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* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

sábado, 21 de março de 2015

Quando o Coração Fala [8]

Então, o Matheus foi uma linda surpresa que chegou até nós no início de 2014, ingressou no grupo de estudos e no meio do ano já fazia parte da corrente mediúnica da casa.
O combinado é que os novos fiquem só camboneando, no início, mas impossível não aproveitar a capacidade mediúnica dele, a garra e a vontade de ajudar. Logo estava se oferecendo como médium de passagem e, em seguida, trabalhando no passe.
Como todo médium consciente, ainda mais em início de trabalho, as inseguranças fazem parte.
Segue relato dele e sua experiência com o novo cachimbo do Preto, Pai Cipriano das Almas.
Agô Pai Cipriano!

“Eu tenho medo vovô, eu tenho medo, da fumaça do cachimbo descobrir o meu segredo”.
Tudo começa com o processo de fazer um bolo: separar a clara da gema, bater as claras em neve, misturar a farinha, o açúcar, o fermento, levar ao forno e esperar que dê certo. Quando não a surpresa: o bolo não cresceu!
Quando trouxe o bolo para o terreiro, foram essas as palavras de um dirigente: 
'O segredo é fazer com amor'.
A história segue o desenrolar com um cachimbo: branco, curvo e com a ponteira vermelha, inexperiência e orgulho do médium.
Após a gira começar e sentir a vibração do Preto, estar acomodado em um canto do terreiro, o ponto já estar riscado na tábua com a pemba branca, servir o seu café e cumprimentar os médiuns e entidades, era a hora de testar o novo instrumento de trabalho. Mas como fumar um cachimbo se eu nunca havia fumado? Em um momento, todos os olhos se voltam para o médium, o nervosismo atrapalha a vibração, as mãos começam a tremer e a suar, a fumaça do cachimbo não sobe com facilidade. Há algo errado.
A matéria assume o espiritual e na ânsia de mostrar firmeza, o orgulho toma conta. 
Sim, pois ali já não era mais o preto que fumava, mas o médium que tentava imitar o que via os outros pretos fazerem ou seguir o manual que leu antes da gira de como fumar um cachimbo.
Segue novamente a história, são atendidos todos os consulentes e o espiritual decide inverter a história. Como se pegasse pela mão, o Preto decide ensinar seu modo de fumar e assim, longe de tantos olhares, sem a expectativa inicial e com um pouco mais de humildade a fumaça passa a subir. O preto demonstra que para não apagar o cachimbo, é necessário socar o fumo no fornilho mas, diferente dos outros médiuns, ele prefere usar o dedo. Depois é hora de ascender o cachimbo, com um isqueiro normal, aproximando o fogo do fumo e dando pequenas tragadas para que o calor se propague e o fumo queime uniformemente. Às vezes o cachimbo apaga, em outras, a fumaça que sai é pouca, às vezes nem é notada. Depois de fumado, basta limpar o cachimbo com aquelas ponteiras adequadas e está tudo terminado. Resta somente o preto do carvão nas mãos do médium e a sujeira nas calças.
Foi com a intenção do amor que foi levado o cachimbo e através daquela fumaça cheirosa se aprendeu uma lição: no momento da escolha do cachimbo e depois do fumo (um fumo de café, que o Preto gosta) sobre o amor. Se há na intenção o amor e o carinho, como podem médiuns proferir palavras que prejudicam ou machucam consulentes? 
Se há na intenção o amor, como é possível os médiuns irem com a mentalidade de primeiro serem ajudados para depois ajudar? Não sabem eles que através do amor (aqui na forma de caridade) recebe a mais benéfica ajuda como um sorriso de agradecimento e seus problemas somem ou ainda, sua energia se equilibra. 
Não através da mistificação de suas entidades, mas através do amor puro e simples. Como aquela historia da moça que ao chegar no terreiro deixou seus problemas em baixo da imagem de Ogum e após se doar mediunicamente, esqueceu até que os tinha colocado ali. Cofiante de que Ogum estivesse cuidando deles para ela.
Montando o cachimbo, aprendi que esses seres de luz, tem seu próprio modo assim como nós temos nossos gostos, escolhas e dificuldades. Que às vezes, muita pressão atrapalha assim como pouca pressão não fará com que o cachimbo permaneça aceso e se ele apagar é melhor acender várias vezes do que insistir em dar várias tragadas fortes, pois o calor poderá fazer com que o gosto do fumo se perca, ou seja, melhor insistirmos uma, duas, três vezes quantas forem necessárias e aproveitar esse momento do que simplesmente desistir. Tentamos de forma diferente.
Fumando, aprendi sobre as minhas expectativas e meu orgulho. Que muitas vezes, queremos que tudo dê certo, esperamos o reconhecimento sem o trabalho árduo e outras, queremos que a fumaça seja forte e branca para os olhos dos outros, quando na realidade o efeito não está na aparência, mas no prazer de fumar em si. Aprendi que é necessário um pouco de humildade e que a vaidade é só aquele carvão preto.
Limpando o cachimbo, aprendi que o preto do carvão não é sujeira. É parte do cachimbo e da experiência do fumar, como se nosso lado escuro fosse presente e inevitável, parte da nossa jornada e que deveríamos limpar e jogar fora para começar uma nova experiência muito melhor. Que o carvão que resta no cachimbo é importante para a maturação do gosto, como se as dificuldades que passamos não fossem esquecidas, mas melhorassem nosso ser. As manchas pretas nas calças e nas mãos são marcas também inevitáveis desse processo de evolução, aprendizado e, sobretudo prazerosa experiência.
E como no ponto, meu segredo foi descoberto pela fumaça do cachimbo do Cipriano:
“ Eu tenho medo vovô, eu tenho medo, da fumaça do cachimbo descobrir o meu segredo”.



