AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Ogum Beira Mar, 30 anos de história

por Cândida Camini

A primeira vez que conversei  com ele, eu não tinha a menor ideia de quem se tratava.
Sabia apenas que era Ogum, o principal guia de meu marido, que era Umbandista.
Ogum Beira Mar.
Meu ser consciente não sabia quem ele era, mas dentro de mim algo gritava que já nos conhecíamos e que eu podia confiar nele.
Era o ano de 1989, mais exatamente o mês de abril, dia 20 (coincidência?).
Nosso casamento estava sendo posto à prova e eu, como boa filha de Iansã (e nesta época eu nem sabia disto), queria pelo menos entender o que estava acontecendo, antes de seguir em frente, sozinha, como eu achava que ia ser.
Mas aí ele chegou, na sala do nosso apartamento, e me pediu que não o abandonasse, pois eles tinham um plano prá nós e eu era peça fundamental para que ele se concretizasse.
Oi? Como assim?
Não importa e não me perguntem por que, mas eu confiei nele. 
Claro que eu não sabia que isto significava dirigir um Terreiro de Umbanda como este, do contrário estaria correndo até agora rsrsrsrs
Ainda bem que não corri, porque não me arrependo de nada e faria de novo.
Hoje ele é o nosso Comandante.
E eu só tenho a agradecer por confiar em mim, por me orientar, me guiar e me proteger.


Iansã é a dona da minha cabeça, Epahey Oyá!
Mas Ogum Beira Mar, com certeza, está lado a lado com ela a me conduzir.
Ogunhê!
Salve a sua linha!
Salve nossa Sagrada Umbanda!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Jojô, um trabalho de Cosme

Por Déh Martins

Joaquina, ou Jojô como ela mesma se apresenta, a Cosme que trabalha comigo, foi chamada para um trabalho pela Vó Maria Conga que trabalha com a Érika. Era para cruzar uma simples guia para uma consulente, e daquele simples trabalho, que prontamente ela fez cheia de amor e alegria, fomos para outro.
Passou defronte a outra Preta Velha e pediu um papel e uma caneta, feliz só pelo fato da
caneta ser verde haha ela adora! Disse que precisava escrever uma coisa que estava na cabeça da tia, no caso eu. Escreveu o nome e sobrenome com suas letrinhas de criança. O nome era de um rapaz já com 22 anos, com o qual eu convivi boa parte da infância e que sofria de paralisia cerebral. Sempre viveu em uma cadeira de rodas. Ele se encontrava nos últimos dias na UTI de um hospital, com diversas complicações decorrentes de uma pneumonia.
Então Jojô se dirigiu ao congá. Colocou no papel o perfume de mato como ela chama, deu beijo, dobrou, abriu seu pirulito verde que havia ganho, voltou a pegar o papel e encostou-o no rosto. Chupando o pirulito, lá fomos nós.
Chegamos num quarto de hospital. Ela e mais algumas crianças, gargalhando e pulando como de costume. Jojô se debruçou sobre a cama na qual aquele rapaz estava deitado e o mesmo prontamente lhe respondeu com um sorriso. Neste instante, os aparelhos somem, já não existe mais fios e cânulas. Seu corpo, antes atrofiado, deu lugar a um saudável menino de uns 11 anos, que sem hesitar, logo levantou-se e saiu a brincar, chutando uma bola por aquele que já não mais se assemelhava a um quarto de hospital. As paredes se distaciaram, as crianças corriam, brincavam e cantavam. 

