AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quando o coração fala (19)

 Por Leonardo Peixoto

Contar uma história que nem bem ao certo sei quando começou é bastante desafiador. 

Até onde consigo recordar, tudo começou quando eu tinha uns 3 anos. 

Naquele tempo um "amigo imaginário" se apresentou. Chamava-se Paulinho, e entre tantas aventuras, se tornou meu sócio numa fazenda que tinha pés de cerveja e guaraná. 

Ele ficava ao meu lado o tempo todo e me ajudava a entender o mundo. 

Ele permaneceu ao meu lado até uns 12 anos. Após isso, em sonho, se revelou um guardião de longa data e desde então nossa união não se desfez mais. 

O tempo correu e somente em uma Gira do Povo do Oriente, já trabalhando na Casa Pai Joaquim de Cambinda, é que ele veio com mais força, se apresentou e me fez rever inúmeras vidas que já tivemos, ora ele sendo meu protetor, ora eu sendo o dele. 

Foi então que entendi que guardião de vida e anjo guardador são diferentes.

Até os 30 anos de idade tudo sempre foi um enorme misto de mistério e medo. 

Eu convivia e experienciava a espiritualidade, mas somente nessa idade é que de fato iniciei o desenvolvimento espiritual de forma consciente. 

E desde meu primeiríssimo trabalho fui apresentado aos extras terrestres, inicialmente auxiliando o planeta através do Projeto Karden. Com o tempo, outros foram  se apresentando. 

Na terreira Pai Joaquim é que fui de fato apresentado a cada uma das entidades que tenho a honra de servir de cavalo, conheci seus nomes, aprendi um pouco da história que nos une e sobretudo aprendi um pouquinho sobre mim mesmo com cada um deles. 

No PJ muitas outras se apresentaram e se dispuseram a trabalhar sempre que fosse necessário, dentro e fora das giras.

O certo é que por inúmeras experiências vividas, hoje percebo que sou parte do todo, me esforçando para ser um canal melhor a cada dia, trabalhando forte no entendimento que ninguém é melhor que ninguém. 

Um dia de cada vez, força para superar os problemas, e fé para superar o restante.





                                                  O Léo faz parte da corrente mediúnica 
                                                 do nosso Terreiro.

domingo, 19 de julho de 2026

Quando o coração fala (18)

Por Elaine Padoan

Meu ingresso na Casa Pai Joaquim de Cambinda, carinhosamente chamada de PJ, se deu " pelo amor" , amor este incondicional que tenho pela minha filha ( nesta encarnação). 

Ela foi pela dor, mas este relato pertence a ela.

Sempre tive medo de religiões de matrizes africanas, até mesmo o espiritismo. Achava que seria abduzida,  como costumava falar na brincadeira. 

Quando resolvi conhecer o PJ, fui para entender o que lá tinha que estava fazendo tanto bem a minha filha. Mesmo com medo eu fui e nesta primeira vez nem passe quis tomar, vai que eu fosse " abduzida ".

Quanto mais minha filha frequentava a casa,  mais curiosidade eu tinha. As idas tornaram-se mais frequentes, estou falando do ano de 2023. Neste ano criei coragem para receber os passes e, pasmem, não fui abduzida rsrs.  

Inicialmente ia nas quartas e depois aos sábados também. Neste período ainda morava próximo ao PJ. Uma situação mal resolvida em vidas passadas, me levou a fazer uma apometria,  muito resolutiva para a situação em questão. Mas o que mais mexeu comigo foi quando no início da Gira, ao som de  "Meu pai Oxalá", quando me vi pisando naquele piso azul, era azul naquela época, vi que era daquele lado que queria estar, e que a partir daquele dia me doaria ao máximo para fazer parte da corrente mediúnica da casa. 

E aí veio 2024 e junto o convite para realizar o meu propósito,  ser um filho da casa PJ, que emoção.  Inicie os trabalhos na portaria, quinze dias antes da enchente que devastou o nosso bairro, atingindo meu lar e tantos outros, inclusive nosso PJ. Mas minha vontade de permanecer nunca foi maculada. Quando a casa reabriu não éramos mais os mesmos, mas sim, éramos muito mais fortes. Sempre dizia que seria médium de uma guia só,  a da casa, e que seria sempre da portaria.  Mas, como disse acima, após a enchente voltei muito mais forte, voltei sabendo que seria instrumento em qualquer segmento da casa PJ. Atualmente estou no passe, mas posso estar em qualquer lugar, portaria, Cambona,  fazendo a pipoca nas giras do Povo da Rua. 


