AVISO IMPORTANTE:

* Nossa casa fica em Porto Alegre (RS), Av. 21 de Abril, 1385, Vila Elizabeth, Bairro Sarandi.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Quando o coração fala [6]

Esta semana o Ricardo e eu estávamos conversando sobre o tamanho da responsabilidade que temos e que não dimensionamos, claro, sobre a vida das pessoas que vem a esta Casa.
Conversando com um casal que aqui vem regularmente, tive a idéia de pedir a ela, a esposa, que escrevesse sobre a relação deles com a Casa, como chegaram até nós, enfim, contassem a sua história, para que eu publicasse aqui no Blog. E saiu esta maravilha, que vou publicar em capítulos, porque é um pouco longo (e isto que é só a parte dela, ainda estou aguardando o texto dele, o marido), mas que vale à pena.
Obrigada, Márcia, pelo lindo texto! E vamos a ele:


Salve, Salve Essa Nêga! (Parte I)

 “De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu...”
Era sábado, dia de “Pretos velhos”.
E lá fui eu em direção a “não sei onde”, com uma única certeza na mente: que deveria ir. Naquele momento não parecia fazer sentido questionar, seguir em frente era a única atitude que me ocorria. 
Mas ir para onde, se nem um endereço eu tinha? 
E aquela voz, insistindo em me lembrar: “Hoje é dia de pretos velhos”. 
E lá fui eu, sozinha (ou pelo menos achava que estava) seguindo as poucas pistas que me eram dadas mentalmente – Sim, eu ouvia vozes! - Peguei o ônibus em direção ao bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, que aliás conhecia muito pouco, para não dizer que desconhecia totalmente, acho que fui uma única vez para aqueles lados – Disseram-me que ficasse calma que tudo daria certo, que alguém me ajudaria a chegar.
O ônibus rodou por quase uma hora e nada do “sei lá quem” que “eles” disseram que iria me ajudar. 
Na entrada do bairro havia um ônibus parado com problemas mecânicos e todos os passageiros foram obrigados a trocar para o ônibus em que eu estava. Eis que entra uma senhora, se dirige ao cobrador e pergunta: 
“O senhor me avisa quando chegar na Rua 21 de Abril, na esquina da farmácia?” 
Pensei que só poderia ser ela!  Apressei-me em perguntar se poderia acompanhá-la, pois ia para o mesmo lugar. Não tinha nada a perder, àquela altura achava que nem a sanidade eu tinha mais, então perderia o quê?  
Não tem aquele ditado que diz que “qualquer caminho serve para quem está perdido?” Então? O máximo que poderia acontecer era chegar a lugar nenhum e ter que voltar de onde comecei. 
Desembarcamos e ela me perguntou se iria na “casa” também. 
- “Claro! - respondi - Também tô indo na “casa”! - completei. 
- “Então vamos juntas. Essa é minha primeira vez!”, comentou a senhora. 
- “É a minha também” pensei, ainda sem saber o que significava “a casa”. 
Caminhamos menos de meia quadra e lá estávamos em frente a uma casa pintada de verde bem clarinho.
O que estava acontecendo comigo? Por que vim parar nesse lugar? Quem são essas pessoas? Não importa, o lugar é lindo e vou entrar, pensei. Estava meio tonta, ainda atordoada com tudo que estava acontecendo.
A única certeza que tinha, naquele momento, era de que estava, exatamente, onde deveria estar: Na Casa de Pai Joaquim de Cambinda.
Para a minha surpresa, não havia “surpresa”! 
Era como se o “plano” estivesse, apenas, se concretizando.
E de repente, tudo começou a fazer sentido: as vozes que durante meses me passavam ensinamentos – que mais tarde vim a compreender que eram meus mentores - os livros que li antes de chegar a casa, os sonhos que pareciam tão reais, as pessoas da casa, as músicas e “a música”. 
Tudo, tudo começou a fazer sentido...

(continua...)

Texto de Márcia Souza 

http://marciaholi.blogspot.com.br/

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Atuação dos Espíritos junto aos Evangélicos

Depois de algum tempo afastada (e algumas cobranças de leitores assíduos rsrsrsrs), estou de volta ao Blog.
Tenho publicado muitos textos no grupo Casa Pai Joaquim de Cambinda do Facebook (https://www.facebook.com/groups/465703210154506/) , alguns comentários sobre livros que li ou estou querendo ler, e pensei que o tempo que dedico lá, posso voltar a dedicar aqui, não é mesmo? 
E vou começar falando de livros com teor espiritualista, não necessariamente Umbandista, já que a Umbanda que praticamos em nossa Casa usa o Evangelho Segundo o Espiritismo como guia e não tem preconceito algum com qualquer religião, nem mesmo a Evangélica, tão criticada por aí.
Já ouvi muito Pai Joaquim contar sobre sua atuação em Igrejas Evangélicas, quando solicitado.

