AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quando o coração fala (19)

 Por Leonardo Peixoto

Contar uma história que nem bem ao certo sei quando começou é bastante desafiador. 

Até onde consigo recordar, tudo começou quando eu tinha uns 3 anos. 

Naquele tempo um "amigo imaginário" se apresentou. Chamava-se Paulinho, e entre tantas aventuras, se tornou meu sócio numa fazenda que tinha pés de cerveja e guaraná. 

Ele ficava ao meu lado o tempo todo e me ajudava a entender o mundo. 

Ele permaneceu ao meu lado até uns 12 anos. Após isso, em sonho, se revelou um guardião de longa data e desde então nossa união não se desfez mais. 

O tempo correu e somente em uma Gira do Povo do Oriente, já trabalhando na Casa Pai Joaquim de Cambinda, é que ele veio com mais força, se apresentou e me fez rever inúmeras vidas que já tivemos, ora ele sendo meu protetor, ora eu sendo o dele. 

Foi então que entendi que guardião de vida e anjo guardador são diferentes.

Até os 30 anos de idade tudo sempre foi um enorme misto de mistério e medo. 

Eu convivia e experienciava a espiritualidade, mas somente nessa idade é que de fato iniciei o desenvolvimento espiritual de forma consciente. 

E desde meu primeiríssimo trabalho fui apresentado aos extras terrestres, inicialmente auxiliando o planeta através do Projeto Karden. Com o tempo, outros foram  se apresentando. 

Na terreira Pai Joaquim é que fui de fato apresentado a cada uma das entidades que tenho a honra de servir de cavalo, conheci seus nomes, aprendi um pouco da história que nos une e sobretudo aprendi um pouquinho sobre mim mesmo com cada um deles. 

No PJ muitas outras se apresentaram e se dispuseram a trabalhar sempre que fosse necessário, dentro e fora das giras.

O certo é que por inúmeras experiências vividas, hoje percebo que sou parte do todo, me esforçando para ser um canal melhor a cada dia, trabalhando forte no entendimento que ninguém é melhor que ninguém. 

Um dia de cada vez, força para superar os problemas, e fé para superar o restante.





                                                  O Léo faz parte da corrente mediúnica 
                                                 do nosso Terreiro.

domingo, 19 de julho de 2026

Quando o coração fala (18)

Por Elaine Padoan

Meu ingresso na Casa Pai Joaquim de Cambinda, carinhosamente chamada de PJ, se deu " pelo amor" , amor este incondicional que tenho pela minha filha ( nesta encarnação). 

Ela foi pela dor, mas este relato pertence a ela.

Sempre tive medo de religiões de matrizes africanas, até mesmo o espiritismo. Achava que seria abduzida,  como costumava falar na brincadeira. 

Quando resolvi conhecer o PJ, fui para entender o que lá tinha que estava fazendo tanto bem a minha filha. Mesmo com medo eu fui e nesta primeira vez nem passe quis tomar, vai que eu fosse " abduzida ".

Quanto mais minha filha frequentava a casa,  mais curiosidade eu tinha. As idas tornaram-se mais frequentes, estou falando do ano de 2023. Neste ano criei coragem para receber os passes e, pasmem, não fui abduzida rsrs.  

Inicialmente ia nas quartas e depois aos sábados também. Neste período ainda morava próximo ao PJ. Uma situação mal resolvida em vidas passadas, me levou a fazer uma apometria,  muito resolutiva para a situação em questão. Mas o que mais mexeu comigo foi quando no início da Gira, ao som de  "Meu pai Oxalá", quando me vi pisando naquele piso azul, era azul naquela época, vi que era daquele lado que queria estar, e que a partir daquele dia me doaria ao máximo para fazer parte da corrente mediúnica da casa. 

E aí veio 2024 e junto o convite para realizar o meu propósito,  ser um filho da casa PJ, que emoção.  Inicie os trabalhos na portaria, quinze dias antes da enchente que devastou o nosso bairro, atingindo meu lar e tantos outros, inclusive nosso PJ. Mas minha vontade de permanecer nunca foi maculada. Quando a casa reabriu não éramos mais os mesmos, mas sim, éramos muito mais fortes. Sempre dizia que seria médium de uma guia só,  a da casa, e que seria sempre da portaria.  Mas, como disse acima, após a enchente voltei muito mais forte, voltei sabendo que seria instrumento em qualquer segmento da casa PJ. Atualmente estou no passe, mas posso estar em qualquer lugar, portaria, Cambona,  fazendo a pipoca nas giras do Povo da Rua. 