É nesta casa que encontro o bálsamo semanal que faz eu seguir minha estrada. Quando lá adentro, todas as angústias ficam de fora. Qualquer pretensão de pensar que vou para ser instrumento de ajuda vão por terra, percebo que quem mais sai " ajudada" sou eu. 

Gratidão por fazer parte desta casa, gratidão por tantas oportunidades de aprendizado, gratidão por tanta generosidade. 

Que tenhamos mais casas PJ neste mundo.


Elaine e Mariana (a filha) são médiuns do

nosso Terreiro

sábado, 18 de julho de 2026

Quando o coração fala (17)

Por Débora Vianna

Comecei a frequentar o Terreiro em 2023, sem nenhum motivo especial — nem problemas, nem agradecimentos.

Já no primeiro dia senti uma paz de espírito e um profundo sentimento de pertencimento. A ida semanal às giras virou rotina e, se por algum motivo eu não podia ir, ficava aquela sensação de que algo estava faltando.

Em 2025 ingressei no grupo de estudos. Aprendi que na Umbanda chegamos pela dor ou pelo amor; eu vim pelas mãos dos meus guias e pelo amor. A cada "aulinha", como carinhosamente chamamos as reuniões de estudos, era um novo aprendizado, com muitas trocas e a necessidade de saber cada vez mais.

Neste ano chegaram as práticas e, com elas, toda a ansiedade que acompanha o novo e o desconhecido: O que vou sentir? Como vou saber se sou eu ou um guia? E se não acontecer nada? Eram muitas dúvidas e nenhuma certeza. Já tivemos práticas de todas as linhas, mas quero relatar a que mais me assustou, encantou e abriu meus horizontes para este mundo novo e maravilhoso.

Na prática de Povo de Rua, com a ansiedade a mil, eis que uma energia muito forte se aproximou. Outra médium me levou pelas mãos cantando o ponto da Pomba Gira Sete Saias. Perdi o controle dos meus movimentos e comecei a girar. Assustada e com medo de perder o equilíbrio, meu eu consciente pensou: "Gira mais devagar". Foi neste momento que entendi tudo, pois o comando do giro ficou ainda mais amplo e rápido. Minha guia estava me mostrando que aquele momento era dela.

Após isto, adquiri um medo consciente de cair ou, pior, de esbarrar e machucar alguém. Em uma quarta-feira de gira de Povo de Rua, Seu Bará tentou me convencer a deixar a Pomba Gira chegar. Não consegui. Meu medo bloqueava a vibrante energia dela.

Então tivemos mais uma prática e pedi ajuda à querida Neca, médium experiente do nosso Terreiro. Pedi para que ela recebesse a Dona Sete Saias para que eu pudesse conversar e entrevistá-la, a fim de entender do que ela precisa para trabalhar: seus gostos, que tipo de saia utiliza e mais um monte de detalhes. Só posso descrever a experiência como incrível! Aprendi que ela viveu no Nordeste do país e que ama dançar. Apesar do nome, utiliza apenas uma saia muito, muito rodada, com um único babado na barra. Pesquisei bastante e identifiquei a vestimenta e a dança como carimbó, o que depois foi confirmado pela Neca.

Dona Sete Saias é muito vaidosa e, por assim dizer, empoderada, de riso fácil e uma leveza encantadora. Não quis guia de contas, apenas um colar de couro com duas voltas — uma curta e outra longa —, onde fica seu pingente de botão de rosa. Gosta de bebidas doces com "muitas bolinhas" (espumante) e de cigarrilha, mas me deixou à vontade para não acender se eu não quiser. Descobri que ela trabalha onde for necessário e não gosta de limitações: cemitério, calunga ou encruzilhada, ela atua onde sua presença for necessária.

Passados dez dias desta aula, chegou a gira de Povo de Rua. Fui preparada com o cordão e pingente, taça e espumante. Após o fechamento do portão, me dirigi ao salão. Dona Maria Mulambo me chamou e disse: "Sabes que não estás sozinha?". Respondi que sabia, que estava preparada para receber minha Guia e que meu único pedido tinha sido o de manter os olhos abertos.

Me afastei, me concentrei e, finalmente, conseguimos nos conectar de forma harmônica, sem medos, travas ou bloqueios. Ontem, ela pôde novamente sentir-se na matéria: dançou muito, bebeu seu espumante, conversou... Enfim, estávamos felizes, eu e ela.

Laroyê, Dona Sete Saias!

Que nossa caminhada seja longa e de muita luz.



A Débora é médium da corrente do nosso Terreiro.
Frequenta o Grupo de Educação Mediúnica e já
faz parte da Corrente, atuando como Cambona.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Saúde existencial, já ouviu falar?

