AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Umbanda tem fundamento e é preciso preparar!

Por Cândida Camini

Houve um tempo (acho que no século passado rsrsrs), que o Ricardo chegava em casa cheirando a Terreiro de Umbanda (eu nunca tinho ido em um, mas eu sabia que o cheiro era esse) e eu não gostava.
Houve um tempo, que ele usava um touca de meia para dormir, durante três noites, porque tinham colocado algo muito fedorento na cabeça dele e eu também não gostava disto.
Houve um tempo em que algumas vezes no ano ele não podia comer carne vermelha, nem beber nada de álcool, fazer amor, lavar a cabeça , durante três dias, e eu (santa ignorância), além de não entender (afinal eu sabia tudo né?), também não gostava disto.
E houve um tempo, em que a Umbanda nos separou, com o propósito de nos unir logo depois, me mostrando o quanto eu estava enganada e o quanto eu não sabia que Umbanda tem, sim, fundamento e é preciso preparar.
Entendi o significado desta frase, a importância dos fundamentos e que preparar, era mais do que nunca, estar preparada para acolher a Umbanda e ser acolhida por ela.
E a Umbanda também me mostrou que meu lugar não era no Kardec (eu, do alto da minha soberba, não podia admitir ser Umbandista).
Se era para 'entrar nesta' que fosse pela porta da frente.
Hã? Como assim? A Umbanda então seria a porta dos fundos? Quanta ignorância!
Graças a todos os ensinamentos recebidos, principalmente de nosso amado Pai Joaquim de Cambinda, e depois de tanto espernear (de vez em quando ainda esperneio um pouco rsrsrs), cá estou e lá se vão 17 anos, enchendo o peito e cantanto em alto e bom tom, todo início de Gira :


"Umbanda tem fundamento e é preciso preparar."
Saravá Umbanda!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Maria Benvinda, ou Mariazinha, ou Marsh



Por Cândida Camini

" Nasceu uma menina pequena, de saúde frágil.
Filha única do Sinhô e da Sinhá, donos de uma fazenda de café, na Bahia.
O médico dizia que tinha o coração fraco, que inspirava cuidados.
Tinha febres intermitentes, com muita frequência.
Para fortalecer a Sinhazinha, foi chamada uma Negra robusta, de seios fartos, que tinha acabado de parir, para ser sua ama de leite.
A Sinhá fazia de um tudo por aquela menina, que recebera o nome de Maria Benvinda.
Quando tinha cerca de dois anos, sempre que o Sinhô não estava em casa, ela permitia que a Bá levassea menina para brincar com os filhos dos escravos, no terreiro em frente à Senzala.
E como ela ficava feliz! Voltava para casa com as faces coradas e um sorriso de orelha a orelha, que deixava a Sinhá esperançosa quanto à saúde da pequena.
Mas logo a febre voltava, e ela se abatia.

No aniversário de 3 anos, embora fosse convidados os fazendeiros da região que vieram com seus filhos pequenos, Benvinda queria a presença de seus amigos negros.
Mas seu pai não permitiu. Afinal, o que seus amigos iriam pensar?
Ela não compreendia porquê seus amigos não podiam estar com ela neste dia.
E logo a tristeza chegou, a febre voltou, e Maria Benvinda se abateu.
Não queria saber de brincadeiras, nem de doces, nem de bolo.
O médico que cuidava dela e que estava presente na festa, atestou que nada podia ser feito.
A Bá então lembrou de um negro de uma fazenda vizinha, que era conhecido por seu poder de cura.
O Sinhô mandou buscá-lo às pressas e quando o Negro Joaquim chegou, pôde ver que a menina já tinha sua alma sendo desligada de seu corpinho frágil. Era chegada sua hora.
Antes que ela partisse, ainda pôde benzê-la com suas ervas e, assim que desencarnou, acolheu seu espírito em seus braços.
Maria Benvinda abriu os olhos do espírito e sorriu para o Negro Joaquim, antes de fechar os olhos novamente e ser levada pela equipe espiritual que assitia ao seu desencarne.
Mais tarde, quando o Negro Joaquim também desencarnou, encontraram-se no Astral e hoje Maria Benvinda trabalha no Terreiro de Pai Joaquim de Cambinda ( o mesmo Negro Joaquim que a acolheu no dia do seu desencarne ), na falange de Cosme e Damião, com o nome de Mariazinha.
Mas todos a conhecem por Marsh (de marschmallow), já que a primeira vez que chegou no Terreiro, deslumbrou-se com este doce e, como ainda não sabiam seu nome, a chamaram de Marsh. "