Quando olho para onde antes existia uma das paredes, vejo uma árvore enorme, com um balanço para o qual o menino  correu para se balançar, com a ajuda da Jojô. Já não existia mais luz elétrica, a iluminação era do sol que nascia por detrás de lindas montanhas. A extensão fora daquele hospital era como um vale, um campo, um lindo jardim.
Após admirar o quão linda era aquela paisagem, volto a fixar os olhos no que acontecia próximo a mim. Vejo duas Pretas sentadas em dois banquinhos. Sim, aquela moça que dança comigo pelo Terreiro, e outra, a senhora que devagar se locomove pelo salão. Maria Redonda e Maria Conga ali estavam !
As crianças logo cercaram-nas sentados em uma roda, naquele gramado que agora existia ali!
O menino então saltou do balanço atendendo o chamado de Maria Conga, sentou ao seu lado recostando seu corpo no dela, que prontamente passou a alisar seus cabelos.
As crianças conversavam, interagiam junto com as Pretas e era explicado como tudo ia ser de agora em diante, tudo com muita alegria e muito amor.
O sorriso dele iluminava tanto quanto aquele sol ! Era extamente como eu o via quando criança.
Então Jojô sorrindo me disse: - Vamos tia, temos que voltar, já acabamos por aqui.
Em lágrimas eu voltei e isto explica aos que me viram chorar naquela gira.
Ao chegar em casa à noite, minha mãe me deu a noticia que meu amigo havia desencarnado
naquela tarde. Tirei as guias do pescoço, as repousei sobre a mesa e disse para ela sentar. Em meio a lágrimas e muita emoção contei a ela o que conto a vocês agora.
Jamais me esquecerei de como é auxiliar alguém, independente de qual forma seja, ou quem seja.

Déh / Jojô
Sigamos, irmãos de Fé! 
Cada elo é importante, é amor, é caridade é humildade.
Todas as nossas dificuldades de continuar a caminhar nesta estrada de muitas pedras, é e sempre será compensadora.

Avante filhos da Fé!
 


quinta-feira, 28 de março de 2019

História de uma Mulambo

Por Cândida Camini


Inglaterra, meados do Séc.XVI. 
Seu nome era Annie. Ela era só uma criança, mas desde cedo sua sensibilidade era intensa.
Conseguia perceber a aura das pessoas, mas ela não sabia o que isto significava. Apenas sentia.
E quando isto acontecia, na maioria das vezes era algo ruim, que lhe metia medo e a fazia chorar.
Ao ver alguém envolto em sombras, muitas vezes com olhos a lhe espreitarem através delas, ela cobria os olhos com as mãos, chorava e rezava, rezava e chorava.
Enquanto ela rezava, aquelas nuvens negras iam se desmanchando, escorrendo como lodo em direção à terra.
Vivia com a mãe em uma casa humilde, nos arredores da vila onde moravam.
Sua mãe era rezadeira e bastante procurada pelo povo da região, porque além de ter o dom de curar as pessoas, não cobrava nada por isto. Além das rezas, utilizava-se de vários elementos da natureza para preparar suas poções. E por isto, era chamada por muitos de feiticeira.


Toda vez que alguém vinha pedir auxílio, a mãe de Annnie mandava que fosse brincar no quintal, mas ela ficava espiando pela janela e repetia o ritual de chorar e rezar, rezar e chorar, sempre que alguém chegava envolto naquelas nuvens negras.
Os anos foram passando, Annie era já uma linda moça, inconformada com a vida pobre e humilde e quando completou 18 anos sua mãe decidiu que era o momento de ensinar a ela o seu ofício. A princípio ela não gostou da idéia, mas logo achou que poderia lucrar com isto e realizar o seu sonho, que era sair daquela vila pobre e ganhar o mundo.
Às escondidas de sua mãe, começou a oferecer seus serviços e cobrar por eles. E, diferente dela,  passou a trabalhar para atender todos os pedidos, fossem para o bem, fossem para o mal, desde que pagassem. Claro que a ela juntaram-se seres das sombras, que se alimentavam daquela energia e faziam tudo que ela pedisse.
Ao descobrir o que Annie fazia, sua mãe tentou de todas as formas convencê-la do quanto estava se comprometendo com estes espíritos e que um dia eles iriam cobrar da pior forma possível.
Mas ela só pensava no dinheiro que estava acumulando para poder sair daquele lugar.
Certo dia, foi procurada por um homem muito influente da região e ela, sabendo de suas posses, estabeleceu um valor altíssimo para atender seu pedido. Além de negar-se a pagar, denunciou-as como feiticeiras e, com sua influência, ela e sua mãe foram queimadas na fogueira.
Assim que saiu da carne, seu espírito foi aprisionado e arrastado para as profundezas do Umbral.
Sofreu toda sorte de violência, pois seus credores estavam hávidos por vingança.
Foi escravizada e, como tal, era utilizada da mesma forma que se utilizava deles quando encarnada.
Esgotada em sua energia, quando já não servia mais, foi deixada prá tráz, por sua conta e risco, naquele ambiente fétido e cruel.
Por lá vagou não se sabe por quanto tempo, até que um dia foi resgatada junto com outros espíritos que como ela já não tinham serventia para os seres das sombras.