 Por Cândida Camini


Durante estes quatro últimos anos, sentada no toco todo sábado, servindo de 'cavalo' para minha amada Preta Velha Maria Redonda, posso afirmar sem medo de errar, que a maioria dos atendimentos são para pessoas perdidas em sua jornada neste plano, inconformadas com a própria vida, seja no profissional, seja no familiar, seja no pessoal.

E muitas vezes ouvi dela, da Preta Velha, sobre a importância da saúde existencial.

Meu conhecimento sobre saúde era sobre a saúde física, mental, emocional, espiritual. Mas, existencial? Nunca tinha ouvido falar.

Pois a saúde existencial é o somatório de todas as outras. Ximplex axim, como a Redonda mesmo diz.

Mas não tão simples, para quem sofre deste mal.

A saúde existencial é a capacidade que temos de lidar com as adversidades da nossa encarnação. Identifiar, acolher, compreender, resolver. E, finalmente aceitar, quando não há solução.

Como bem diz a Prece da Serenidade, que deveria se tornara um mantra diário para todos que sofrem da falta de saúde existencial. Para quem não conhece: DEus, dá-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as que posso e a sabedoria para distinguir a diferença.

Se não compreendemos as dificuldades que nos afligem, a saúde existencial é afetada e se reflete na saúde física, na emocional, mental e até espiritual.

Então, o segredo está em mantermos a saúde existencial em dia. Vale o esforço e o exercício diário, principalmente para identificar o que pode ser mudado e ter coragem para mudar.

E tu, como está a tua saúde existencial?


Gratidão à Maria Redonda, por tantos ensinamentos!

Agô!



domingo, 7 de junho de 2026

Uma noite na Aldeia Estrela Guia

Por Matheus Niederauer


A noite avançava, a maioria dos médiuns já atingia a fase do sono apropriada para o desdobramento astral. 

Um a um, fomos convocados para nos apresentarmos ao Cacique Lua Vermelha, chefe da Aldeia Estrela Guia, no centro da Mata do Juremá, no astral da Umbanda.

Guiados pelo Caboclo Tupinambá e com permissão do Caboclo 7 Flechas, Guardião desta egrégora, fomos chegando e nos posicionando em círculo, no centro da aldeia,

No chão, um desenho feito com uma espécie de cinza, que os Caboclos coletavam em cestos de palha. Enquanto faziam os desenhos, entoavam rezas em sua língua nativa.

O objetivo maior, reconectar-nos à energia da Mata Sagrada e de seus habitantes. E nisso inclui-se os animais selvagens que a tudo observavam, sem qualquer movimento, emanando sua energia a todos que ali estavam.

Os tambores indígenas tocavam com muita força energética, fortalecendo a egrégora.

Nossos braços começaram a ser pintados com uma espécie de tinta vermelha, muito parecida com argila, uns desenhos que para mim não tinham significado, mas que ao serem registrados na pele, agiam de forma magística, em cada um atuando de um jeito diferente, talvez fortalecendo a necessidade individual de cada um.

Caciques de cada tribo estavam presentes, sentados próximos ao que me pareceu tonéis, cheios de ervas maceradas em água.


Perguntei ao Caboclo Ventania sobre essas ervas e ele me disse que tratava-se de um banho que seria nos dado, num ritual de expansão energética.

Um a um, fomos conduzidos à beira de um rio e banhados com estas ervas pelos caciques. Conforme as ervas eram passadas em nosso corpo, abria-se como um ponto de luz, de um verde muito intenso, em cada ponto do nosso corpo por onde a expansão pretendida era esperada.

Após este ritual, o Caboclo Tupinambá reconduziu-nos de volta ao corpo, enquanto na Aldeia eram finalizados os trabalhos, numa ritualística própria deste Grupo de Espíritos tão importante na Umbanda.

Okê, Cacique Lua Vermelha

Okê, Caboclo Ventania

Okê, Caboclo Tupinambá

Okê, Caboclo 7 Flechas

Okê, Arô, Oxóssi e todas as falanges das Matas

Gratidão!