Só tenho a agradecer por tudo que tenho recebido desta criança linda que é a Mariazinha Marshmallow, com nome e sobrenome, como ela mesma diz rsrsrs

Salve a Falange de Cosme e Damião!
Saravá, Umbanda!


sábado, 26 de janeiro de 2019

Quando o coração fala [12]

Esta série de artigos que nomeei 'Quando o coração fala' é um espaço aberto a todos que quiserem compartilhar suas experiências, emoções, encontros, enfim, abrir o coração no que se refere a nossa Casa Pai Joaquim de Cambinda.
E quem abre seu coração agora é a Grazi, médium do Terreiro desde 2014. 

" Eu sou médium.
É, eu tenho o dom de ver, ouvir e me comunicar com o espiritual.
É, eu incorporo, bato cabeça, me desdobro.
É, eu uso branco, uso guias no pescoço, peço Agô.
É, eu trabalho com Preto Velho, com Caboclo, Com Cigano, com Oriental, com Cosme...ah, sim, com Exu e Pomba Gira também e não, eles não são demônios.
É, eu pratico a caridade, o amor ao próximo, o amor a mim mesma.
É, eu sou uma médium de Umbanda...
Mas eu ainda sou humana e sofro e amo e choro e sorrio e sinto...e como sinto...
Aprendi e confesso, ainda estou aprendendo que tudo acontece na hora certa (na hora de Deus).
Sou médium...mas sei que isso não me torna melhor que ninguém, apenas mais humana.
Sim, tenho problemas, dores, mágoas, mas estou aprendendo a deixar essas dores, esses medos, passarem com o tempo.
Não entro no Terreiro pensando em uma troca, do tipo "eu tô aqui, então vocês tem que me curar", ah, não.
Sei que tudo que passei e passo tem um porquê e que tenho que passar.
E que com o meu devido merecimento irei receber o que preciso receber.
O que eu preciso, não o que eu quero.
Sim, sou médium. Não faço trabalho, despacho, oferenda (respeito quem faz), mas acredito que a minha melhor oferenda aos meus protetores é a minha fé, a minha dedicação e o meu amor.
Eu amo o que eu faço, amo meu Terreiro e amo quem me guia.
É gratidão que fala?
Então isso tenho de sobra, pela Umbanda ter me acolhido com todo amor possível. 
Por ser meu pilar quando as coisas parecem impossíveis, quando acho que não tenho saída.
É sim, sou médium, mas nem por isso sou perfeita, nem melhor.
Sou humana, sou falha, aprendendo a fazer diferente, evoluindo e me reconstruindo.

Saravá, Umbanda! "



Graziane -Médium da Casa Pai Joaquim de Cambinda

domingo, 18 de novembro de 2018

Rúbia, la vieja gitana

Por Cândida Camini

Era Gira de Ciganos no Terreiro.
Mal a música inicia, percebo uma energia me envolver e que aos poucos vai tomando conta de meu campo energético.
Lhe oferecem uma bengala, que aceita e se dirige muito devagar ao Congá, reverenciando principalmente Santa Sarah e o Povo Cigano que ali está representado.
Poucas palavras, avisa que deve voltar no final da Gira, se o 'aparelho' (no caso, eu), permitir a manifestação, que por ser a primeira vez está muito difícil.
No final da Gira, como já era previsto, devido ao meu trabalho como Cambona Chefe, não foi possível o seu retorno.
Porém, na Gira seguinte, dois dias depois, enquanto dançava, Carmem me mostra algumas imagens de una vieja gitana.
Revela-me seu nome, Rúbia e nada mais.
Dois dias depois, novamente, em uma prática de meditação, me foi passado o que relato a seguir:

Acampamento cigano.
Uma tenda não muito grande, colorida, como não podia deixar de ser.
Do lado de fora, uma velha cigana sentada em uma cadeira de balanço, feita de galhos e troncos finos de árvore, revestida com almofadas e lenços coloridos.
Rúbia é o nome dela.
Seu espírito é milenar, sua aparência é de mais de 100 anos de idade.
Emana dela uma energia forte, uma ancestralidade sem limites.
No chão, aos seus pés, três cestos. 
No primeiro, fitas coloridas.
No segundo, vários tipos de ervas.
No último, galhos de árvore, finos e pequenos.
Ela escolhe algumas fitas de cores diversas, uma ou outra erva e trama com um pequeno galho.
Seu olhar é ao mesmo tempo doce e determinado.
Seus gestos, apesar de suaves, são precisos.
Aquele tramar de elementos demora um certo tempo.