Matheus Capra Ecker
Médium da Casa

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

EXTRA-TERRESTRES TRABALHANDO NO TERREIRO?

Assim que o primeiro se manifestou e esta história eu já contei aqui no Blog , minha primeira providência foi buscar informações junto ao Pai Joaquim, que é o responsável pelos nossos trabalhos.
Já aprendi que não importa quem está trabalhando, mas o trabalho que está sendo feito. Porém, neste caso específico, bastante polêmico eu diria, achei importante saber de que forma ‘eles’ fazem isto, até para poder desmistificar e esclarecer os mais curiosos e até os que desacreditam.
E a resposta que recebi não tem nada de fantástico e é muito simples e de fácil entendimento por qualquer um que tenha um conhecimento básico sobre corpos espirituais, desdobramento e projeção astral.
Qualquer espiritualista acredita, ou deveria acreditar, na sobrevivência do espírito e das ‘muitas moradas na casa do Pai’. Sendo assim, fica fácil acreditar que existe sim vida em outros planetas.
Se nós, terráqueos, podemos nos desdobrar e nos locomovermos em corpo espiritual para outros lugares, não só aqui mesmo no nosso Planetinha, como em outras instâncias do astral, até mesmo a outros Planetas, dependendo de nossa capacidade para tal, porque ‘eles’ não podem fazer o mesmo, considerando-se que muitos são ou podem ser infinitamente mais evoluídos que nós, tecnologicamente falando , inclusive?
Muitos podem estar se perguntando: e por que seres de outros planetas, até mesmo mais evoluídos teriam interesse em vir até nós?
E a resposta de Pai Joaquim: troca de conhecimento, de experiências. Todo mundo tem algo a aprender e a ensinar. “Ximplex axim”, como diria o Nêgo.
Então, resumindo, ‘eles’ vem até nós desdobrados e incorporam em um médium para auxiliar nos trabalhos, principalmente de saúde.
Claro que não é qualquer médium. Precisa ser alguém com disponibilidade para tal, sem preconceito e com afinidade energética.
Falo de preconceito, porque tem médiuns que bloqueiam qualquer energia ‘diferente’ e que não seja identificada como a de um de seus guias. Já rotulam como sendo um obsessor e não se permitem incorporar e desfrutar deste aprendizado.

Para finalizar, deixo aqui um vídeo que assisti esta semana no youtube e que acabou por originar este texto.