Matheus é médium da corrente do nosso Terreiro
e cavalo do Caboclo Ventania, que é filho do
Cacique Lua Vermelha.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

OGUM BEIRA MAR, HISTÓRIA


Por Ricardo Pereira Lapa
Médium de Ogum Beira Mar, Dirigente do Terreiro
Casa Pai Joaquim de Cambinda
Texto escrito durante a pandemia do Covid 19

Vinte e três de Abril, dia de Ogum, consequentemente, dia de nosso Comandante, Ogum Beira Mar. 
Poucos sabem da história desse nosso Comandante, desse Ogum. 
Então, para homenageá-lo, pensei que seria interesante saberem um pouco da história dele. Otávio Augustus, esse era o nome romano do soldado que pertencia ao exército romano na Capadócia. Como todo soldado obedecia ordens e morreu durante uma batalha. 
Quando chegou no Mundo Espiritual, foi convidado a servir outro exército com outro Comandante. Aceitou imediatamente sem perguntas. É da natureza de um soldado servir a um exército e ser comandado. 
 Durante muito tempo pertenceu a fileira de soldados da Luz sob o comando de Jesus. Quando eu, Ricardo, ingressei na Umbanda pela dor, como a maioria, fui apresentado a esse soldado como meu protetor de cabeça. Era uma casa de Umbanda cruzada. Não tinha idéia de minha responsabilidade com Ele e a Umbanda. 
Vários anos se passaram desde a primeira incorporação que foi em um ritual de mar no ano de 1987. 
Durante minha tragetória na Umbanda, fui convidado a dirigir, temporiariamente na ausência da direção, algumas casas que frequentava. Somente quando o Pai Joaquim disse que iríamos trabalhar no apartamento onde tudo começou, que Beira Mar foi promovido a General na Umbanda. 
 Ainda nesse período, não tinha idéia dessa reponsabilidade. Graças a Ele a Cândida acreditou numa filosofia, que até a pouco não só não conhecia, como não acreditava, mas a pedido dele, assumiu um compromisso que ela também não tinha noção do tamanho e responsabilidade. 
 Daí pra frente é a história de nossa casa, que a maioria conhece. 
Grato meu Pai Ogum! 
Grato por me sustentar sempre nos piores momentos de minha vida. Graças a esse Guerreiro estou de pé e tentando fazer o melhor possível com a ajuda desse Comandante. 
Logo, logo estaremos de volta e não será como antigamente, pois não seremos mais os mesmos, seremos melhores ainda, sempre com o suporte dessa falange e desse Comandante em particular. 
Até breve. 
Ogunhê! 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Caridade x Disciplina

Por Cândida Camini


 “ Em nome da disciplina, não podemos descuidar da caridade. Mas, em nome da caridade, não devemos descuidar da disciplina. “


Não lembro quem disse isso, nem em que momento da minha trajetória como Dirigente deste Terreiro, mas foi algo que me deixou bastante preocupada.

Como chegar a um consenso? Difícil, muito difícil quando se lida com pessoas, muitas pessoas.


A resposta veio logo em seguida: - Confia!


Ok, em vocês eu confio, não confio em mim rsrsrs na minha mania de perfeição, que hoje descobri chamam de ‘rigidez cognitiva’. Não importa o nome, mas é bem complicado lidar com isso. Tipo: - Por que as pessoas não enxergam o óbvio? Óbvio pra quem? 


A solução foi focar nos fins e não nos meios. Afinal, os meios justificam os fins. Ou não? 


Depende! Complicou de novo rsrs


Mas, entre mortos e feridos, acho que o resultado tem sido positivo. Se não, só vou saber quando mudar de plano (dizem que vai demorar, então, não adianta se preocupar com isso agora). 


Sinto que vai ficando mais leve, com o passar do tempo. Alguns dizem que é a maturidade, mas eu atribuo ao fato de cada vez mais confiar em quem me guia. E também ao autoconhecimento e auto aceitação, de saber quem eu sou e quem eu não quero ser.


Agora, mais uma vez, a responsabilidade aumenta. Transmitir conhecimento nem sempre é fácil, porque agrega-se àquilo que já aprendi, o ego que nunca nos abandona (ainda bem rsrsrs). 


Então, seguimos para mais esta etapa juntos, Pai Joaquim, Ricardo e eu. Que seja produtiva, que seja de luz e também de muito aprendizado. Como disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas, através de seu médium Zélio Fernandino de Moraes, lá em 1908, quando instituiu a Umbanda no Brasil: - Aprender com quem sabe mais e ensinar a quem sabe menos. 


E como diz nossa Bandeira, com Amor, Humildade e Caridade.


Axé!


domingo, 13 de julho de 2025

O DIA EM QUE OYÁ CONHECEU O PESO DO MUNDO

Por Pai Xande de Oxalá

A TRAJETÓRIA DE OYÁ 

Conta-se que Oyá, curiosa e destemida, passou por todos os reinos. Em cada encontro, aprendeu um novo segredo. O mundo era seu livro, e ela, sua leitora mais audaciosa.

