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domingo, 7 de junho de 2026

Uma noite na Aldeia Estrela Guia

Por Matheus Niederauer


A noite avançava, a maioria dos médiuns já atingia a fase do sono apropriada para o desdobramento astral. 

Um a um, fomos convocados para nos apresentarmos ao Cacique Lua Vermelha, chefe da Aldeia Estrela Guia, no centro da Mata do Juremá, no astral da Umbanda.

Guiados pelo Caboclo Tupinambá e com permissão do Caboclo 7 Flechas, Guardião desta egrégora, fomos chegando e nos posicionando em círculo, no centro da aldeia,

No chão, um desenho feito com uma espécie de cinza, que os Caboclos coletavam em cestos de palha. Enquanto faziam os desenhos, entoavam rezas em sua língua nativa.

O objetivo maior, reconectar-nos à energia da Mata Sagrada e de seus habitantes. E nisso inclui-se os animais selvagens que a tudo observavam, sem qualquer movimento, emanando sua energia a todos que ali estavam.

Os tambores indígenas tocavam com muita força energética, fortalecendo a egrégora.

Nossos braços começaram a ser pintados com uma espécie de tinta vermelha, muito parecida com argila, uns desenhos que para mim não tinham significado, mas que ao serem registrados na pele, agiam de forma magística, em cada um atuando de um jeito diferente, talvez fortalecendo a necessidade individual de cada um.

Caciques de cada tribo estavam presentes, sentados próximos ao que me pareceu tonéis, cheios de ervas maceradas em água.


Perguntei ao Caboclo Ventania sobre essas ervas e ele me disse que tratava-se de um banho que seria nos dado, num ritual de expansão energética.

Um a um, fomos conduzidos à beira de um rio e banhados com estas ervas pelos caciques. Conforme as ervas eram passadas em nosso corpo, abria-se como um ponto de luz, de um verde muito intenso, em cada ponto do nosso corpo por onde a expansão pretendida era esperada.

Após este ritual, o Caboclo Tupinambá reconduziu-nos de volta ao corpo, enquanto na Aldeia eram finalizados os trabalhos, numa ritualística própria deste Grupo de Espíritos tão importante na Umbanda.

Okê, Cacique Lua Vermelha

Okê, Caboclo Ventania

Okê, Caboclo Tupinambá

Okê, Caboclo 7 Flechas

Okê, Arô, Oxóssi e todas as falanges das Matas

Gratidão!



Matheus é médium da corrente do nosso Terreiro
e cavalo do Caboclo Ventania, que é filho do
Cacique Lua Vermelha.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

OGUM BEIRA MAR, HISTÓRIA


Por Ricardo Pereira Lapa
Médium de Ogum Beira Mar, Dirigente do Terreiro
Casa Pai Joaquim de Cambinda
Texto escrito durante a pandemia do Covid 19

Vinte e três de Abril, dia de Ogum, consequentemente, dia de nosso Comandante, Ogum Beira Mar. 
Poucos sabem da história desse nosso Comandante, desse Ogum. 
Então, para homenageá-lo, pensei que seria interesante saberem um pouco da história dele. Otávio Augustus, esse era o nome romano do soldado que pertencia ao exército romano na Capadócia. Como todo soldado obedecia ordens e morreu durante uma batalha. 
Quando chegou no Mundo Espiritual, foi convidado a servir outro exército com outro Comandante. Aceitou imediatamente sem perguntas. É da natureza de um soldado servir a um exército e ser comandado. 
 Durante muito tempo pertenceu a fileira de soldados da Luz sob o comando de Jesus. Quando eu, Ricardo, ingressei na Umbanda pela dor, como a maioria, fui apresentado a esse soldado como meu protetor de cabeça. Era uma casa de Umbanda cruzada. Não tinha idéia de minha responsabilidade com Ele e a Umbanda. 
Vários anos se passaram desde a primeira incorporação que foi em um ritual de mar no ano de 1987. 
Durante minha tragetória na Umbanda, fui convidado a dirigir, temporiariamente na ausência da direção, algumas casas que frequentava. Somente quando o Pai Joaquim disse que iríamos trabalhar no apartamento onde tudo começou, que Beira Mar foi promovido a General na Umbanda. 
 Ainda nesse período, não tinha idéia dessa reponsabilidade. Graças a Ele a Cândida acreditou numa filosofia, que até a pouco não só não conhecia, como não acreditava, mas a pedido dele, assumiu um compromisso que ela também não tinha noção do tamanho e responsabilidade. 
 Daí pra frente é a história de nossa casa, que a maioria conhece. 
Grato meu Pai Ogum! 
Grato por me sustentar sempre nos piores momentos de minha vida. Graças a esse Guerreiro estou de pé e tentando fazer o melhor possível com a ajuda desse Comandante. 
Logo, logo estaremos de volta e não será como antigamente, pois não seremos mais os mesmos, seremos melhores ainda, sempre com o suporte dessa falange e desse Comandante em particular. 
Até breve. 
Ogunhê!