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

CIGANOS, ALEGRIA QUE CONTAGIA

Por Cândida Camini

O povo Cigano é conhecido por sua alegria, músicas, danças, cores e magias.
Os espíritos que trabalham na linha dos Ciganos mantêm estas características não só em seu dia a dia no astral, mas principalmente quando se apresentam para trabalhar.
A energia de uma gira Cigana se pauta na leveza que estes elementos transmitem aos seus médiuns e todos aqueles que procuram atendimento.
Quando um médium tem seu campo energético preenchido pela energia de um espírito cigano, sua alma passa a ser cigana. São comuns sentimentos de imensa liberdade, alegria e vontade de dançar.
O tempo deixa de existir da forma como o conhecemos na matéria e só o que passa a ter importância é usufruir desta energia e distribuí-la incondicionalmente a todos que estão abertos à recebê-la.
Os Ciganos são comerciantes natos e conhecidos pela sua esperteza nos negócios. 
Isto nos remete à crença de que os espíritos que trabalham nesta linha têm o poder de trazer a prosperidade para nossas vidas. E não deixa de ser verdade. Porém não exatamente da forma como entendemos a prosperidade. Não estamos aqui falando de dinheiro somente, mas também da prosperidade em todos os campos da nossa vida material e espiritual, por que não?
Não procure um espírito Cigano para pedir sucesso financeiro somente. Procure nele e em seus ensinamentos, a força e a coragem para saber usar os seus talentos e ir em busca deste sucesso.
Se você tem alguma dúvida sobre o que significa ser Cigano, lembre-se do lema deste Povo:


“ O céu é o meu teto,  a terra é a minha pátria e a liberdade a minha religião. ”

Optchá!


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Amor de Mãe

por Cândida Camini

Afirma que mãe ama igualmente seus filhos quem não acredita na sobrevivência do espírito e em reencarnação.
Quem acredita sabe que não vivemos apenas esta vida e que são as afinidades e as diferenças que pautam este amor.
A mãe que ama verdadeiramente seus filhos, independente da intensidade com que este amor vibra por cada um, sabe que protegê-los ao extremo, colocá-los sob a asa para impedir que sofram ou sejam machucados, só os impedirá de crescer e aprender com os próprios erros.
A mãe que almeja o sucesso e a evolução dos filhos, orienta, liberta, vibra quando chega a hora de fazerem suas próprias escolhas e seguirem seu destino.
Alguns filhos temem e adiam até este momento, com receio de magoar, de ser tachado de ingrato e todas estas coisas que as mães mais passionais costumam pensar dos filhos que decidem sair de casa e morar sozinhos, ou dividir a vida com outra(s) pessoa(s).
Assim eu me sinto em relação aos filhos(as) que a Umbanda me deu, quando me destinou como responsável por este Terreiro, junto com o Ricardo.
Não amo a todos igualmente (e nem sei se me atrevo a falar em amor), pelo contrário, a grande maioria quando chega, traz consigo tudo aquilo que ainda preciso melhorar em mim. E o grande desafio é aprendermos juntos, a crescer e melhorar como pessoa.
O tempo vai passando e quando achamos que já podemos afirmar que nos entendemos, alguns filhos se libertam e querem seguir outros caminhos. E agora o desafio é o do desapêgo. Compreender e deixar ir. Porque toda mãe deve ou deveria saber, que os filhos não nos pertencem e que nos são emprestados durante o tempo que for necessário para que possam ganhar o mundo.
Alguns filhos é mais difícil deixar ir. Nosso instinto materno de proteção nos indica que precisam de mais um tempo ao nosso lado. Aquela afinidade que parece não ter explicação (e que só se explica pela reencarnação), teme a falta que ele, ou ela, vai fazer.
Com outros, parece mais fácil, algo nos diz que só veio cumprir um missão e, esta finda, se vai como chegou, sem deixar marcas ou saudades.
Quando iniciei nesta Seara, ouvi de nosso mestre Pai Joaquim de Cambinda que esta casa é uma casa de aprendizado, uma casa de passagem. Que alguns teriam suas próprias casas, no futuro. E outros ainda, teriam que passar por aqui e por muitas outras casas antes de se encontrarem. Outros mais, movidos pela curiosidade e pela empolgação, logo compreenderiam que não é necessário pertencer a nenhuma religião para fazer a caridade utilizando-se de sua mediunidade. Basta saber como utilizá-la em seu benefício e em benefício do próximo. E um dos propósitos desta Casa é este.
Alguns anos se passaram (12, desde quando tudo começou e 4 da fundação desta Casa como é hoje), muitos chegaram, outros tantos já se foram e alguns ainda estão se preparando para vir.
E como dizem que coração de mãe sempre tem lugar prá mais um, seguimos neste caminho, pedindo a Oxalá e todos os Orixás, que continuem nos dando a compreensão sobre o melhor a ser feito, dentro de nossas limitações.

Porque afinal de contas, nenhuma mãe é perfeita, embora os filhos pensem isso até descobrirem por si mesmos que a realidade é bem diferente. E quando isto acontece, o desafio é aceitar as diferenças e aprender com elas, sem deixar de amar.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Está com problemas?