 O APRENDIZADO COM OS ORIXÁS 

Com Bará, aprendeu os caminhos. 

Com Ogum, a arte da guerra. 

Com Xangô, a força do fogo. 

Com Odé, as técnicas da caça. 

Com Ossain, os mistérios das folhas. 

Com Xapanã, os rituais aos ancestrias. 

O ENCONTRO COM OXALÁ 

Por fim, chegou até Oxalá. Ele lhe perguntou: "O que mais você deseja, filha?" E Oyá respondeu: "Já aprendi de tudo. O que me falta...é o mundo." 

O PRESENTE E O PESO 

Oxalá adveretiu: "O mundo é pesado, carrega todos os seres e dores do viver. Você acha que aguenta carregá-lo? E Oyá, firme como o vento que ela domina, disse: "Se for meu...eu o carregarei." 

A DANÇA A HUMILDADE 

Oxalá então lhe entregou o mundo. E Oyá, altiva e poderosa, sentiu o peso sobre seus ombros. Desde então, ela dança curvada diante de Oxalá, não por fraqueza - mas por reverência e sabedoria.

 ENSINAMENTO FINAL 

Oyá nos ensina que é lindo buscar sabedoria 

- Mas carregar o mundo exisge humildade 

- Ninguém sustenta tudo sozinho 

- Quem busca poder, precisa saber se ajoelhar. 

- Quem pede o mundo, precisa saber carregá-lo.
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Epahey, Minha Mãe!


"A nova era chegou, a Mãe do Tempo mandou, agora vamos plantar! "


Tudo muda o tempo todo, mesmo quando tu não percebes, estagnado que está em tuas idéias pré concebidas, em teus padrões fixos de pensar e agir.

 Mesmo quando sopra a brisa mais amena, as sementes estão sendo levadas a novos caminhos, outros chãos, para germinarem e darem origem a um novo tempo.

Ah, mas quando o temporal chega, os raios iluminam o céu, a chuva vem com força e os ventos causam estragos, aí tu te lembras de mim.

Clamas que cessem a chuva e os ventos, esquecendo que as mudanças são necessárias, mesmo que causem, ao teu ver, perdas irreparáveis.

Ninguém perde o que não lhe pertence. Ninguém ganha o que não é de seu merecimento. Os ventos levam o que já não te acrescenta e trazem o que necessitas para teu aprendizado e evolução.

Aproveitem a energia de hoje para se conectarem com aquilo que precisa ser transformado na tua vida.

Faça a tua parte e eu farei a minha!

Epahey!

domingo, 20 de outubro de 2024

Depois da enchente

 Por Cândida Camini

No início de maio deste ano de 2024, fomos surpreendidos pelas águas que invadiram nossa casa e nosso Terreiro, chegando até o telhado.

Conseguimos sair em segurança, mas perdemos tudo, nas duas casas (minhas irmãs moram nos fundos) e no Terreiro.


No Terreiro, ficaram as imagens de nosso Congá, exatamente em seus lugares, e a emoção que sentimos ao entrar lá pela primeira vez, 36 dias depois, foi indescritível. Gratidão à Zambi, Oxalá e todos os nossos Guias, pois foi da força irradiada por este Congá que conseguimos superar tudo e reconstruir (e esta é uma outra história que conto depois).

Hoje, quase seis meses depois, só temos a agradecer a todos que nos ajudaram de várias formas, botando a mão na massa, doando seu tempo, contribuindo financeiramente, também com roupas, móveis, utensílios e principalmente a todas as orações que chegavam sempre até nós reforçando nossa fé e a certeza do retorno.

As imagens estão sendo restauradas por uma amiga linda, a Bety, e quase todas já retornaram ao nosso Congá.

Ainda temos algumas reformas a fazer no final do ano, como o piso, que não foi possível arrumar pois ainda está muito úmido. Mas já retomamos as Giras e aptos a seguir com nosso trabalho de amor e caridade.

Para quem quiser e puder colaborar com nossas reformas, o pix é o e-mail do Terreiro: casapaijoaquimdecambinda@gmail.com

Axé!

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Mensagem de Kaaleb sobre estes tempos de guerra

Pelo médium Matheus Niederauer

No mais breve sua nação irá aumentar.