Pois eis que o último livro que li, na verdade devorei, porque foram 277 páginas em menos de 48 horas (para isso servem os finais de semana chuvosos), nos conta como os espíritos atuam nestas Igrejas, nos cultos, junto a pastores e fiéis. Trata-se do livro "Encontro com a Vida", de Robson Pinheiro, pelo espírito Ângelo Inácio. Sim, o mesmo Robson, tão criticado, eu diria até execrado pelos espíritas e umbandistas quando do lançamento de seu primeiro livro, Tambores de Angola.
Alguns afirmam que Umbanda se aprende no Terreiro e não nos livros.
Concordo, mas atualmente as coisas estão acontecendo em tamanha velocidade, que nem nós, que estamos com as entidades quatro vezes por semana conseguimos obter deles todos os ensinamentos disponíveis e necessário. Imaginem então os frequentadores.
O estudo é válido sim, porém com filtro e sempre questionando e levando as dúvidas para serem esclarecidas pelos nossos guias.
Agora, falando sobre alguns temas abordados pelo livro:
  • Assédio espiritual aos usuários de drogas: relata o quanto os espíritos amparadores são limitados no auxílio quando o usuário já está bastante comprometido e, mesmo com as limitações advindas do livre arbítrio, encontram uma maneira de ajudar
  • Transmutação de vales de sombra em colônias de socorro: descreve a tecnologia avançada que os espíritos utilizam para isso.
  • Explicação de como é o 'céu' dos evangélicos, ou seja, para onde vão os espíritos dos seres de crença evangélica quando desencarnam e o que acontece lá.
  • Reencarnação: como é feito o planejamento reencarnatório de um espírito que irá renascer de uma mãe portadora do HIV, as técnicas utilizadas para que o bebê não nasça com o vírus, já que a doença não faz parte do seu resgate.
  • Bebês prematuros: uma situação que aparentemente parece ser um grande problema, na verdade é uma maneira do mundo espiritual acelerar o processo de nascimento para que não se perca a oportunidade de um bebê reencarnar dentro do seu planejamento de volta à carne.
  • O poder da prece: principalmente quando se trata da prece de uma mãe, intercedendo por uma filha completamente perdida no mundo das drogas. O livro relata como a oração se transforma em energia e alcança as esferas superiores, mobilizando espíritos abnegados e prontos ao auxílio.
É considerado um romance espírita, porém recheado de ensinamentos, cujo enredo é utilizado apenas para deixar o livro mais leve, menos didático e mais atrativo, principalmente para os que não gostam muito de ler e/ou estudar (que não é o meu caso, claro).

Boa leitura para quem quer entender um pouco mais sobre como as coisas funcionam realmente do lado de lá. Este entendimento, nos ajuda a compreender e respeitar os diferentes, ao invés de julgar e condenar.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Luiza, luz, esperança, amor incondicional

Oi, pessoal! 

Preciso justificar minha ausência por aqui, mas garanto que é por um motivo mais que justo.No dia 3 de julho passado, Deus nos enviou um anjinho, chamado Luiza, que mudou nossa rotina por aqui.Para melhor, é claro, porque quando ela nos olha com seus olhinhos tão expressivos, nos derretemos e esquecemos toda e qualquer dificuldade que possa estar na volta.Luiza é luz, é esperança, é amor incondicional.Só temos a agradecer a nossa filha Débora e nosso genro, Gabriel, por nos proporcionar tamanha alegria.Mais adaptada aos novos tempos, estou de volta, e logo darei continuidade às postagens.


Fiquem na paz de Oxalá!


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Deixa o povo trabalhar!

Por que as pessoas não resolvem os seus problemas sem ter que se esconder por trás das palavras de uma Entidade da Umbanda?

Dia desses chegou uma moça aqui dizendo que seu marido queria vir tirar satisfações do Exu Tal, porque tinha dito a ela que o mesmo a estava traindo.

Como dirigente da Casa e sempre ligada nos acontecimentos, transmiti o recado ao Exu. Sabe o que ele me respondeu: - Deixa ele vir, Cumadre, deixa ele vir! Adivinha se ele veio? Claro que não né?

Na verdade, depois esclarecendo melhor a situação, fiquei sabendo que era a consulente que desconfiava do marido e usou o Exu pra ‘jogar um verde’, digamos assim.

