Por Débora Vianna
Comecei a frequentar o Terreiro em 2023, sem nenhum motivo especial — nem problemas, nem agradecimentos.
Já no primeiro dia senti uma paz de espírito e um profundo sentimento de pertencimento. A ida semanal às giras virou rotina e, se por algum motivo eu não podia ir, ficava aquela sensação de que algo estava faltando.
Em 2025 ingressei no grupo de estudos. Aprendi que na Umbanda chegamos pela dor ou pelo amor; eu vim pelas mãos dos meus guias e pelo amor. A cada "aulinha", como carinhosamente chamamos as reuniões de estudos, era um novo aprendizado, com muitas trocas e a necessidade de saber cada vez mais.
Neste ano chegaram as práticas e, com elas, toda a ansiedade que acompanha o novo e o desconhecido: O que vou sentir? Como vou saber se sou eu ou um guia? E se não acontecer nada? Eram muitas dúvidas e nenhuma certeza. Já tivemos práticas de todas as linhas, mas quero relatar a que mais me assustou, encantou e abriu meus horizontes para este mundo novo e maravilhoso.
Na prática de Povo de Rua, com a ansiedade a mil, eis que uma energia muito forte se aproximou. Outra médium me levou pelas mãos cantando o ponto da Pomba Gira Sete Saias. Perdi o controle dos meus movimentos e comecei a girar. Assustada e com medo de perder o equilíbrio, meu eu consciente pensou: "Gira mais devagar". Foi neste momento que entendi tudo, pois o comando do giro ficou ainda mais amplo e rápido. Minha guia estava me mostrando que aquele momento era dela.
Após isto, adquiri um medo consciente de cair ou, pior, de esbarrar e machucar alguém. Em uma quarta-feira de gira de Povo de Rua, Seu Bará tentou me convencer a deixar a Pomba Gira chegar. Não consegui. Meu medo bloqueava a vibrante energia dela.
Então tivemos mais uma prática e pedi ajuda à querida Neca, médium experiente do nosso Terreiro. Pedi para que ela recebesse a Dona Sete Saias para que eu pudesse conversar e entrevistá-la, a fim de entender do que ela precisa para trabalhar: seus gostos, que tipo de saia utiliza e mais um monte de detalhes. Só posso descrever a experiência como incrível! Aprendi que ela viveu no Nordeste do país e que ama dançar. Apesar do nome, utiliza apenas uma saia muito, muito rodada, com um único babado na barra. Pesquisei bastante e identifiquei a vestimenta e a dança como carimbó, o que depois foi confirmado pela Neca.
Dona Sete Saias é muito vaidosa e, por assim dizer, empoderada, de riso fácil e uma leveza encantadora. Não quis guia de contas, apenas um colar de couro com duas voltas — uma curta e outra longa —, onde fica seu pingente de botão de rosa. Gosta de bebidas doces com "muitas bolinhas" (espumante) e de cigarrilha, mas me deixou à vontade para não acender se eu não quiser. Descobri que ela trabalha onde for necessário e não gosta de limitações: cemitério, calunga ou encruzilhada, ela atua onde sua presença for necessária.
Passados dez dias desta aula, chegou a gira de Povo de Rua. Fui preparada com o cordão e pingente, taça e espumante. Após o fechamento do portão, me dirigi ao salão. Dona Maria Mulambo me chamou e disse: "Sabes que não estás sozinha?". Respondi que sabia, que estava preparada para receber minha Guia e que meu único pedido tinha sido o de manter os olhos abertos.
Me afastei, me concentrei e, finalmente, conseguimos nos conectar de forma harmônica, sem medos, travas ou bloqueios. Ontem, ela pôde novamente sentir-se na matéria: dançou muito, bebeu seu espumante, conversou... Enfim, estávamos felizes, eu e ela.
Laroyê, Dona Sete Saias!
Que nossa caminhada seja longa e de muita luz.
A Débora é médium da corrente do nosso Terreiro.






