Por Matheus Niederauer
A noite avançava, a maioria dos médiuns já atingia a fase do sono apropriada para o desdobramento astral.
Um a um, fomos convocados para nos apresentarmos ao Cacique Lua Vermelha, chefe da Aldeia Estrela Guia, no centro da Mata do Juremá, no astral da Umbanda.
Guiados pelo Caboclo Tupinambá e com permissão do Caboclo 7 Flechas, Guardião desta egrégora, fomos chegando e nos posicionando em círculo, no centro da aldeia,
No chão, um desenho feito com uma espécie de cinza, que os Caboclos coletavam em cestos de palha. Enquanto faziam os desenhos, entoavam rezas em sua língua nativa.
O objetivo maior, reconectar-nos à energia da Mata Sagrada e de seus habitantes. E nisso inclui-se os animais selvagens que a tudo observavam, sem qualquer movimento, emanando sua energia a todos que ali estavam.
Os tambores indígenas tocavam com muita força energética, fortalecendo a egrégora.
Nossos braços começaram a ser pintados com uma espécie de tinta vermelha, muito parecida com argila, uns desenhos que para mim não tinham significado, mas que ao serem registrados na pele, agiam de forma magística, em cada um atuando de um jeito diferente, talvez fortalecendo a necessidade individual de cada um.
Caciques de cada tribo estavam presentes, sentados próximos ao que me pareceu tonéis, cheios de ervas maceradas em água.
Perguntei ao Caboclo Ventania sobre essas ervas e ele me disse que tratava-se de um banho que seria nos dado, num ritual de expansão energética.
Um a um, fomos conduzidos à beira de um rio e banhados com estas ervas pelos caciques. Conforme as ervas eram passadas em nosso corpo, abria-se como um ponto de luz, de um verde muito intenso, em cada ponto do nosso corpo por onde a expansão pretendida era esperada.
Após este ritual, o Caboclo Tupinambá reconduziu-nos de volta ao corpo, enquanto na Aldeia eram finalizados os trabalhos, numa ritualística própria deste Grupo de Espíritos tão importante na Umbanda.
Okê, Cacique Lua Vermelha
Okê, Caboclo Ventania
Okê, Caboclo Tupinambá
Okê, Caboclo 7 Flechas
Okê, Arô, Oxóssi e todas as falanges das Matas
Gratidão!




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