Será refúgio de paz e liberdade.
Diversos povos se juntarão a vocês. 
A guerra só existirá para aqueles se afinam a essa energia.O espiritual já se mobilizou ao criar novas Colônias para aqueles que retornam.Por ora todos esses recém desencarnos em conflitos estão sendo atendidos nas esferas de socorro para restaurar seus corpos espirituais.
Logo vocês serão o exemplo de que a diferença jamais existiu e jamais deve existir, seja de raça, cultura ou religião.
Nós aqui no espiritual já ensinamos os recém chegados e os próximos à reencarnação, de que não existe a diferença e sim a igualdade.
Portanto mantenham-se firmes e equilibrados no propósito maior. 
A restauração do UM já começou.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Mensagem a todos filhos de Zambi, em especial aos filhos de Xangô

 Por Cândida Camini


Há centenas de séculos neste Orbe Terreno, a justiça dos homens esteve nas mãos dos que detêm o poder.

Ainda hoje, os filhos se acham injustiçados quando algo contraria seus interesses.

Mas saibam que nada escapa à justiça Divina, de cujo Tribunal faço parte.

Até nas chamadas ‘injustiças’ , existe uma maneira de fazer com que ela se cumpra.

Lembram? “Quem deve paga, quem merece recebe.”

E isto não se aplica somente a esta vivência atual.

Todos recebem e pagam de acordo com a somatória de todas as suas encarnações.

E é aí que eu atuo. Fazendo com que ninguém se furte de cumprir aquilo que já foi determinado antes desta encarnação.

Quando clamarem por justiça, dispam-se da influência do ego, que está apegado somente ao presente, voltado as suas carências individuais. 

Lembrem-se que seu oponente também clama por justiça e, neste impasse, quem será atendido? 

Mais uma vez a máxima “quem deve paga, quem merece recebe”, se faz valer nesta contenda, trabalhando para que a Lei se cumpra.

Eu sou Xangô e Justiça é um de meus atributos.

Kaô Kabecile!

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Recado de Maria Mulambo

Por Cândida Camini 

Alupo, moço!

Alupo, moça!

Eu sou Maria Mulambo da Lixeira e, como o nome mesmo me apresenta, trabalho onde o lixo domina.

Minhas lixeiras estão espalhadas por aí, sempre prontas para receber o lixo que vocês acumulam em suas casas. E não tô aqui falando só das casas materiais, tô falando, principalmente, das suas casas internas.

É tanta mágoa, tanto ódio, tanta inveja, que já não dou conta de recolher tanto lixo.

Faz tanto tempo aquela traição, outras paixões já chegaram e você segue lembrando do fato, remoendo a mágoa.

Faz tanto tempo que mudou de emprego, por outro melhor, é importante lembrar, e você segue guardando rancor daquele superior que lhe demitiu (mesmo sabendo que foi melhor pra você).

Aquela (ex) amiga que lhe disse coisas que lhe feriram (e quanta verdade tinha naquelas palavras, não é mesmo?), nunca mais se falaram, mas você não esquece.

E seguem as lamentações.

Meu trabalho é recolher este lixo todo e, nas minhas lixeiras, transmutá-lo e devolver a você em forma de alegrias, saúde, felicidade, amor.

Mas pra isso eu preciso que você acredite no quanto isto lhe faz mal.

Então, ao entrar no Terreiro hoje, antes, deposite todo este lixo na lixeira que coloquei ao lado do portão. Não , você não vai vê-la, mas tenha certeza, ela está lá. Fazendo isso, você estará apto(a) a receber de volta, ao sair,  esta energia reciclada.

Mas lembre-se, não acumule tanto lixo. Comece com a sua casa material, esvaziando os armários, as gavetas, doando o que não usa mais. E siga não acumulando tantos sentimentos menores, que só fazem encher as minhas lixeiras.

É meu trabalho, não reclamo dele. O que me incomoda é você não fazer nada a respeito e voltar sempre do mesmo jeito, despejando seu lixo para que eu recolha. Afinal, não é este o meu trabalho?

Alupo!

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Quanta força tem um passe?

Por Sônia Corrêa 
Médium da Casa Pai Joaquim de Cambinda
Antes mesmo de entrar no tema que pretendo abordar – o passe – quero deixar claro aos leitores, especialmente aos consulentes, que é cada vez mais comum e natural a incorporação consciente, ou seja, mesmo o médium estando incorporado, ele não perde a consciência sobre o que está acontecendo ao seu redor.
 
