não existem servos e escravos mentais.
Existem servidores e voluntários espirituais.
Na Umbanda não há codificaçao oficial.
O umbandista já traz o código impresso no coração antes mesmo de nascer.
Na Umbanda, não basta vestir branco só por fora.
Tem que vestir branco por dentro também.
Na Umbanda a simplicidade supera a sofisticaçao.
Na Umbanda a humildade supera a presunção.
Na Umbanda a caridade supera a omissão.
Na Umbanda, cada médium é uma célula distinta.
Cada terreiro é um orgão diferente.
Mas em conjunto, todos contribuem ao seu modo para o bem-estar do imenso organismo chamado
HUMANIDADE!
                          
Pai Agostinho das Almas

quinta-feira, 14 de abril de 2011

As Umbandas



Falam em tantas Umbandas.

Branca, esotérica, popular, traçada, de nação, omolocô, umbandolé, candomblé de caboclo, evangelizada, kardequizada, iniciática e outras mais.

O que é Umbanda então?

Se forem tantas, porque cada qual teima em dizer que somente a sua, aquela que ele pratica, é a verdadeira?

Origens, respondem todos em uníssono!
Esta seria a solução para os problemas!


E qual a origem da Umbanda verdadeira?


Lá vamos nós novamente viajar por inúmeras teses. Negros Africanos, Sumérios, Atlântida, Astros, Planetas diversos, Seres extraterrenos, Anjos celestiais, etc…

Mas será que isso tudo é importante?

Por que temos que precisar ou determinar qual das Umbandas é a mais ou a unicamente correta?

Quem sabe não são mesmo várias Umbandas, totalmente diferentes umas das outras.
Ou, ainda por outro lado, quem sabe ela é somente uma mesmo, apenas com várias ramificações!

Se formos olhar bem a fundo cada uma das diversificações de nomes ou qualificações das diversas Umbandas, veremos que em todas elas manifestam-se entidades espirituais semelhantes, tais como os Caboclos, Pretos Velhos, Exus,Crianças, além de Zé Pelintras, Ciganos, etc…

Uma religião que prima pela Caridade, Humildade e Amor, não poderia se dividir tanto entre seus filhos.
Discutem se o Caboclo pode ou não pode usar cocar, se o Preto-Velho pode ou não pode usar chapéu, se Exu é guardião ou apenas mensageiro e deixa-se muitas vezes de perceber e até mesmo de cobrarem-se a si próprios se a caridade que estão praticando ou intermediando é real.
Será mesmo que as entidades se preocupam com estas diferenciações?

Não! As entidades espirituais são seres de luz; são, apesar de ainda imperfeitos na evolução espiritual, conhecedores da visão mais iluminada da caridade. Eles não se preocupam com as roupas que a eles queremos impor. Para eles o que importa é o amor, a união, a elevação.

Irmãos! Que divisão nada!

A Umbanda é única! Ela é perfeita!

Tão perfeita que se adapta a tantas interpretações.
Tão linda e majestosa, que aos olhos de cada um mostra a luz da maneira que possa ser percebida.
E suas origens são mesmo polêmicas, mas não traduzem os maiores ideais da religião: caridade, humildade e amor.
Que se busquem historicamente as origens, mas não contaminemos nossa prática religiosa com nossas próprias imperfeições, com nossos próprios preconceitos, com nossos próprios interesses pessoais.

Ao invés de subdesenvolvido, que tal tradicional?

Ao invés de cultos exagerados, que tal criteriosos?

Ao invés de discussão, que tal aceitação?

Não seremos menores se Africanistas, ou maiores se Iniciáticos!
Mais capazes, se optarmos por fundamentos de nação ou menos capazes, se seguirmos os ensinamentos à luz Kardequiana!
Seremos sim maiores ou menores, se levarmos em consideração a caridade que conseguirmos praticar!
Muitos se mostram prontos para uma verdadeira luta na intenção de resgatar a verdadeira Umbanda, outros pretendem livrá-la de influências negativas de outras religiões.
Vamos fazer mais que isso!
Vamos praticar a nossa Umbanda, aquela que nos toca ao coração com sentimentos de amor e caridade.
Vamos mostrar esse amor a todos os nossos irmãos.
E aí quem sabe, teremos uma Umbanda única e seremos verdadeiros Umbandistas.