Por PASCHOAL D’ OXAGUIAN 


UM MÉDIUM que atendia em sua humilde casa, ele e apenas um assistente, abriram as portas de sua casa e se dedicaram para ajudar os necessitados como de rotina.
Certa noite, tudo preparado para o início dos trabalhos, o pessoal começou a chegar e sentar-se nas cadeiras, no local chamado de “Assistência”.
Apesar de pequeno o local, o pessoal foi chegando e se acomodando como dava.
Adentrou um casal de idosos, uma mulher com um bebê de colo, um jovem rapaz, uma senhorinha de idade, um senhor sujo e com a roupa rasgada e uma linda jovem cheia de joias e aparentando muita saúde.
Ao dar início aos trabalhos, desce em terra sobre o médium, um Preto Velho. Sua assistente acende seu cachimbo, serve um pequeno pedaço de bolo de fubá, cafezinho e sua vela branca. Todos ansiosos para o início da consulta, quando a assistente diz:
- O Preto está chamando quem gostaria de tomar passe e consultar.
Antes da assistente chamar as crianças primeiro, a Jovem linda, com suas joias, levanta-se e diz:
- Eu, eu... eu primeiro.
Todos respeitam e ela segue em direção ao preto velho. E começa o diálogo.
- Preto, estou sofrendo muito, não aguento mais, a solução da minha vida é o Senhor, me ajude por favor.
O Preto olha assustado a ela, sem ter tempo de correr uma rápida gira ou se quer olhar na vela e diz:
- Fia, o que houve? Calma, Nego vai te ajuda.
- Preto, meu marido largou de mim, eu amo ele, faça alguma coisa, não aguento mais, já pensei em me matar, usa suas forças e traz ele de volta.
- Fia, nego... (interrompido)
- Eu amo muito ele, não quero ele com nenhuma outra vadia, só pra mim, faça uma amarração, estou sofrendo muito...
- Fia, Nego num faz amarração
- Eu pago.
- Fia, Nego num cobra.
- Preto, por favor, estou sofrendo muito, minha vida se arruinou por causa da falta dele.
- Tudo bem, Fia, vou te ajudar, mas mantem a calma e não é com amarração que se arruma isso.
- Preto eu pago o que for preciso, quero ele só pra mim de volta.
Então Preto velho sábio, muito calmo, dá risada e diz:
- Fia, volte a sentar lá que eu vou atender o pessoal e te chamo depois deles.
- Mas, preto, o Senhor não entende minha situação, como eu vou ficar por última? Preciso dele amanhã mesmo ou quando sair daqui.
- Fia, eu vou te aju....... (Interrompido)
- Preto, olha essas pessoas, eu duvido que elas estejam mais desesperadas do que eu.
Então, preto velho pensa um pouco e diz:
- Fia, vou deixa você por último justamente por isso. Eu cuido do caso deles rapidinho, o seu é mais demorado, prometo que você vai ficar mais calma quando acabar de conversar comigo.
- Mais, preto, olhe esse pessoal... (interrompida)
- Fia, olhe esse pessoal também. Não posso contar os problemas alheios, mas olhe ao seu redor... eu vou te ajudar, basta eu acabar o trabalho deles.
- Vai demorar preto, quero muito ele, logo, o quanto antes.
- hehehe. Não vai, não, fia. Aquele moço jovem está com demanda e feitiços, perdendo tudo o que tem, eu quebro rápido. O Casal de senhores está com problema com o filho por causa das drogas e a casa suja, isso também não vai demorar. A Senhora sozinha está com uma doença grave nas pernas e vai ter que amputar, mas não é tão grave como o sofrimento seu.
- E a mulher com o bebê parece bem.
- O bebê está com obsessor, não dorme, só chora, e esse espírito obsessor bate no pequeno nas noites de sono.
- Tá... mas aquele senhor sujo, com roupas rasgadas, não está com tanta pressa. Olhe, preto, está até cochilando na cadeira.
- Rs, rs... Sim, fia, ele vive na rua e vem sempre aqui, espera todo mundo acabar de se consultar pra pode comer um pedaço do meu bolo e tomar café com o nego pra amenizar a fome.
Então a moça olha bem, abaixa a cabeça e diz:
- Está certo, preto, vou esperar.
Ela dá às costa pro preto velho e escuta:


- Fia, Qual era seu problema mesmo?
Envergonhada e enxergando a diferença de problemas, ela diz:
- Nada, preto, nada. Só vim tomar um passe.

Resumindo, quando você acha que está com um Problema, olhe ao seu redor, veja os problemas dos outros, depois volte olhar o seu, ops... cadê?? Eu tenho problemas??