O médium poderá estar consciente ou não, a depender da entidade que estiver incorporada, ou mesmo do caso que se apresentar diante dele. Quem define é a entidade se o médium estará consciente, ou não. Isso não é uma regra (até porque a espiritualidade se apresenta como deve se apresentar, para cada situação). 
Dito isso, é muito comum – por sermos humanos – que quando um médium trabalha no passe, ele (o médium) observe o comportamento do consulente. E não é raro que o consulente fique em frente a entidade insensível, alheio àquele momento tão especial de transmissão de energia. Será que o passe recebido com inércia terá efeito sobre o consulente? Sim, terá! Afinal, a entidade que transmite alento e boas vibrações é um ser de luz. Entretanto, somente absorvemos aquilo que estamos predispostos a receber. 
Então, porque não potencializar o efeito do passe? Quando chegamos numa casa religiosa, seja ela de qual for a religião, pressupõe-se que estamos em busca de conexão da nossa alma com o mundo espiritual. Então, ao chegarmos naquele ambiente, já devemos nos concentrar naquilo que viemos buscar, pois a espiritualidade age em todos os momentos em que nos vinculamos a eles. Sente, fique em silêncio, feche os olhos e se concentre com todas as suas forças naquilo que veio buscar. Faça uma prece, com suas próprias palavras, ou mesmo uma prece já conhecida. O mais importante é se conectar ao máximo com seus protetores, com seus anseios, com sua fé e na confiança que sairá dali, muito melhor do que chegou. 
Ao chegar em frente ao médium e a entidade que está incorporada, será o momento de congraçamento dessa conexão. O abraço da entidade, as palavras proferidas por ela (mesmo que não seja escutada), a fumaça, o álcool cruzado, as ervas passadas no seu corpo são o ápice das bendições que estarás recebendo. Receba esse amor com fé, receba essa benção com reciprocidade, receba o passe com emoção, afinal não é a qualquer momento que a gente pode estar tão interligada com um espírito que é só bondade e só te transmite benevolência. 
Se o passe para quem está inerte já produz benção, imagina a força que um passe ganha para quem está totalmente entregue e confiante na luz divina desse momento. Pense nisso na próxima vez que for tomar um passe!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Quem não pode com mandinga, não carrega patuá

 Por Soninha Corrêa


Compreender o significado dessa frase, define muitas coisas sobre quem pratica religião de matriz africana, mas também define muitas coisas sobre quem é de verdade e quem é de mentira.
Hoje, no entanto, vou usá-la para definir o meu orgulho, honra e gratidão por ter me encontrado na Sagrada Umbanda há cerca de 12/13 anos.
Mais do que ter encontrado o fio de religação entre a espiritualidade e eu, encontrei aquilo que - na minha humilde opinião - é essencial em qualquer religião: um lugar que faça com que os humanos se tornem seres melhores.
Ou seja, a evolução entendida como um processo que somos capazes de trilhar e construir se houver disponibilidade, disciplina, vigilância, amor no coração e fé.
Desde que iniciei minha caminhada na Umbanda, posso afirmar sem qualquer risco de errar, que já evolui muito. Entretanto, estou longe - muito longe mesmo - de ser um espírito de patamar superior como, sim, eu almejo.
O primeiro passo para ser Umbandista (ou membro de qualquer outra religião de matriz africana) é ter coragem para enfrentar as adversidades que essa decisão traz consigo.
Assumir-se umbandista é um ato de desprendimento do convencional, de coragem e, acima de tudo, de certeza de que não se escolheu um atalho, mas um caminho difícil que terá como recompensa a chegada num lugar melhor.
A sociedade brasileira, assim como a sociedade mundial, conserva crenças limitantes, onde o sagrado só é sagrado e respeitado se estiver dentro da caixinha de uma organização social branca, racista, machista, homofóbica, católica e/ou evangélica.
Tudo o que estiver fora desse padrão é agredido, discriminado, criminalizado.
O grande problema é que muitas vezes os próprios umbandistas discriminam-se. Aceitam e reproduzem o preconceito e a intolerância religiosa, quando se escondem e escondem sua opção religiosa.
Aceitam as bobagens e infâmias que dizem sobre nossas entidades de luz. É o que popularmente se diz: quem cala, consente.
Quem nunca ouviu pessoas falando sobre religiosos da Umbanda, do Candomblé ou de Nação coisas como porquê eu fico doente, se sou médium. Porquê os religiosos não acertam na mega sena ou, por qualquer outra razão, não são ricos. Qual é o motivo de eu não ter um relacionamento de comercial de margarina.
Há também aqueles que pedem, em tom absolutamente debochado, mas também em tom de seriedade, para que eu utilize a mediunidade para resolver um ou outro problema, desejo ou demanda.
Pois então... vamos esclarecer de uma vez por todas: médium não é mágico. Terreiro não é ilha da fantasia.
Noutro dia li um texto que falava que as pessoas não vão para igreja (seja ela qual for) para pedir ao padre ou pastor um amor, ou um marido que já é casado com outra. Também não pede para destruir a vida de ninguém.
Se é verdade que as pessoas vão às igrejas movidas por sentimentos nobres, por qual motivo acham que ao chegar num terreiro podem exigir que os espíritos de luz lhes concedam as vontades?
Se tu frequentaste alguma casa que te disse que essa ou aquela entidade é obrigada a te atender em troca de algum pagamento, no mínimo, desconfie da seriedade do lugar.
Tu até poderás ser atendido, mas não esquece de um ditado que diz que não existe almoço de graça. Tudo o que vai, volta! É a Lei do Retorno.
Os terreiros de Umbanda sérios trabalham com entidades que praticam a caridade e difundem o amor. Se tu és umbandista e não tem plena consciência e confiança nisso, estás no lugar errado.
E se tens plena consciência e confiança, o que te faz se envergonhar de se assumir umbandista? Nada foge aos olhos de Deus. O que recebemos é fruto do nosso merecimento.
Se eu tenho clareza de que eu não sou médium e nem as entidades com as quais trabalho servem para arranjar marido, emprego, fortuna, ou fazer vinganças, mas ao contrário, para difundir o amor, a humildade e a caridade, o que me impede de me orgulhar de ser umbandista?
Fraqueza? Falta de coragem?
Vou repetir a minha opinião dita lá no começo: é preciso coragem para enfrentar os desafios de romper com o preconceito e assumir-se umbandista.
QUEM NÃO PODE COM A MANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ.
Não adianta ostentar 30 guias no pescoço, dizer que recebe todas as energias de todas as linhas, se não consegues assumir quem és.
Soninha