Cidadela de Exu Caveira
Mas este resgate não a levou para a luz. Quando deu por conta, estava em uma cidadela do astral inferior, sendo cuidada e bem alimentada, não sabia porquê. Quando estavam todos recuperados, aqueles espíritos, juntamente com Annie, foram levados ao responsável por aquele lugar, o qual se apresentou como 'Exu Caveira'.


Ele explicou que são servidores da Luz nas trevas e que trabalhadores são sempre bem vindos, por isso estas expedições como a que resgatou-os. O próximo passo, treiná-los para o trabalho. Aqueles que aceitarem, obviamente. Os demais que sigam seu caminho.
Mesmo sem entender direito, Annie aceitou a proposta e hoje, passado tanto tempo, integra a Falange das Pombas Giras, chamadas de Maria Mulambo*. Seu trabalho? O que sempre fez de melhor quando criança, antes de se deixar levar pela ganância: tirar todo o lixo que o ser humano tem dentro de si. Com Exu Caveira, aprendeu a transmutar este lixo em energias boas, devolvendo a quem merece.
E, hoje, quando o ponto dela toca no Terreiro da Casa Pai Joaquim de Cambinda, ela se apresenta com sua gargalhada e toda a sensualidade que transmite, muitas vezes vestida só com uma flor no cabelo, poque é desta forma que atrai as energias que precisam ser trabalhadas.


 Alupo, Dona Maria Mulambo!

 Alupo, minha Senhora!







* Mulambo: significa farrapo. 
O nome Maria Mulambo é porque quando estão trabalhando nas trevas, entre espíritos degradados, revirando seus lixos, se vestem como mendigas, roupas sujas e esfarrapadas, justamente para passarem despercebidas e fazerem seu trabalho sem serem molestadas.

Ponto de Maria Mulambo









domingo, 24 de março de 2019

Mensagem da Cigana Carmem

por Cândida Camini


Era Gira de Ciganos no Terreiro.
A Cigana Carmem, que trabalha comigo,  participou de um trabalho com uma médium, no final da Gira, onde um portal havia se aberto no chão e todos os sentimentos menos nobres daqueles que ali estavam ou estiveram, eram sugados por ele.
No encerramento, enquanto o Cigano Pablo, Dirigene da Gira naquele dia,  falava com o grupo de médiuns, ela me mostrou no chão, na frente do Congá, um recipiente de cobre, um tacho, ou algo do gênero.
A Gira terminou e eu fiquei pensando o que seria.
Minha intuição me dizia que tinha a ver com aquele trabalho do portal.
Hoje, na hora da descontração da prática de yoga, Carmem me mostrou o significado daquela imagem.
Alguns médiuns que  iam chegando para a Gira, ao pisar o solo sagrado do Terreiro e posicionar-se defronte ao Congá, depositavam ali todos os seus problemas.
No chão, entre o médium e o Congá, a imagem ia alternando-se.  Às vezes uma fogueira ou um tacho de cobre, como Carmem me mostrou; uma chama violeta, um rio, o mar, uma árvore grande, de uma mata fechada. Conforme a Gira do dia, o elemento se apresentava. Em dias de Preto Velho, os médiuns deitavam a cabeça no colo de uma Mãe Preta amorosa, que enxugava suas lágrimas na barra de sua saia rodada.
A mensagem que ficou é a seguinte:

