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* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

domingo, 19 de julho de 2026

Quando o coração fala (18)

Por Elaine Padoan

Meu ingresso na Casa Pai Joaquim de Cambinda, carinhosamente chamada de PJ, se deu " pelo amor" , amor este incondicional que tenho pela minha filha ( nesta encarnação). 

Ela foi pela dor, mas este relato pertence a ela.

Sempre tive medo de religiões de matrizes africanas, até mesmo o espiritismo. Achava que seria abduzida,  como costumava falar na brincadeira. 

Quando resolvi conhecer o PJ, fui para entender o que lá tinha que estava fazendo tanto bem a minha filha. Mesmo com medo eu fui e nesta primeira vez nem passe quis tomar, vai que eu fosse " abduzida ".

Quanto mais minha filha frequentava a casa,  mais curiosidade eu tinha. As idas tornaram-se mais frequentes, estou falando do ano de 2023. Neste ano criei coragem para receber os passes e, pasmem, não fui abduzida rsrs.  

Inicialmente ia nas quartas e depois aos sábados também. Neste período ainda morava próximo ao PJ. Uma situação mal resolvida em vidas passadas, me levou a fazer uma apometria,  muito resolutiva para a situação em questão. Mas o que mais mexeu comigo foi quando no início da Gira, ao som de  "Meu pai Oxalá", quando me vi pisando naquele piso azul, era azul naquela época, vi que era daquele lado que queria estar, e que a partir daquele dia me doaria ao máximo para fazer parte da corrente mediúnica da casa. 

E aí veio 2024 e junto o convite para realizar o meu propósito,  ser um filho da casa PJ, que emoção.  Inicie os trabalhos na portaria, quinze dias antes da enchente que devastou o nosso bairro, atingindo meu lar e tantos outros, inclusive nosso PJ. Mas minha vontade de permanecer nunca foi maculada. Quando a casa reabriu não éramos mais os mesmos, mas sim, éramos muito mais fortes. Sempre dizia que seria médium de uma guia só,  a da casa, e que seria sempre da portaria.  Mas, como disse acima, após a enchente voltei muito mais forte, voltei sabendo que seria instrumento em qualquer segmento da casa PJ. Atualmente estou no passe, mas posso estar em qualquer lugar, portaria, Cambona,  fazendo a pipoca nas giras do Povo da Rua. 


É nesta casa que encontro o bálsamo semanal que faz eu seguir minha estrada. Quando lá adentro, todas as angústias ficam de fora. Qualquer pretensão de pensar que vou para ser instrumento de ajuda vão por terra, percebo que quem mais sai " ajudada" sou eu. 

Gratidão por fazer parte desta casa, gratidão por tantas oportunidades de aprendizado, gratidão por tanta generosidade. 

Que tenhamos mais casas PJ neste mundo.


Elaine e Mariana (a filha) são médiuns do

nosso Terreiro

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