(autor desconhecido - Retirado do Correio da Umbanda)

domingo, 3 de abril de 2011

Alegria e descontração no Terreiro

“Em geral, a maioria das pessoas presentes a uma reunião de auxílio, contribui de alguma forma na doação de recursos terapêuticos para o atendimento aos mais carentes de energia e de um estado harmonioso.

Entretanto, para que possamos aproveitar tais recursos, empregamos a tecnologia sideral a fim de extrair aquilo que nos seja possível, geralmente sem que tais pessoas percebam.

Quando numa reunião encontramos fatores de harmonia, de fraternidade, de tranqüilidade, podemos extrair mais intensamente essas energias de meus irmãos.
Porém, ao falar em harmonia, não queremos dizer uma reunião em que necessariamente predomine o silêncio, composta por pessoas sem interesse, aparentemente mortas ou inertes.

A alegria é um dos fatores muitíssimo importantes para que possamos captar fluidos com certas características, dotados de maior qualidade, a fim de serem transportados para os locais mais necessitados.

Portanto, pessoas reunidas em harmonia, isto é, alegres, descontraídas e ao mesmo tempo conscientes de sua responsabilidade – serão para nós as fontes mais capacitadas para arregimentar as energias curativas das quais precisamos. “

(trecho extraído do livro ‘Consciência’ pág.194, questão 96, médium Robson Pinheiro , pelo espírito Joseph Gleber)

domingo, 20 de março de 2011

Você pratica uma boa Umbanda?

Aos que trabalham na Umbanda e também a todos aqueles que querem trabalhar um dia.
Nosso trabalho não é só o que alguns vêm da assistência, principalmente em dia de Sessão de Ciganos e do Povo da Rua. Embora para estes pareça uma festa, exige muita seriedade e, mais do que nunca, responsabilidade.
O texto abaixo, escrito com muita propriedade por Douglas Fersan, Sociólogo/Educador e Umbandista, merece reflexão diária, de todos e de cada um, estejamos nós nesta seara a poucos meses, ou a muitos anos. Com sua autorização, trago de seu Blog Umbanda em Debate para cá, por entender que quantos mais prestarem atenção no seu conteúdo, mais rica será a nossa Umbanda.


E VOCÊ,  PRATICA UMA BOA UMBANDA?



No dia em que são realizadas as giras na sua casa de Umbanda, você procura, horas antes, amenizar seus pensamentos, afastando os negativos e todas as mágoas e rancores, ou dá valor a esses sentimentos, como faz no dia-a-dia? 


Horas antes, você procura alimentar-se de maneira mais frugal e sadia ou entrega-se aos prazeres do exagero da comida e da bebida, afinal ainda faltam algumas horas para a gira começar?

Antes de sair de casa você cuida de seu corpo e de seu espírito, higienizando a ambos, ou vai de qualquer forma? Tem uma roupa branca e limpa que usa exclusivamente para essa ocasião ou faz uso dela durante a semana também?

Ao cruzar a porta do terreiro deixa para trás os problemas que o afligiram durante a semana, afinal esse é seu momento de doação, ou carrega esses problemas e sentimentos inerentes a eles para dividir, ainda que involuntariamente, com os seus irmãos de fé, que fatalmente terão que dividir esse fardo com você (afinal numa gira de Umbanda as energias são compartilhadas)?

Você adentra o terreiro preocupado em solucionar os seus problemas pessoais ou pensando em praticar a caridade àqueles que esperam pacientemente na assistência?

Você entende que, numa gira de Umbanda, mesmo que não lhe sobre tempo para pedir ajuda às entidades para solucionar as suas questões particulares, você está colaborando com a sua própria evolução pelo simples fato de estar presente e servindo ao Divino e aos necessitados?


No congá você enxerga meras imagens de gesso ou pontos que emanam energias que você deve absorver a fim de realizar um bom trabalho?

Enquanto são tocados os pontos, você fecha seus olhos concentrando-se nos orixás e entidades que estão sendo chamados ou fica preocupado com o tempo que está correndo e os afazeres ou prazeres materiais que teve que deixar para participar da gira?

Você presta atenção nas roupas dos seus irmãos-de-fé, se elas são curtas ou extravagantes demais, ou cuida para que a sua alma esteja alva como deveria para aquele momento?

Em contrapartida, faz proveito da incorporação das entidades para extravasar seu ego, usando roupas esdrúxulas e exageradas, bem como para ingerir álcool e fumo em demasia, que no lugar de agradar as entidades, as expõem ao ridículo (bem como a si mesmo)?