É nesta casa que encontro o bálsamo semanal que faz eu seguir minha estrada. Quando lá adentro, todas as angústias ficam de fora. Qualquer pretensão de pensar que vou para ser instrumento de ajuda vão por terra, percebo que quem mais sai " ajudada" sou eu. 

Gratidão por fazer parte desta casa, gratidão por tantas oportunidades de aprendizado, gratidão por tanta generosidade. 

Que tenhamos mais casas PJ neste mundo.


Elaine e Mariana (a filha) são médiuns do

nosso Terreiro

sábado, 18 de julho de 2026

Quando o coração fala (17)

Por Débora Vianna

Comecei a frequentar o Terreiro em 2023, sem nenhum motivo especial — nem problemas, nem agradecimentos.

Já no primeiro dia senti uma paz de espírito e um profundo sentimento de pertencimento. A ida semanal às giras virou rotina e, se por algum motivo eu não podia ir, ficava aquela sensação de que algo estava faltando.

Em 2025 ingressei no grupo de estudos. Aprendi que na Umbanda chegamos pela dor ou pelo amor; eu vim pelas mãos dos meus guias e pelo amor. A cada "aulinha", como carinhosamente chamamos as reuniões de estudos, era um novo aprendizado, com muitas trocas e a necessidade de saber cada vez mais.

Neste ano chegaram as práticas e, com elas, toda a ansiedade que acompanha o novo e o desconhecido: O que vou sentir? Como vou saber se sou eu ou um guia? E se não acontecer nada? Eram muitas dúvidas e nenhuma certeza. Já tivemos práticas de todas as linhas, mas quero relatar a que mais me assustou, encantou e abriu meus horizontes para este mundo novo e maravilhoso.

Na prática de Povo de Rua, com a ansiedade a mil, eis que uma energia muito forte se aproximou. Outra médium me levou pelas mãos cantando o ponto da Pomba Gira Sete Saias. Perdi o controle dos meus movimentos e comecei a girar. Assustada e com medo de perder o equilíbrio, meu eu consciente pensou: "Gira mais devagar". Foi neste momento que entendi tudo, pois o comando do giro ficou ainda mais amplo e rápido. Minha guia estava me mostrando que aquele momento era dela.

Após isto, adquiri um medo consciente de cair ou, pior, de esbarrar e machucar alguém. Em uma quarta-feira de gira de Povo de Rua, Seu Bará tentou me convencer a deixar a Pomba Gira chegar. Não consegui. Meu medo bloqueava a vibrante energia dela.

Então tivemos mais uma prática e pedi ajuda à querida Neca, médium experiente do nosso Terreiro. Pedi para que ela recebesse a Dona Sete Saias para que eu pudesse conversar e entrevistá-la, a fim de entender do que ela precisa para trabalhar: seus gostos, que tipo de saia utiliza e mais um monte de detalhes. Só posso descrever a experiência como incrível! Aprendi que ela viveu no Nordeste do país e que ama dançar. Apesar do nome, utiliza apenas uma saia muito, muito rodada, com um único babado na barra. Pesquisei bastante e identifiquei a vestimenta e a dança como carimbó, o que depois foi confirmado pela Neca.

Dona Sete Saias é muito vaidosa e, por assim dizer, empoderada, de riso fácil e uma leveza encantadora. Não quis guia de contas, apenas um colar de couro com duas voltas — uma curta e outra longa —, onde fica seu pingente de botão de rosa. Gosta de bebidas doces com "muitas bolinhas" (espumante) e de cigarrilha, mas me deixou à vontade para não acender se eu não quiser. Descobri que ela trabalha onde for necessário e não gosta de limitações: cemitério, calunga ou encruzilhada, ela atua onde sua presença for necessária.

Passados dez dias desta aula, chegou a gira de Povo de Rua. Fui preparada com o cordão e pingente, taça e espumante. Após o fechamento do portão, me dirigi ao salão. Dona Maria Mulambo me chamou e disse: "Sabes que não estás sozinha?". Respondi que sabia, que estava preparada para receber minha Guia e que meu único pedido tinha sido o de manter os olhos abertos.

Me afastei, me concentrei e, finalmente, conseguimos nos conectar de forma harmônica, sem medos, travas ou bloqueios. Ontem, ela pôde novamente sentir-se na matéria: dançou muito, bebeu seu espumante, conversou... Enfim, estávamos felizes, eu e ela.

Laroyê, Dona Sete Saias!

Que nossa caminhada seja longa e de muita luz.



A Débora é médium da corrente do nosso Terreiro.
Frequenta o Grupo de Educação Mediúnica e já
faz parte da Corrente, atuando como Cambona.