E tá feita a confusão.

Ou então, é a mãe que não concorda com as atitudes da filha e usa o Preto Velho pra impor a sua opinião. O Preto disse isso, o Preto disse aquilo. Affffffffffff

E tá feita outra confusão.

Mas o que eu ainda acho pior que tudo isso, é vir tirar satisfação da entidade, testando a mesma e até mesmo fazendo ameaças.

Gente, assumam suas vidas e seus problemas. Cuidem de seus próprios umbigos e deixem as Entidades da Umbanda fazer o que elas sabem muito bem, que é fazer a caridade, sem olhar a quem.

Não utilizem o precioso tempo de uma Entidade, que poderia estar atendendo quem realmente precisa, para este tipo de conversa fiada.

Felizmente, isto não acontece com freqüência, porque o que mais se vê neste Terreiro de Umbanda são pessoas agradecidas pelo bem e paz que aqui encontram.

Fica a dica!



terça-feira, 21 de maio de 2013

Relato de atendimento com desdobramento consciente

A Anne faz parte da corrente mediúnica de nossa Casa desde março de 2012. Dia destes, foi chamada a auxiliar no atendimento a um consulente e, tão maravilhada ficou, que resolveu dividir conosco sua experiência. Segue o texto:


O amor realiza maravilhas!
Por: Anne Belottih

Era gira de Pretos Velhos e Vovó Catarina (Preta que trabalha com a médium Eduarda), que atendia um moço, me chamou:

- Pega um toco neguinha, que nêga véia vai prixijá da xinhóra.

Falou-me que seria um trabalho diferente do que estamos habituados a fazer durante os atendimentos em dia de giras, mas não tinha idéia do quanto seria bonito e o tamanho do aprendizado.

Logo que me sentei, a nega avisou que primeiro me levaria a um dos locais de trabalho do consulente, onde ela percebera haver algum tipo de demanda pra ele. Através do desdobramento consciente, fui levada a este lugar e percebi que se tratava de uma "sala" que foi plasmada no local de trabalho dele. Quando cheguei, tudo estava muito escuro, só conseguia ver algumas velas vermelhas e junto a elas uma espécie de alimento redondo e vermelho, muito parecido com uma maçã muito grande.
Lembrando que quando vamos desdobrados a qualquer lugar, sempre somos acompanhados por amigos espirituais que trabalham na nossa Casa, nos conduzindo, orientando e protegendo.
A nêga pediu para que os amigos espirituais acendessem as luzes deste local para que eu pudesse perceber o que acontecia ali. Mesmo com as luzes acesas, as paredes continuavam muito escuras. Percebi que quem comandava a demanda encomendada ao consulente tentava se esconder por detrás delas.
Imediatamente o mesmo foi atraído ao Terreiro e, incorporado em mim, a nêga pode conversar com ele. Meio a contragosto, revelou que em uma de suas vidas fora um general, acostumado aos mandos e desmandos da época. Ao desencarnar, viu-se logo escravizado por uma das falanges do submundo astral e desde então só faz obedecer ordens, diferentemente de quando estava encarnado. Não foi difícil perceber a sua contrariedade com a atual situação e convencê-lo a abandonar a demanda e seguir nossos amigos espirituais.
Enquanto conversávamos com ele, uma equipe providenciava a limpeza energética do local de trabalho do rapaz.
Logo a nêga me comunicou que iríamos à residência do moço, onde muitos espíritos necessitados de ajuda lá estavam, mas que iríamos encaminhá-los de uma outra forma, sem a necessidade do choque anímico (incorporação), pois eram muitos. Eu iria auxiliar com a doação de energia vital (ectoplasma que só os encarnados possuem) para que pudessem resgatá-los e encaminhá-los ao hospital da Colônia Luz de Aruanda, ligada à egrégora* do nosso Terreiro.
Assim que chegamos à frente da casa do consulente, percebi novamente a presença dos amigos espirituais da equipe da Casa, incluindo alguns soldados e guardiões. Senti-me como se estivesse dirigindo aquele trabalho e, estranhamente, me vi diferente, a fisionomia, as roupas brancas e simples.
Dentro da casa, como eram muitos espíritos enfermos, abriu-se um ‘portal’ muito claro, partindo do chão em direção ao infinito, como um tubo de luz muito intensa. Os enfermos eram encaminhados a estes tubos, onde eram estabilizados energeticamente pelos espíritos socorristas que nos auxiliavam neste trabalho, e desapareciam, como que sugados pelo portal.
Enquanto isso, a nêga pediu para que eu colocasse em alguns pontos da casa uma série de ‘pontos de luz’ semelhantes a pequenos cristais redondos. Imediatamente me vi de posse de uma bolsa de pano branca, de um tecido muito simples que, quando aberta, revelou-me estar cheia destes cristais.
Distribuí alguns à equipe que nos auxiliava na limpeza energética da residência, indicando onde deveriam ser colocados, ou seja, em cada canto de cada um dos cômodos da casa, de modo que ficassem interligados. Enquanto isso, eu ia fechando os circuitos entre os pontos, finalizando a proteção.
Em seguida, solicitei o auxílio dos elementares da terra, os gnomos e elfos, que iam colocando verde por tudo. No chão, uma grama muito fofa e cheirosa, nas paredes, plantas trepadeiras, flores perfumadas por toda parte. Dava para sentir muito intenso o cheiro do mato e das flores, aquele ar puro que enche o coração e a alma com as energias mais puras e belas.
De repente, uma elfa postou-se bem a minha frente. Embora não consiga lembrar exatamente das palavras que ela usou, sei que se apresentou para mim, falou de como era o seu trabalho e do que eles iriam fazer naquele momento, para finalizá-lo.
Logo percebi que estavam colocando uma espécie de amuleto em cima das portas, com a função de bloquear temporariamente a entrada das energias negativas na casa. Digo temporariamente, pois qualquer auxílio do mundo espiritual aos encarnados é limitado pelo livre arbítrio de cada um.
Também nas portas de entrada foram colocadas cortinas de energia, como cascatas luminosas, com o objetivo de promover a limpeza energética das pessoas que por ali passassem.
Terminado o trabalho, voltamos ao Terreiro, pois a nêga me informou que os últimos espíritos enfermos já haviam sido encaminhados e nossa missão por ali havia terminado.
Senti-me maravilhada e grata pela oportunidade de participar de um trabalho tão bonito e de tanta importância no auxílio a um consulente.
Grata por tudo que vi, por ter aprendido novas formas de trabalho, conhecido novos equipamentos, como o tubo de energia para o transporte dos espíritos enfermos, coisa que sequer poderia imaginar.