Você faz do silêncio uma prece ou aproveita os momentos em que ele deveria reinar para conversar com os irmãos-de-fé sobre assuntos corriqueiros ou até mesmo fofocas e maledicências? Permite que a sua língua seja maior que a sua fé ou a sua dedicação à Umbanda?

Costuma dizer que as entidades ou orixás são seus – “meu Ogun”, “meu caboclo” – e acredita que você é quem realiza o auxílio aos necessitados ou tem consciência de que é um mero instrumento da espiritualidade a serviço do bem?

Olha os consulentes com certo desdém quando eles relatam um problema que para você é banal, mas que para eles pode ser o mais grave do mundo?

Diz a todos que não lembra de absolutamente nada enquanto cede seu corpo às entidades, quando na verdade possui a chamada “mediunidade consciente”?

Usa o bom nome da Umbanda e das entidades para amedrontar seus desafetos, denegrindo a imagem de nossa religião, já tão injustiçada perante a sociedade?

Alguma vez já simulou estar incorporando uma determinada entidade para dizer a alguém coisas que não teria coragem de dizer sem usar esse subterfúgio?

Já usou a sua mediunidade para obter favores pessoais, materiais e financeiros?

O que você sente quando a gira termina e você vai para casa?

A satisfação por ter cumprido o seu dever auxiliando a sua própria evolução e ao próximo, ou sente-se revoltado porque algum médium brilhou mais que você ou demorou demais atendendo aos consulentes, atrasando o encerramento dos trabalhos?
Responda a essas perguntas com sinceridade e saberá se você pratica uma “boa Umbanda”. Lembre-se que nenhum de nós é perfeito, mas trilhamos o caminho da Umbanda a fim de minimizar as nossas imperfeições, e não para acentuá-las.
Douglas Fersan – Março de 2011.

terça-feira, 8 de março de 2011

As mulheres na Umbanda

Por Cândida Camini

Durante muito tempo a sociedade se comportou de forma machista com as mulheres e, claro, na prática religiosa também.
Até hoje, em algumas casas, mulher menstruada não pode trabalhar, não pode tomar passe, mulher não toca tambor, não dirige um trabalho. Se estiver grávida, então, é imediatamente afastada da corrente mediúnica.


Infelizmente isto às vezes se aplica às entidades femininas, como as Pombas Giras, tão discriminadas por alguns, que chegam a afirmar que Pomba Gira é auxiliar de Exu, que Pomba Gira não assume um trabalho.


Quem freqüenta um Terreiro de Umbanda, percebe facilmente que a proporção de mulheres em relação aos homens é muito maior.


O que seria da Umbanda sem as maravilhosas Mães Iemanjá, Oxum, Iansã.



Mulher num Terreiro incorpora sem problema os seus guias masculinos, enquanto a maioria dos homens ainda tem pudores em deixar se manifestar uma Pomba Gira, ou mesmo uma Oxum.

Os fundamentos Umbandistas não ditam que existam diferenças entre homens e mulheres dentro de um Terreiro.

Pai Oxalá também não faz distinções, dando oportunidades iguais a todos, de praticar a caridade e cumprir sua missão.


Neste 8 de Março, dia consagrado a homenagear as mulheres, que bênçãos se derramem sobre todas, iluminando e preenchendo suas vidas de muito amor.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A utilização de tambores em rituais religiosos

Olá, pessoal.

Em breve estaremos fazendo uso de um tambor em nossas sessões. Aliás, já utilizamos pontos acompanhados do toque do tambor, porém em CD. A diferença é que agora será ao vivo, elevando e muito a vibração em nossos trabalhos.
Muitas pessoas acham que na Umbanda não se usa tambor. Que tambor é coisa do candomblé, na Nação, ou Umbanda Cruzada. Então, envio abaixo um texto explicativo. Espero que gostem.

Cândida
Casa Pai Joaquim de Cambinda


A utilização de tambores em rituais religiosos induzindo ao transe mediúnico(Texto adaptado de uma matéria da Revista Espiritual de Umbanda)

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem.
Os primeiros foram criados e manuseados ainda na Pré História, com o objetivo de cultuar Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais.
Milênios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura de cada povo. Imagens, cerimônias, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade.
O toque do tambor revela a arte de conectar–se com a Mãe Terra e com nosso eu interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza.
Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contato com os espíritos dos mortos.