Por vezes, olha para as chamas da fogueira, desmancha e inicia uma nova trama.
Por outras, observa a água que descansa em um tacho de cobre ao seu lado e só termina o seu 'tramado', quando percebe que está em harmonia com o que vê no fogo e na água.
Fecha os olhos, agradece à Santa Sarah, deposita a trama no chão e reinicia o processo.
Desta vez são outras cores de fitas, outras ervas, outros galhos, variando conforme o que as chamas da fogueira e a água no tacho de cobre lhe dizem.

Pergunto o que ela está fazendo, qual o significado deste trabalho.
É Carmem quem me responde, me mostrando e explicando qual o papel da vieja gitana neste Clã.

Devido a sua ancestralidade, sabedoria e discernimento, ela é a responsável por programar  a próxima reencarnação de um Cigano ou Cigana do Clã, que necessite voltar ao plano terreno.

Quando chega o momento do retorno à face da Terra, ela convoca aqueles que precisam reencarnar e os orienta sobre os primeiros passos. Precisam escolher a lenha e coletar a água que serão utilizadas durante o ritual. O tipo de lenha e água auxiliará a definir seus destinos. Madeiras mais rijas e duradouras, mais tenras e frágeis. Água do rio na sua nascente, ou quando deságua no mar, água da cachoeira, das corredeiras. Detalhes que farão toda a diferença.

É numa noite de lua crescente, que a fogueira de cada um é montada e acesa e a água escolhida, derramada no tacho de cobre. 

Junto com Rúbia, observam nas chamas da fogueira, os karmas que precisam ser queimados e na água do rio, que está na bacia de cobre, o dharma, ou seja, aqueles bens morais e espirituais que amealhou em vidas passadas e que o auxiliarão a cumprir sua missão. 


Me é dito também que um Cigano nunca reencarna só. O plano reencarnatório é elaborado para um grupo familiar. Por isso Rúbia estava tecendo mais de uma trama. Na verdade, as cores das fitas e as ervas, são as energias que irão acompanhar e auxiliar o viver de cada um. O galho representa o corpo físico que irão habitar durante esta encarnação.

Terminado o ritual, os(as) ciganos(as) transmutam sua roupagem para aquela que irão utilizar na próxima vida e voltam à convivência do bando, levando consigo, cada um, a sua trama energética, de fitas, ervas e galhos, até que chegue o momento de voltar ao plano terreno, onde viverão uma vida cigana, mais uma vez. E é neste momento que o chefe do Clã, o Cigano Igor, assume a responsabilidade por eles. 

Mas esta é uma outra história, que ele mesmo irá nos contar quando de seu retorno, já que neste momento encontra-se nesta missão.

La Vieja Gitana Rúbia exerce esta função neste Clã a muito tempo. E nela permanecerá até o momento em que sua ascenção a outros planos se fizer necessária. Nesta hora, sua substituição será determinada pelo mais alto e sobre esta escolha, não há informações.

Gratidão pelo ensinamento!

Optchá, Rúbia!

Optchá todo Povo Cigano !


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Ana, uma escrava na Linha de Caboclos