Estou na Umbanda porque lá estou buscando a minha evolução espiritual através da prática da caridade.
Sou umbandista porque estou me esforçando para me tornar alguém melhor e lá eu recebo esse aprendizado cotidiano.
Se quiseres ir ao terreiro em busca de alguma coisa, que seja o amor, a fraternidade e a caridade, vais encontrar de sobra.
É através disso que nos tornamos merecedores de todo o resto.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

No balanço do mar

 Por: Marinheiro Alberto

Canalizado pelo Médium Matheus Niederauer

Até hoje fico pensando como eu, meus companheiros e meu capitão fomos desencarnar justo onde tirávamos o sustento para nossas famílias por muitos anos.
Era uma noite como esta, tranquila, mar calmo, parecia que seria uma excelente noite para trabalhar. Um carregamento de peixe seria entregue e voltaríamos para nossas casas e nossas famílias como muitas noites fizemos.
Estávamos rindo muito por que ganharíamos um bom pagamento e já planejávamos no que iríamos gastar.
Eu já planejava meu descanso, trabalhava muito e precisava dar mais atenção a minha familia. Queria que meus filhos seguissem os meus passos assim como eu segui os de meu pai.
Mesmo que tudo estivesse tranquilo naquela noite, algo me incomodava. Tive um engasgo repentino mas achava que era o Rum que eu degustava.
De repente o tempo virou, as ondas começaram a ficar altas e nosso capitão não conseguiu controlar o nosso barco. Ele diz hoje que tomou- se de uma fraqueza repentina nos braços. Como se fosse uma câimbra. O barco virou e eu tentei me salvar como pude até que fui golpeado na cabeça por uma parte do barco e desacordei.
Senti o meu corpo afundando e já não vi mais nada a minha frente. Sentia muita paz mesmo não mais enxergando nada. Quando despertei, nunca botei tanta água para fora. Minha roupa estava encharcada. Um rapaz de branco cuidou de mim. Perguntei sobre meus companheiros e ele só dizia que estavam todos bem. Demorei muito para aceitar a condição de desencarnado. Deixar minha família e mais do que isso deixar a minha vida no mar. Sinto falta do meu trabalho e o que me preenche hoje é proteger quem trabalha no mar. Pescadores, marinheiros e capitães do mar. Resgatar os desencarnados no mar. Já fui nestas casas de reza de vocês. Trabalhamos sempre em grupo.
Nosso trabalho é limpeza. Antes limpávamos era o convés, hoje limpamos vocês.
Quando posso, gosto muito de caminhar na beira na beira da praia a noite. Me faz bem, mesmo sendo um espírito.
Como pode me encontrar? É simples.
Ouça o som das ondas. Ao fundo, bem ao fundo você ouvirá o som de um apito.
É o sinal que estamos chegando pra trabalhar.
Salve a Marujada
Salve Mãe d'água.
Odoyá todo o Povo do Mar