Utilização dos Atabaques na Umbanda
Não se utilizavam de atabaques inicialmente. Se voltarmos aos idos de quando a Umbanda foi anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, não havia a utilização de tambores, apenas cânticos. O ritmo era mantido com o bater compassado dos pés no chão.
Atualmente, a explicação para muitos templos manterem essa formação sem tambores nos rituais de Umbanda é a de que os atabaques e o seu som percutido levam o médium a um processo de transe anímico, ou seja, estimula o atavismo, a lembrança ancestral, o afloramento do subconsciente do médium, o que pode dificultar a atuação das Entidades Espirituais. Até mesmo as palmas, em muitos locais são dispensadas.
Discordamos desta opinião se ela serve para excluir definitivamente os atabaques.
Um aspecto que deve ser considerado é que na época do Caboclo das Sete Encruzilhadas os cultos afros e a Umbanda eram perseguidos pela polícia e o rufar dos tambores denunciava os locais de culto. Seria loucura, neste contexto de repressão, se usar tambores na Umbanda e o Caboclo sabiamente não se utilizou, mas que se tenha registro nunca criticou quem se utiliza como não sendo Umbanda ou um tipo de animismo sórdido como alguns querem fazer parecer.
Além do que se o Caboclo das Sete Encruzilhadas escolheu a forma de apresentação de um indígena para se manifestar através da mediunidade, se fosse contra a sonoridade dos tambores seria um contra-senso, pois contrariaria a cultura religiosa milenar dos índios, ele mesmo tendo sua última encarnação como silvícola em solo brasileiro."

Pensamos o contrário dos que refutam os tambores. Em nossa vivência de anos, usados com equilíbrio e bom senso, manter-se a formação com tambores nos rituais de Umbanda usufruindo da magia dos  atabaques e dos seus sons percutidos levam os médiuns a um processo de transe mediúnico, ou seja, estimulando o atavismo, a lembrança ancestral anímica, o afloramento do subconsciente do médium facilita a atuação das Entidades Espirituais pelo mediunismo em seus psiquismos sensibilizados pelos toques para o transe ou possessão ritual. Assim, impossível separar animismo de mediunismo. Quando termina um e inicia o outro?
Muitos são os atabaques utilizados nos templos de Umbanda por este enorme Brasil e servem como ponto de ligação e louvação aos Orixás e Guias de Umbanda. Dão ritmo aos cânticos e criam fortes vibrações para a chamada e descida das Entidades que estarão ali trabalhando. Da mesma forma, são utilizados no acompanhamento rítmico das cantigas de ”subida“, ao termino das sessões.
Após a anunciação da Umbanda, a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade e todas as outras determinadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, houve um período em que alguns líderes religiosos e intelectuais foram a África no intuito de pesquisar as origens da ancestralidade africana da Umbanda, em contraponto à vertente  que identificava as suas origens unicamente em antigas culturas orientais, excluindo e desconsiderando outras influências na formação umbandista. Assim, trouxeram para a Umbanda práticas utilizadas também em cultos originários da África, como o toque dos atabaques.

Os Tambores Xamânicos
Os tambores xamânicos existem há pelo menos 40 mil anos em todas as culturas tradicionais do planeta. Está associado ao elemento Terra e com a qualidade da Cura. É utilizado para produzir diversos tipos de ritmos com finalidades diferenciadas, desde a música para a celebração e a dança até o toque constante, que leva ao transe profundo.
Muitos Xamãs usam seu tambor para realizar diversos tipos de cura, como o resgate de uma alma perdida ou sair viajando por outras dimensões do ser em busca de visões e conhecimento.

O som do tambor facilita a conexão de qualquer pessoa com o seu mundo interior e com todos os ritmos de seu corpo, produzindo um estado de relaxamento, de equilíbrio e ampliação de consciência, proporcionando assim uma conexão e harmonização com os ritmos planetários e cósmicos.
Para os que praticam os Rituais Xamânicos – religião oriunda de povos asiáticos e árticos, pratica filosófica e de cura encontrada no mundo todo, as batidas do tambor são como as batidas do coração da Mãe Terra.
O tambor representa a própria cultura xamânica, unificando–a e aproximando as comunidades. Costuma ser utilizado em diferentes ocasiões, como casamentos e funerais, e em todas as reuniões dos povos nativos, criando uma aura energética que possibilita a conexão com o Mundo Espiritual. Também são utilizados por curandeiros, em rituais de cura.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

102 anos da Umbanda

Em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, Estado do Rio de Janeiro, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspecto sobrenatural: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se do leito e disse “Amanhã estarei curado”.