“ Ao entrar no Terreiro para trabalhar, o médium deve depositar no Congá, conforme o elemento da Gira do dia, todos os seus problemas, suas mágoas, tristezas, raivas e inconformações. A partir daí, doar-se integralmente a sua missão, que é praticar a caridade.
Ao final do trabalho, ao dirigir-se novamente ao Congá, lhe será devolvido tudo aquilo que é de sua responsabilidade, para o seu aprendizado. Todo o resto será acolhido e transmutado pela espiritualidade.
Aprenda a identificar a diferença entre um e outro e faça a sua parte.
Seus protetores se encarregarão de orientá-lo e protegê-lo.
Confie, trabalhe, estude e tudo o mais parecerá poeira da estrada, que se dissipa com o vento.”

Cigana Carmem
Optchá!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Umbanda tem fundamento e é preciso preparar!

Por Cândida Camini

Houve um tempo (acho que no século passado rsrsrs), que o Ricardo chegava em casa cheirando a Terreiro de Umbanda (eu nunca tinho ido em um, mas eu sabia que o cheiro era esse) e eu não gostava.
Houve um tempo, que ele usava um touca de meia para dormir, durante três noites, porque tinham colocado algo muito fedorento na cabeça dele e eu também não gostava disto.
Houve um tempo em que algumas vezes no ano ele não podia comer carne vermelha, nem beber nada de álcool, fazer amor, lavar a cabeça , durante três dias, e eu (santa ignorância), além de não entender (afinal eu sabia tudo né?), também não gostava disto.
E houve um tempo, em que a Umbanda nos separou, com o propósito de nos unir logo depois, me mostrando o quanto eu estava enganada e o quanto eu não sabia que Umbanda tem, sim, fundamento e é preciso preparar.
Entendi o significado desta frase, a importância dos fundamentos e que preparar, era mais do que nunca, estar preparada para acolher a Umbanda e ser acolhida por ela.
E a Umbanda também me mostrou que meu lugar não era no Kardec (eu, do alto da minha soberba, não podia admitir ser Umbandista).
Se era para 'entrar nesta' que fosse pela porta da frente.
Hã? Como assim? A Umbanda então seria a porta dos fundos? Quanta ignorância!
Graças a todos os ensinamentos recebidos, principalmente de nosso amado Pai Joaquim de Cambinda, e depois de tanto espernear (de vez em quando ainda esperneio um pouco rsrsrs), cá estou e lá se vão 17 anos, enchendo o peito e cantanto em alto e bom tom, todo início de Gira :


"Umbanda tem fundamento e é preciso preparar."
Saravá Umbanda!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Maria Benvinda, ou Mariazinha, ou Marsh



Por Cândida Camini

" Nasceu uma menina pequena, de saúde frágil.
Filha única do Sinhô e da Sinhá, donos de uma fazenda de café, na Bahia.
O médico dizia que tinha o coração fraco, que inspirava cuidados.
Tinha febres intermitentes, com muita frequência.
Para fortalecer a Sinhazinha, foi chamada uma Negra robusta, de seios fartos, que tinha acabado de parir, para ser sua ama de leite.
A Sinhá fazia de um tudo por aquela menina, que recebera o nome de Maria Benvinda.
Quando tinha cerca de dois anos, sempre que o Sinhô não estava em casa, ela permitia que a Bá levassea menina para brincar com os filhos dos escravos, no terreiro em frente à Senzala.
E como ela ficava feliz! Voltava para casa com as faces coradas e um sorriso de orelha a orelha, que deixava a Sinhá esperançosa quanto à saúde da pequena.
Mas logo a febre voltava, e ela se abatia.