por Cândida Camini


Iniciava o século XVIII, em uma fazenda no interior da Bahia nascia uma menina, filha de escrava com feitor branco.
Tinha pele cor de cuia e recebeu o nome de Ana.
Sua mãe morreu no parto, por isto foi criada pela avó, a Negra Zulmira, que era tida como rezadeira, sendo sempre chamada para encomendar a alma dos negros que morriam pelos maus tratos, por doença, ou seja lá qual fosse a causa.
Ana cresceu acompanhando as rezas de sua avó. Ficava encolhida num canto da senzala, só espiando. Ela conseguia ver e ouvir as almas, mas não tinha medo.
Gostava de passear pelo cemitério dos brancos e conversar com as almas que por lá perambulavam.
Um dia em que se demorou mais neste passeio, a Negra Zulmira, preocupada, saiu a procurá-la. Quando adentrou o cemitério e a viu conversando com as almas, decidiu que era hora de ensinar-lhe tudo a respeito deste seu ‘ofício’.
Os negros não tinham cemitério. Seus corpos eram jogados no rio, para os peixes comerem, ou deixados no mato, às feras. Os espíritos destes negros, muitos revoltados, ficavam vagando, querendo vingança, até serem chamados pelas preces da escrava rezadeira.
Dentro da senzala, bem disfarçado para que os feitores não percebessem, havia um local sagrado para os escravos. Era para este local que eram ‘chamados’ os espíritos destes negros. E ali eram auxiliados.
A Negra Zulmira era a encarregada deste auxílio, sempre acompanhada de Ana, e dos Orixás que ali eram cultuados, também.
Ana ficava encantada com a luz que os Orixás irradiavam.
Um, em particular, chamava sua atenção.
Era uma mulher, usava um longo vestido vermelho, uma espécie de véu, também longo, sobre a cabeça, preso por uma corda feita de cipós. Na mão, ela tinha uma espada de fogo.
Ana gostava de ficar observando quando este espírito de luz rodopiava, sem pisar o chão, formando redemoinhos de fogo com a espada e recolhendo as almas, levando-as ela não sabia ainda para onde.
Por vezes, em suas brincadeiras, tentava imitá-la, andando em círculos, até ficar tonta e quase ir ao chão.
Ana então perguntou a avó quem era aquele espírito de mulher, toda de vermelho, que ela via sempre quando estavam rezando as almas.
E a Negra Zulmira respondeu: é Iansã, a Orixá dos Ventos e explicou a ela tudo que podia compreender, sobre este e os demais Orixás.
Terminada a explicação, Ana declarou, determinada:
- Quero ser como ela!
Em noites de tempestade, trancada na senzala, Ana ficava aflita, não conseguia dormir. Seu desejo era sair e se banhar naquela chuva, sentir o vento, assustar-se (só um pouco) com o som dos raios e dos trovões. Enfim, sentir-se livre. Acabava adormecendo e seu espírito, liberto, podia atender seu desejo.
Ana já era mulher feita quando sua avó morreu. A partir deste dia, assumiu seu lugar, passando a ser chamada de Negra Ana Rezadeira.
Viveu para esta missão, sempre auxiliada pelo espírito da Negra Zulmira, sua avó e, quando morreu, foi acolhida pela avó e, claro, por Iansã.
Levada para Aruanda, depois de anos de treinamento e estudo, conforme seu desejo, passou a ser também uma falangeira de Iansã.
Hoje, trabalha em uma Seara de Luz, usando como ‘cavalo’ alguém que conheceu naquele tempo, naquela fazenda e por quem ela também rezou a alma.
Mas esta é uma outra história.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Quando o Coração Fala (11)


O Kelvin é um menino adorável, filho de Oxum. Entrou para a corrente mediúnica de nosso Terreiro no início de 2017 e, mesmo com sua pouca idade, tem uma entrega e um comprometimento lindo de se ver.
Ano passado solicitou permissão para aprender a tocar o tambor. Permissão concedida, vem se dedicando com todo seu amor pela Umbanda e nos encantando com sua vibração.
Como todo jovem, tem suas inseguranças, se sente discriminado de alguma forma, enfim...
Na Umbanda, foi acolhido e tratado como igual.
Na última Gira de Caboclos, no encerramento, era visível a sua emoção e de alguma forma sabíamos que algo de muito especial estava acontecendo com ele. Nos emocionamos juntos.
Hoje ele nos brinda com este relato. Obrigada, querido, por compartilhar!