No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada, antes, lhe houvesse tolhido os movimentos. Contava apenas dezessete anos e destinava-se a carreira militar na marinha. A medicina não soube explicar o que tinha ocorrido. Os tios, que eram padres católicos, foram colhidos de surpresa e nada disseram sobre a misteriosa ocorrência.

Um amigo da família sugeriu, então, uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida por José de Souza, na época. No dia 15 de novembro de 1908, o jovem Zélio foi convidado a participar de uma sessão e o dirigente dos trabalhos determinou que ele ocupasse um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem Zélio levantou-se e disse : - Aqui está faltando uma flor!, e retirou-se da sala. Pouco depois, voltou trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa.

Essa atitude insólita causou quase um tumulto. Restabelecida a “corrente”, manifestaram-se espíritos, que se diziam de pretos escravos e de índios ou caboclos, em diversos, médiuns. Esses espíritos foram convidados a se retirar pelo presidente dos trabalhos, advertidos do seu atraso espiritual.

Foi então que o jovem Zélio foi novamente dominado por uma força estranha, que fez com que ele falasse sem saber o que dizia (De acordo com depoimento do próprio à revista Seleções de Umbanda, em 1975.). Zélio ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação desses espíritos e por que eram considerados atrasados, se apenas pela diferença de cor ou de classe social que revelaram ter tido na sua ultima encarnação. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio e desenvolvia uma argumentação segura.

Um dos médiuns videntes perguntou, afinal: - Porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados são claramente atrasados? E qual é o seu nome irmão? Respondeu Zélio, ainda tomado pela força misteriosa: - Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho ( o médium Zélio) para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e, assim  cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber o meu nome que seja este: “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, porque não haverá caminhos fechados para mim.
Caboclo das 7 Encruzilhadas

O vidente interpelou a Entidade dizendo que ele se identificava como um caboclo mas que via nele restos de trajes sacerdotais. O espírito respondeu então: - O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre e meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro. - Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto? Perguntou com ironia o médium vidente; ao que o Caboclo das Sete Encruzilhadas respondeu: - Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei! Zélio de Morais contou que no dia seguinte, 16 de novembro, ocorreu o seguinte:  - Minha família estava apavorada. Eu mesmo não sabia explicar o que se passava comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta de uma mesa onde se praticava para mim um trabalho desconhecido.

Como poderia, aos dezessete anos, organizar um culto? No entanto eu mesmo falara, sem saber o que dizia e por que dizia. Era uma sensação estranha: uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer passava pelo meu pensamento. - E, no dia seguinte em casa de minha família, na Rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada, 20 h, já se reuniam os membros da Federação Espírita , seguramente para comprovar a veracidade dos fatos que foram declarados na véspera, os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e , do lado de fora, grande número de desconhecidos.

Às 20 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que se iniciava naquele momento, um novo culto onde os espíritos de velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse o credo e a condição social.  A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal desse culto, que teria por base o Evangelho de Cristo e como mestre supremo, Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto: sessões, assim se chamariam os períodos de trabalho espiritual, diárias das 20 ás 22 h, os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu também o nome desse movimento religioso que se iniciava; disse primeiro allabanda (ou um dos presentes assim anotou) mas considerando que não soava bem a sua vibratória, substituiu-o por Aumbanda, ou seja Umbanda , palavra de origem sânscrita que se pode traduzir por “Deus ao nosso lado”, ou “o lado de Deus”.

Muito provavelmente, ficou o nome Umbanda , e não Aumbanda, porque alguém anotou a palavra separadamente (a umbanda). A casa de trabalhos espirituais, que no momento se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolhe o Filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto. Ditadas as bases do culto , após responder, em latim e em alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou á parte pratica dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar aleijados. Antes do término da sessão, manifestou-se um preto velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas.

Nos dias seguintes, verdadeira romaria se formou na Rua Floriano Peixoto, n.º 30, em Neves. Enfermos , cegos, paralíticos, vinham em busca de cura e ali encontravam , em nome de Jesus. Médiuns (cuja manifestações haviam sido consideradas loucuras) deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

Estava fundada a Umbanda no Brasil. 15 de novembro, dia nacional da Umbanda. Salve todas as Falanges de Umbanda!