No aniversário de 3 anos, embora fosse convidados os fazendeiros da região que vieram com seus filhos pequenos, Benvinda queria a presença de seus amigos negros.
Mas seu pai não permitiu. Afinal, o que seus amigos iriam pensar?
Ela não compreendia porquê seus amigos não podiam estar com ela neste dia.
E logo a tristeza chegou, a febre voltou, e Maria Benvinda se abateu.
Não queria saber de brincadeiras, nem de doces, nem de bolo.
O médico que cuidava dela e que estava presente na festa, atestou que nada podia ser feito.
A Bá então lembrou de um negro de uma fazenda vizinha, que era conhecido por seu poder de cura.
O Sinhô mandou buscá-lo às pressas e quando o Negro Joaquim chegou, pôde ver que a menina já tinha sua alma sendo desligada de seu corpinho frágil. Era chegada sua hora.
Antes que ela partisse, ainda pôde benzê-la com suas ervas e, assim que desencarnou, acolheu seu espírito em seus braços.
Maria Benvinda abriu os olhos do espírito e sorriu para o Negro Joaquim, antes de fechar os olhos novamente e ser levada pela equipe espiritual que assitia ao seu desencarne.
Mais tarde, quando o Negro Joaquim também desencarnou, encontraram-se no Astral e hoje Maria Benvinda trabalha no Terreiro de Pai Joaquim de Cambinda ( o mesmo Negro Joaquim que a acolheu no dia do seu desencarne ), na falange de Cosme e Damião, com o nome de Mariazinha.
Mas todos a conhecem por Marsh (de marschmallow), já que a primeira vez que chegou no Terreiro, deslumbrou-se com este doce e, como ainda não sabiam seu nome, a chamaram de Marsh. "

Só tenho a agradecer por tudo que tenho recebido desta criança linda que é a Mariazinha Marshmallow, com nome e sobrenome, como ela mesma diz rsrsrs

Salve a Falange de Cosme e Damião!
Saravá, Umbanda!


sábado, 26 de janeiro de 2019

Quando o coração fala [12]

Esta série de artigos que nomeei 'Quando o coração fala' é um espaço aberto a todos que quiserem compartilhar suas experiências, emoções, encontros, enfim, abrir o coração no que se refere a nossa Casa Pai Joaquim de Cambinda.
E quem abre seu coração agora é a Grazi, médium do Terreiro desde 2014. 

" Eu sou médium.
É, eu tenho o dom de ver, ouvir e me comunicar com o espiritual.
É, eu incorporo, bato cabeça, me desdobro.
É, eu uso branco, uso guias no pescoço, peço Agô.
É, eu trabalho com Preto Velho, com Caboclo, Com Cigano, com Oriental, com Cosme...ah, sim, com Exu e Pomba Gira também e não, eles não são demônios.
É, eu pratico a caridade, o amor ao próximo, o amor a mim mesma.
É, eu sou uma médium de Umbanda...
Mas eu ainda sou humana e sofro e amo e choro e sorrio e sinto...e como sinto...
Aprendi e confesso, ainda estou aprendendo que tudo acontece na hora certa (na hora de Deus).
Sou médium...mas sei que isso não me torna melhor que ninguém, apenas mais humana.
Sim, tenho problemas, dores, mágoas, mas estou aprendendo a deixar essas dores, esses medos, passarem com o tempo.
Não entro no Terreiro pensando em uma troca, do tipo "eu tô aqui, então vocês tem que me curar", ah, não.
Sei que tudo que passei e passo tem um porquê e que tenho que passar.
E que com o meu devido merecimento irei receber o que preciso receber.
O que eu preciso, não o que eu quero.
Sim, sou médium. Não faço trabalho, despacho, oferenda (respeito quem faz), mas acredito que a minha melhor oferenda aos meus protetores é a minha fé, a minha dedicação e o meu amor.
Eu amo o que eu faço, amo meu Terreiro e amo quem me guia.
É gratidão que fala?
Então isso tenho de sobra, pela Umbanda ter me acolhido com todo amor possível. 
Por ser meu pilar quando as coisas parecem impossíveis, quando acho que não tenho saída.
É sim, sou médium, mas nem por isso sou perfeita, nem melhor.
Sou humana, sou falha, aprendendo a fazer diferente, evoluindo e me reconstruindo.

Saravá, Umbanda! "



Graziane -Médium da Casa Pai Joaquim de Cambinda