Realmente não tenho palavras para explicar o quão importante foi esse trabalho para mim, assim como tantos outros que tive oportunidade de realizar nesta casa e espero que tenha a oportunidade de ajudar cada vez mais!
Para terminar, só tenho a agradecer aos médiuns, amigos e tanto aos meus protetores quanto aos da casa por me proporcionarem momentos como estes e por estarem sempre junto de nós. Agradeço principalmente aos protetores porque além deles ajudarem muitos amigos, nos auxiliam a crescer espiritualmente e como pessoas, e nos dão todo conforto, carinho e amor que necessitamos!
Mais uma vez muito obrigado e fiquem com o amor de nosso Pai Oxalá!

*egrégora – energia gerada por um grupo de pessoas reunidas com o mesmo objetivo e que, no caso da Umbanda, sustenta os trabalhos da corrente mediúnica.



sábado, 11 de maio de 2013

Feliz Dia das Mães!


Por: Cândida Camini

Alguém consegue dimensionar a dor de uma mãe, que tem arrancado de seus braços o filho que acabou de parir e levado sabe Deus pra onde?

E se forem vários filhos, em seqüência, um após outro?

Obrigadas a gerar e parir seus filhos ao bel prazer de seus algozes, em condições sub-humanas nas senzalas, às negras escravas restava orar a Zambi para que cuidasse deles por elas e esperar pacientemente pelo dia em que iriam reencontrar-se em uma de suas moradas.

Imagina então ver o filho sucumbir no tronco, o corpo lanhado pelo chicote do feitor, que batia sem dó, antes pelo contrário, com prazer de ver um negro sangrar até morrer.

E ainda, com todo o amor do mundo, amamentar e embalar o filho da Sinhá.

Mãe Preta!

Quanta dor, quanta resignação, quanto amor!

Mais tarde , na Umbanda, elas retornaram à face da Terra, em espírito, incorporadas em seus cavalos, e continuaram distribuindo amor, ensinando com seu exemplo o que significa amar incondicionalmente e nos dando colo, como faziam com os filhos da Sinhá.

E aqui elas se apresentam: Mãe e Vó Maria, Vovó Maria Redonda, Mãe Maria Preta, Maria Conga, Vovó Catarina, Mãe Preta Serafina e tantas outras.

Fica aqui nossa homenagem, nosso amor, não só a elas, mas a todas as mães da Umbanda, a todas as mães de todos os mundos habitados.