FINALMENTE LIVRE 
Por: Kelvin Lorran

Eu não aguentava mais ficar o tempo todo preso naquelas correntes, mas também não fazia nada para me libertar. 
A sensação de estar preso nas correntes do próprio medo e da tristeza me fazia sentir menos do que eu era, menos do que eu sou! 
O ruim de tudo isso é que eu me fazia de vítima e dizia que as pessoas me machucavam! 
Sendo que era eu mesmo que fazia isso com os meus sentimentos! 
Hoje eu tenho a noção de que eu estou com as chaves dessas correntes. Mas não foi fácil consegui-las e não está sendo fácil mantê-las!
 Nossos sentimentos nunca são os mesmos a todo tempo e isso é bom! 
A cada dia nós nos estressamos, amamos, sentimos e vivemos e isso é a melhor coisa que temos para o nosso aprendizado. 
Às vezes precisamos de um tempo para pensar em nós mesmos e nos organizarmos internamente. 
Os nossos sentimentos sempre vão mudar de acordo com o tempo e devemos estar preparados para aceitar. 
"Aceitar não quer dizer não fazer nada mas sim entender e se adaptar com a situação." 
Mas as correntes podem voltar! Se nós nos deixarmos levar pelas emoções e ficarmos pensando no que os outros pensam, as correntes voltam e nos fazem escravos de nossas próprias emoções. 
Na segunda feira quando eu chorei tocando o tambor era como se as correntes tivessem sido quebradas e naquela hora quando meus olhos estavam fechados eu acordei. 
Foi simplesmente incrível e queria compartilhar isso com vocês



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

QUE ORIXÁ REGERÁ E O QUE ESPERAR PARA 2018?


Então, muitos ainda querem ter esta referência. Um destes é a idealizadora deste Blog, a jornalista e médium desta Casa, Soninha Correa.
Lembrei a ela o que penso sobre isto e que publiquei aqui mesmo, neste Blog, em dezembro de 2016 (http://casapaijoaquimdecambinda.blogspot.com.br/2015/12/quem-vai-reger-o-ano-de-2016-quem.html). 
Deixei-a à vontade para pesquisar e escrever um texto dentro daquilo com que mais tivesse afinidade. 
Para aqueles, que assim como ela, tem esta curiosidade, aí está:


QUE ORIXÁ REGERÁ E O QUE ESPERAR PARA 2018?
Por Soninha Correa

Fiz algumas pesquisas sobre os regentes, os maestros espirituais que conduzirão o ano de 2018. Cada terreiro tem sua ritualística para afiançar a regência do ano. Há aqueles que definem que o Orixá regente é aquele cujo dia da semana começa o ano. Há os que dizem que será aquele que tem a sua equivalência no planeta que vai imperar no ano.

Independentemente da baliza adotada, vou ficando com a maioria que, aparentemente, juntou as duas hipóteses e afirma, portanto, que 2018 terá XANGÔ, IANSÃ e EXU no comando. O que isso significa?


XANGÔ

Xangô é o Orixá da justiça e do fogo. A representação de sua força está nos trovões. Viril, intenso e justiceiro, Xangô é aquele que retoma os débitos do espiritual e impõe a probidade. Por isso, a frase “Quem deve, paga! Quem merece, recebe!”, traduz a feição de Xangô.


IANSÃ

Iansã é Orixá do movimento, dos raios e da ventania. É representada pelas tempestades que extasiam e produzem mudanças por onde passam. Iansã participa das lutas nos campos de batalha e é conhecida como a Orixá do arrebatamento. Iansã é a senhora dos ventos e ela pode ser uma brisa e no momento seguinte ser um vendaval. Por tudo isso, é que se diz sobre Iansã que o vento produzido pelo abanar das asas de uma borboleta pode ganhar a força de um furacão.

EXU

Exu é o mensageiro da luz aqui na terra. Através dele, a luz  pode manifestar-se nas trevas. Exu é como o policial que age para estabelecer o cumprimento da Lei e consegue se infiltrar facilmente nas organizações das trevas. Ajuda aqueles que querem retornar à luz, mas não auxilia aqueles que querem ruir nas trevas. Há muito preconceito em torno de Exu, provavelmente, porque ele é implacável, direto e reto. “Se não aguenta ouvir verdades, não venha com mentiras!”, é uma frase que poderia defini-lo.

DO CAOS AO NIRVANA

Diante disso, pode-se concluir que 2018 será um ano regido por forças cuja marca é a radicalidade. Será um ano de contenda para que a justiça se constitua. Será um ano de profundas mudanças. E também será um ano em que a luz poderá vencer as trevas.

Mas, lembre-se: para que isso aconteça teremos violentas tempestades, trovões, raios, vendavais e enfrentamento de verdades sem misericórdia, nem clemência.






Soninha Corrêa, jornalista e médium da Casa Pai Joaquim de Cambinda